London Calling

14/04/2010 por Rodrigo Ximenes


Minha mania de deixar tudo para cima da hora é meio proposital, admito que é meio arriscado, mas evito ao máximo fazer tudo tão planejado por motivo simples: depois de algum tempo em uma cidade colhendo dicas, é normal a mudança de planos e isso faz com que um roteiro pré-estabelecido tenha que ser alterado. Mas nada impedia que eu providenciasse com alguns dias a mais de antecedência minha passagem pra Londres.

Quando comecei a pensar nisso, descobri que já não havia disponibilidade para o período desejado, feriado de páscoa, resultado: I ida de ônibus foi a única alternativa que me restou, e sofri as consequências por isso: um atraso cerca de 1:40hs na partida, isso mesmo! Lembrei então do meu castigo lá em Paris. Franzi a testa: será que a história se repetiria? Como vai ser a chegada em Londres? Fiz as contas e cheguei a conclusão de que por causa desse vacilo da companhia de ônibus (justificado por um congestionamento nas rodovias em virtude do feriado) eu só teria 20 minutos lá chegando para pegar o metrô que fechava às 01:00hs. Mas como no final tudo dá certo, não quis me preocupar com isso na hora, tinha 4 horas e meia de uma enjoada viagem de busão pela frente. Não que eu enjoe, isso seria muita frescura, mas desde que encarei 22 horas de calvário num ônibus sem ar condicionado em pleno verão entre Buenos Aires e Porto Alegre sentado ao lado de um “hermano” obeso, nas ultimas férias, deslocamentos rodoviários com mais de 2 horas me são sofríveis…

Mas até que eu estava com um bom-humor daqueles em que nada parecia ser capaz de me aborre-cer, a paisagem também colaborava; tal como acontecera nos últimos dias, o pôr-do-sol fortemente alaranjado em MCR trazia de brinde uma garoa bem fininha. Combinação daquelas que não se vê sempre, logo começa a estrada e com ela, meu hábito infantil de provocar o sono da viagem contando vaquinhas ao longo do caminho, bem… como aqui não tem vaquinhas conto ovelhas mesmo!

Quem acompanha meus posts sabe que minhas piscadas em estado de sonolência são duradouras, e esta última parece ter durado algumas horas, não faço a mínima idéia de onde estou, em que altura, quanto tempo falta, mas algumas mulheres retocando a maquiagem no ônibus deixam claro que a vigem deve estar em seus minutos finais. Alguns minutos me separam daquela cidade que há alguns anos mexe com minha curiosidade. Todo mundo fala tão bem de Londres, espero confirmar essa expectativa! Chegada na Victoria sattion choach, tudo sob controle…20 minutos são mais que suficientes para atravessar apenas uma rua e entrar em Victória station e descobrir qual combinação de linhas que vai me levar pro destino final. Não disse que no fim dá tudo certo?

Começo minha rodada de abordagens atrás de uma informação precisa sobre como chegar ao meu destino. Na primeira, um alívio; aqui eles não falam aquele rasgado do Norte, agora sim, deu pra perceber que meus dias de curso no pais do “fish’n chips” surtiram algum efeito; a comunicação já não é tão traumática como em MCR, informações obtidas, entro no metrô, observo tudo à minha volta nos mínimos detalhes; etnias, gestuais, vestimenta, comportamento, cores de cabelo… Num só vagão posso detectar gente de vários cantos do planeta das mais variadas culturas…do punk ao nerd, passando pelo “Mohammed” e a patricinha, gente engravatada voltando da “HH” exalando aquele bafo de álcool que logo toma conta de todo ambiente… cenário clássico de uma noite de véspera de feriado em uma grande metrópole… todos sentados lado a lado, convivendo harmonicamente. Babel é aqui, e viva as diferenças!!!

Bom, ainda não expliquei onde vou ficar hospedado…pergunto: Você trocaria o conforto de uma caminha bem forrada num quarto de hotel por um colchão de molas improvisado no corredor do apartamento de 2 quartos onde moram 5 amigos de amigos em comum que você nunca viu? Eu também!…e não me arrependo!! Nessa hora, não precisa ser amigo de infância não, me acomodo sem o menor problema na casa de qualquer uma boa alma hospitaleira, em troca as portas de meu cafofo sempre estarão abertas! Só quem viaja sabe o valor que isso tem…

Thiago, Ed, Adriano, Felipe, e Manolo (um francês retirante tentando a vida por aqui), dividem um ap no extremo leste de Londres e me receberam com uma hospitalidade digna das encontradas no caminho de Santiago de Compostela e me trataram como se fosse da casa. O que eu preciso mais? Acertou: Balada, e amanhã é dia! Noite de quinta, tô “moido”, quero um chuveiro e alguma coisa pra comer, 02:30hs não são horas de cozinhar… tenho todo feriado da páscoa para saber o que tem por aqui, “do underground ao mainstream” como disse o D2 em um música que eu não lembro o nome agora.

O dia começa com um rolé por alguns lugares recomendados; fora aqueles clichês como palácio de Buckingham, não vi a troca de guarda… me recuso a acordar antes de meio-dia nas férias e sinceramente, não vejo muita graça naquilo. Conheci o Hyde Park, onde acontecem muitos shows lotados de gente que se esparrama pelo gramado em numerosos piqueniques nas épocas de calor. Clichês a parte, tive que ir até a famosa faixa de pedestres da Abbey Road tirar a famosa foto da capa do célebre disco do homônimo dos Beatles, os 4 enfileirados sobre a faixa de pedestres. É muito engraçado ver a impaciência dos motoristas, devem ver sempre aquela movimentação de “turistas-pentelhos” atrapalhando o trânsito. Mas o ponto alto do dia foi um lugar onde se encontra gente “doida” dos mais variados tipos: Candem Town, bairro preferido de Amy Winehouse tem lojas de artesanato, camisas de bandas de rock, comidas típicas de vários países, souvenirs dos mais variados, artistas de rua, músicos e vários pubs animadíssimos com bandas de rock de várias vertentes. Não dá pra não conhecer!!!

Meu primeiro contato com a noite Londrina começou pelo alto, graças a ótimos contatos, consegui um VIP numa boite top top da cidade; “Amika”, ponto de parada dessa galerinha do show bizz fanfarrão quando vem a Londres: rappers, atores, celebridades etc.. onde uma garrafa de champagne pode custar 500£. Não é a minha praia, definitivamente. Mas um lugar onde tem muita, (muita mesmo) mulher bonita e musica eletrônica de primeira, não pode ser mal, vou mantendo o controle com minha boa e velha cerveja, gostei da noite!
No segundo dia, fiz uso assim como no primeiro, do “one day pass” 5.60£, passe de metrô válido por 24hs com número ilimitado de viagens nas estações que se encontram até o limite da zona 2, pouca coisa fica fora desse raio, vale a pena. Assim, começamos o dia por Nothing Hill, e sua famosa feirinha de antiguidades, e tome “bizarre food”, na falta de um prato tipicamente inglês, a feirinha oferece comida de todos cantos do mundo…hoje foi dia de muito pão com linguiça, quiche de ricota e crepe de Nutella como sobremesa…haja estômago!!! O meu é bem treinado…nunca me deixa na mão, apesar dos maus-tratos.

O fim do dia foi de caminhada sem destino certo…aqui e ali, decidindo tudo em cima da hora, bem do jeito que eu gosto, consegui dar “um confere” na movimentada Picadilly Circus. Aproveitei pra esticar a noite num conhecido pub irlandês chamado O’Neills. Segundo os caras daqui, existem vários tipos com a mesma marca, uma espécie de rede, recomendo também um muito bem falado, chamado Green Man. Pubs irlandeses são mais animados que os ingleses, gente bêbada, risos, sinos tocando, futebol na tv, e o que mais gosto nesses lugares: nas horas das canções mais tradicionais, muita gente cantando em coro (com intenso entusiasmo alcólico), num clima desse, não tenho coragem de beber outra senão a “Guiness”.

Dia seguinte, depois de uma panela de penne a bolongesa em casa no almoço (não se estava tão bom ou se foi fome mesmo) consumido com voracidade por todos nós, saímos de casa no meio da tarde rumo a estação Westminster, ainda falta conhecer a London Eye (maior roda-gigante do mundo) e o ícone monumento que é o símbolo máximo de Londres: O Big Ben. O bom de se estar em frente a um monumento famoso, é uma sensação impagável, um tipo de flash back, um filminho compilado passa na cabeça; filmes, desenhos animados, documentários , seriados, e ele; o tal monumento está aqui na minha frente, momento pra ser curtido, dia pra ser lembrado, me permito sim ser deslumbrado nessas horas, mas um dia bem aproveitado. Esta noite? Chove muito… variar um pouquinho; pub inglês, lugar de rock ambiente, não tão alto, alguns contam com lareiras, decoração mais requintada, futebol na tv e discussões exaltadas sobre futebol, daquelas que o sujeito aumenta o tom de voz na discussão fica vermelho e você até pensa que vai terminar em porrada, mas não acontece… discussão por futebol é isso mesmo!!

Último dia, acordo cedo, não dá pra ver muita coisa, mochila fechada as pressas (com tudo socado de qualquer maneira, no melhor estilo “mala da volta”), rumo a estação pra pegar o bus, na estação mesmo: café, croissant e muffin de limão. Não sinto fome nas próximas cinco horas, em casa eu como melhor!

Ficaram faltando alguns programas, como a troca de guarda, (diáriamente às 11 da manhã), uma “squat party” (festas organizadas em casas abandonadas com poucas horas de antecedência; no improviso, amigos combinam ligam uns para os outros pra divulgar). E uma festa a fantasia que róla aos domingos chamada “The church” que acontece num lugar onde funcionava uma igreja.
Brincadeiras a parte, uma certeza; minha trip precisava de uma pimentinha (trocadilho infame no pais do curry e do BBQ), tava meio sem emoção a vida só no interior, urbanóide convicto, me dei um belo presente. Volto na sexta, dia 9, parto de Eurostar pra Paris na tarde de sábado onde encerro minhas férias… ta acabando…penso nisso semana que vem…melhor!!

Assunto pro proximo post…

Saudades!!

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“Vamo que vamo”…

1/04/2010 por Rodrigo Ximenes


Ontem parecia um dia comum…

Acordei por volta de 11h00 (vantagem de se estudar de tarde, de mais a mais, não posso esquecer que estou de férias), caiu aquela garoa diária bem fininha e gelada, fui para a escola no segundo andar do bus, almocei alguma coisa na rua que se não tinha curry, tinha BBQ, atravessei a praça principal da cidade, comprei um “expresso” bem forte e sem açúcar, saboreado lentamente no caminho. Mas algo inusitado aconteceu: na escola, fui apresentado por um colega turco a um novo amigo… brasileiro!

Quem tem acompanhado meus posts, sabe que há um bom tempo que eu deixei de considerar isso um problema. Jorge é paraibano, e assim como eu, escolheu MCR pela paixão pelo rock e futebol e pela possibilidade de não encontrar tantos brasileiros como em Londres, e para minha surpresa; mais um cliente CI, feliz com o suporte!!

A reação dele ao me ver respondendo seu “Hi, how are you”? com um descontraido “P…mais um?” seguido de um sorriso, me deu a dimensão da minha reação ao já conhecer as meninas, já relatado em um post anterior. Engraçado mesmo foi ver a curiosidade sobre o nosso idioma, de uns 4 ou 5 orientais que estavam próximo e nos olhavam meio surpresos com o tom de voz e o jeito unicamente brasileiro de falar gesticulando, e também a nossa fonética que confunde qualquer um; antes de saber que falamos português, muitos pensam que falamos russo…vai entender ??!!

Naquele momento, percebi que esse processo de adaptação é um ciclo. Não disse? O mundo dá voltas; você chega perdido, tenso, conhece brasileiros, descontrai, depois de algum tempo, conhece outros, que depois de um tempo se acostumam e etc, etc…

Perguntei a ele se já conhecia alguma coisa na cidade; respondeu que não, “Cara, no caminho de volta, passo pelo centro, se quiser, posso te mostrar um pouco da cidade, dar algumas dicas, etc.” Nesse caminho de volta, enquanto eu explicava toda aquela “sabedoria” recém descoberta sobre ônibus, museus, pubs, galerias, supermercados, ele pouco falou, e muito observou cidade; parecia querer captar todos os detalhes possíveis durante aquele curto trajeto, e no fim da tarde, quando paramos na fila do King Burger para matar a fome, ele soltou a que talvez tenha sido a décima frase daquela tarde: “Cara, é estranho estar longe de casa; muda tudo; clima, língua falada, tipo de comida, humor das pessoas, cultura, televisão, hábitos… bla bla bla…”

Percebi que meu estagio de “descoberta” já havia passado, não me deslumbrava mais assim com a cidade; estou aqui desde 14 de Março e fazendo um balanço, por se tratar de uma cidade pequena, acho que já fiz tudo que poderia ter feito aqui; fiz noitada, bebi cerveja num pub, senti frio… muito frio, andei bastante de ônibus, (mais ainda a pé), tirei foto, conheci gente daqui e dos quatro cantos do mundo, ri muito, tomei chá, almocei alguma salada em algum domingo tomando suco de laranja sentado no gramado da praça central da cidade como um local, vi na rua gente com todas as cores de cabelo e roupas possíveis, porém, tenho um problema: Sou um urbanóide convicto, daqueles que está acostumado a acordar no meio de uma madrugada com insônia e “descer” pra tomar um açaí as 3h da manhã, coisas de Copacabana !!

O trabalho como consultou me deu esse “feeling”, imaginei que fosse me satisfazer em uma cidade de interior por 4 semanas. Se tivesse mais tempo, provavelmente teria escolhido uma capital para estudar. Para uma cidade de interior MCR atendeu bem às minhas expectativas, com certeza um dia volto aqui, sou louco por rock e aqui o cenário alternativo agrada a qualquer um. Só fiquei meio decepcionado de saber que ontem nevou bem pertinho daqui, a uns 70 km ao norte, provavelmente a neve não vai mais chegar aqui ainda este ano, fazer o que?

Sim, o post tem tom de despedida, mas da cidade e não da trip; estou olhando nesse exato momento para minha mochila cheia, no meio da tarde parto pra Londres para fazer um pouquinho mais de história que, fato!… vai virar post!

Abracos!!

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Depois da tempestade…

24/03/2010 por Rodrigo Ximenes


Quando pensei em fazer meu curso, tentei imaginar uma cidade na Europa onde não houvesse tanto brasileiro quanto Londres e que tivesse grande oferta de entretenimento. De fato, acredito ter feito uma ótima escolha tanto de cidade quanto de escola.

A Kaplan Aspect é uma das opções que temos de oferta para clientes com maior abrangência no mundo; Austrália, Nova Zelândia, Estados Unidos, Canadá, Reino Unido e Irlanda. Sempre tive um feedback muito positivo por parte de meus clientes e agora comprovo aqui. O procedimento do primeiro dia, é basicamente o mesmo de todas as outras: É feita uma apresentação do staff, procedimentos de segurança, estrutura dicas de transporte, telefones de emergência, suporte para dúvidas mais simples, informações sobre as leis do país, e por fim, o teste de nível; bem simples, dividido entre questões de múltipla escolha, perguntas discursivas e a elaboração de uma mini resenha sobre a importância do aprendizado do inglês para você.

A primeira semana, foi bem produtiva, apesar de ter começado em um nível que considerei fraco para mim, mas não reclamei, resolvi dar um voto de confiança na avaliação deles, trabalham com isso, devem saber melhor do que eu o que estão fazendo e não me arrependi; o professor (Mattew, muito atencioso, daqueles que passam exercício e percorrem a sala observando a nossa escrita e corrige os erros sempre que preciso) me chamou reservadamente e disse que observando meu desempenho achava que na próxima semana eu já poderia estudar em uma turma mais avançada. Ponto para eles, senti o que todo estudante (principalmente aqueles que tem pouco tempo) quer, ser observado atentamente.

Mas nem tudo é obrigação, certo? Estou aqui para fazer amigos também e acredito que você que está lendo deve se perguntar como é o público e de onde vem. Pois bem, vou mostrar o que vejo num curso de inglês na Europa, mas isso pode variar de país para país; maioria absoluta: orientais; é só raciocinar; eles são a maioria esmagadora da população mundial, e como toda escola conta com um critério chamado “mix de nacionalidades” a distribuição de etnias por turma funciona bem. Em seguida, vejo uma grande quantidade de árabes, (sauditas e iranianos), turcos, italianos, espanhóis e venezuelanos.

Foi uma análise de certa forma pré-matura, eu viria comprovar isso no quarto dia de aula; durante uma conversa em francês com Yannick, (um amigo que fiz de origem congolesa) duas meninas cumprimentaram-no e nos convidou (em inglês) para o aniversário de uma delas, que seria comemorado naquela noite em um pub próximo à escola. Yannick me perguntou se não as conhecia, disse que não, e ele disse: são brasileiras!!

Tenho que confessar; prometo rever um ponto de minha orientação de pré-embarque aos estudantes; a de não falar com brasileiros em hipótese alguma! Bobagem; puro radicalismo. Fácil de falar, difícil de cumprir… uma longa conversa com Mel e Natália, me mostrou que amizade entre brasileiros no exterior, não é necessariamente sinônimo de atraso no aprendizado; pelo contrario; podemos nos ajudar nos corrigindo entre si e outra coisa que constatei: até conhecê-las, eu andava meio tenso e mau-humorado, com uma certa dificuldade em me relacionar com os outros estudantes.

Não podemos esquecer que esse comportamento de sair puxando assunto com desconhecido, aperto de mão, abraço, é quase que exclusivo de brasileiro, outros povos meio que demoram um pouquinho assimilar isso, sentir que corria o risco de sair daqui no fim de 4 semanas com 2 ou 3 amigos. Estava começando a me irritar, o desconforto estava interferindo até no meu desempenho nos estudos.

Bem voltando às meninas, endosso o título do meu blog: o mundo realmente dá voltas, Natália é cliente da CI de São Luiz, Mel veio pela loja do Tatuapé, ambas estão na turma preparatória para o IELTS (e ontem, para minha surpresa, conheci outra Natália, cliente de Campinas!! ainda não a conheço bem, mas provavelmente ainda vou falar dela por aqui). As duas primeiras me deram várias dicas sobre tudo que precisava; supermercado barato, melhor forma de transporte para viajar pelo país, museus mais interessantes, pubs, por onde andar, por onde não andar (super importante em qualquer cidade do mundo!!), algo que não conseguiria com ingleses, é difícil fazer amizade com locais em tão pouco tempo, e não é exatamente o tipo de informação que conseguiria em minha “família”.

Concluindo, aprendi uma lição: não vale radicalismo nem isolamento, quando o assunto é fazer amigos. Mas que uma coisa fique bem clara, chega a ser grosseria falar português na presença de amigos estrangeiros, seja gentil. Não esqueça que você tem pouco tempo pra praticar e a necessidade faz o hábito.

Agora, de posse de dicas preciosas e mais “aliviado” por saber que não estou “tão sozinho” aqui, começo a curtir mais a cidade. Vejo que é possível sim me divertir por aqui. Não há só o lado underground; pra quem gosta, a cidade tem um shopping enorme, o Arndale com varias lojas de departamento e grifes famosas onde está também o supermercado com os melhores preços daqui; o ALDI, onde você pode desmistificar a lenda de que o custo de vida na Europa é alto, é possível comer muito aqui gastando pouco, (aliás peço licença aqui para criticar a comida do Reino Unido de uma forma geral, nunca estive em um país onde os alimentos à disposição no mercado são tão insossos, sem sabor algum, assim é fácil ser magro!!).

Para quem não gosta de noite underground nem rock alternativo, uma galeria chamada “printworks” abriga os mais famosos night clubs da cidade. “Opus” e “Pure” estão entre os mais frequentados. Aqui funciona como deveria ser no Rio, onde se paga caro só para entrar; o valor para entrar na casa é simbólico; cerca de £2 a £5, paga-se o que consome, e na saída, você ganha uma pequena marca de carimbo na mão, o que te deixa livra para entrar e sair na hora quiser, simples e inteligente, não?

Acha que brasileiro “metem o pé-na-jaca” na noitada?? Venha para a Inglaterra, vi muita gente saindo cambaleando na saída e alguns até agressivos entre si, sei que não dá pra tirar uma conclusão só no primeiro sábado, quero acreditar que a vitória do Manchester United de virada pra cima do “arqui-rival” Liverpool, tenha exaltado os ânimos dos mais fanáticos por futebol. No próximo sábado quero circular por cantos mais alternativos, preciso ouvir guitarras, baixos e baterias em pubs, algo mais condizente com meu habitat natural.

Enfim, a superação da fase de adaptação faz com que o feedback será mais doce, honesto e livre de ressentimentos, dá sim, pra ser feliz aqui, mas acho que não moraria na Inglaterra. Por quê? Tenho aversão à chuva. Daí você me pergunta: Dá pra tirar uma conclusão sobre um país a partir de uma só cidade? Acho realmente que não, mas em breve vou poder responder isso: ontem me dei conta que o feriado da semana santa é comemorado em quase todo mundo, por isso, parto pra Londres dia sexta 01 à noitinha e só volto segunda dia 5 no meio da tarde, mais o resultado disso, com certeza vai gerar um post enorme, até lá, vou “soltando” mais alguns sobre MCR.

Vou “fechando a tampa” por aqui…

Abraços, para meus pais e amigos, sinto saudades!!

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Homestay, sweet homestay

23/03/2010 por Rodrigo Ximenes


Talvez já tenha dado pra perceber que meus posts não são necessariamente semanais, vontade de escrever não tem hora pra acontecer. Até pensei em descrever minhas impressões sobre Manchester durante a última semana, (ontem completei minha primeira aqui) tenho escrito muita coisa retroativa. Que bom que não postei. Pois hoje, chego à conclusão que descobri uma sensação que eu, enquanto consultor, ignorava até então: o estranhamento da chegada.

Ele pode gerar uma sensação de mau -humor que agora compreendo, lembrando de alguns e-mails ácidos enviados por clientes recém-chegados. Na primeira semana de adaptação, a magia da descoberta pode ser ofuscada por este desconforto.

Vou explicar melhor: na tentativa de conhecer a fundo aquilo que vendo, optei por hospedagem em casa de família; (intercambio pra mim tem que ser em todos os sentidos, somente estudar em uma escola no exterior, ao meu ver, não é suficiente para uma verdadeira imersão cultural) quero saber o que esse povo come, sobre o que fala, como se comportam dentro de casa, como veem o mundo, como é sua televisão (acredite; é possível conhecer um povo por sua programação televisiva), tudo que eu puder absorver um minhas 4 semanas de férias virá como lucro.

Saindo da estação Manchester Piccadilly, o que vejo não é muito diferente do que esperava, mesmo por que, com o Google maps, foi possível “dar uma virtual” pelas ruas de MCR sem sair de minha cadeira no trabalho ainda no Brasil. A cidade segue uma tendência estética da maioria das cidades Inglesas, ser quase monocromática, pois quase todas as edificações aqui são revestidas de “tijolinho”, o que deixa a cidade num tom quase “grená”.

Aqui a revolução Industrial, no século XIX teve importância fundamental, prova é a grande quantidade de indústrias presentes até hoje nos arredores da cidade, bem como os canais que no passado foram usados para escoamento da produção até as cidades portuárias mais próximas. É preciso ser coerente, não vale comparações, cada cidade tem seu valor. Pelo critério beleza, MCR perde de goleada para muitas que conheço, entendo disso por que vivo naquela que é sem dúvida a mais bonita do mundo, mas aqui o critério é diferente.

Alem da importância histórica, tem musical!! Bandas como Oasis, Big Country, Take That, Barclay James Harvest, Charlatans, Chameleons, Electronic, Ultravox, Happy Mondays, Hollies, Joy Division, Mike & the Mechanics, Morrisey, Lisa Stanfield, Stone Roses, Smiths, Simply Red e New Order nasceram aqui, a quantidade de pubs aqui tais como botecos no Rio, não deixam dúvida, é a meca do Undreground Inglês!!

Conferir isso é tarefa pra depois, saber que tenho um mês aqui me deixa mais a vontade para fazer isso outro dia, preciso descansar e além do mais, to super curioso pra saber onde vou passar meus próximos 30 dias. Minha carta de confirmação de acomodação, informava uma família composta de pai, mãe, e dois filhos. Não veio escrito a idade de ninguém, (o que geralmente acontece), mas pra falar a verdade eu nem me esforcei muito pra saber, afinal de contas, o “fator surpresa” dá o tempero da viagem!!!

Desço do taxi, vejo a casa, frio na barriga…toco a campainha, quem me atende é Salma, a mãe, logo conheço todos, quando pronuncio a palavra Brasil, o mais novo pergunta se gosto do Robinho (o cara andou fazendo miséria com as defesas adversárias na última temporada por aqui!!).

Gostaria de esclarecer alguns detalhes que pouca gente sabe: estar em uma homestay, por um curso de idiomas, está longe de significar estar com novos “tutores”!

Pessoas maiores de idade, em uma casa assim, tem uma chave da porta e total liberdade de ir e vir sem ter que dar satisfação a ninguém. Pode usar as ‘áreas comuns como cozinha, banheiro, sala, lavar roupa, ter privacidade para encostar a porta do quarto e descansar sem ser incomodado (desde que a opção seja por quarto privativo). E lógico que o bom senso é fundamental para uma convivência harmônica, assim com na sua casa, não vá chegar tarde da rua fazendo barulho ou largando roupa espalhada pela casa pelos cantos, não é?

Javid (o pai) vem conversar comigo, e me explicar sobre o funcionamento das coisas, aquecimento, entre outras, logo, pergunta sobre o Brasil, e aquela pergunta sobre “salsa” chega a mim mais uma vez. Meu deus!!! Isso me persegue em toda Europa!!… As vezes tenho a impressão que grande parte do povo por aqui pensa que toda América Latina é um só país, chamado “Brazil” cuja capital é Buenos Aires, mas enfim, vamos em frente: Não, Sr., no Brasil é SAMBA, conhece? “Ah, então você sabe sambar”… Não, não sei sambar!!!

Tenho que “fazer a social”, entrego os presentes; um imã de geladeira com a vista aérea do corcovado, uma coletânea de Bossa Nova e uma brochura com fotos do Rio, penso comigo mesmo: “vai estudar um pouquinho sobre o Brasil vai”. Sei que não é por mal, são super gentis, já vivi neste continente e sei que nossa américa latina não é sempre lembrada pelo exotismo. Raríssimas vezes por aspectos “mais sérios”, mas isso é assunto pra depois… Vou pro quarto, preciso descansar, é tarde de Domingo e desde quarta não tenho uma boa noite de sono, daquelas em que se abre os olhos pela manhã seguinte sem ter forças para se mexer.

A chegada na escola é meio conturbada. Não se esqueça de que você está num país onde tudo é completamente diferente do seu; língua, transporte, clima, humor das pessoas, o “GPS interno” fica bagunçado, não há senso de localização. A gente tem que aprender tudo de novo; pegar ônibus, arrumar um mapa, se localizar nele, pedir informação, muuuita informação (se você tem aversão a falar com pessoas desconhecidas na rua, não viaje, é realmente questão de sobrevivência), por isso, saia de casa com pelo menos duas horas de antecedência, você vai se perder e se achar algumas vezes, é sim, o primeiro, o pior dia!

A chegada na escola, e mais detalhes sobre essa cidadezinha bem doida e charmosa que eu estou aprendendo a gostar a cada dia que passa fica pro próximo post!!

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Só mais 5 minutinhos!

22/03/2010 por Rodrigo Ximenes


E não deu mesmo!!

Sabe aquela história do “só mais cinco minutinhos”, pois é… nunca cometa este erro, principalmente se tiver algum compromisso importante na parte da manhã e mais ainda; se esse compromisso for um embarque em trem na europa, (onde os horários são rigorosamente pontuais)

Uma inocente piscada de olho durou quase meia hora e não adiantou fechar as malas na correria nem o Artur, (meu anfitrião em Paris) dirigir feito alucinado pelas estreitas ruas de Paris que não teve jeito; cheguei ofegante a Gare do Nord, faltando apenas 10 minutos para o trem partir. Embarque fechado! “Perdeu, playboy!”.

Considerando o tempo que ainda teria que gastar na UK Border (em viagens de trem, feita ainda em solo francês) seria impossível mesmo pegar o trem de 08h15. O que fazer? Quando se compra o ticket, é informado que o valor mais barato geralmente não dá direito a reembolso nesses casos, mas quem pensa no pior nessas horas, não é? E me fazendo de bobo, perguntei ao funcionário do Eurostar se poderia embarcar no próximo, ele, lógico, disse que não, nessa hora vale tudo; mão na cabeça, cara de desespero, olhar perdido “para ontem” e inquietação, e claro um bom “desenrolo”.

Para 90% das situações, aqui na Europa, o jeitinho brasileiro não cola, mas tem que tentar, ainda temos os 10%… o máximo que pode acontecer e ouvir não, e se ouvir um não, tente de novo, até perceber que a pessoa está perdendo a paciência, fui feliz! Antes de chegar à esse estágio, ouvi um “Ok, mas tome cuidado da próxima vez”.

Bom, primeiro o obstáculo ficou pra trás, ainda faltam dois; encarar a tal da UK Border logo ali na minha frente onde um longa fila já se forma para embarcar no trem de 09h15, e o terceiro lá em UK; entre esse trem e o de Londres para Manchester, eu havia calculado um intervalo de 1h30 para ter tempo de almoçar, previ que chegaria com fome, agora esse intervalo caía para meia hora e mesmo sendo estações vizinhas, eu não faço a menor idéia do tempo que vou levar entre London St. Pancras (meu desembarque daqui) e London Euston (embarque para Manchester). Enfim, voltemos ao segundo:

A quantidade de perguntas já era esperada; todas fáceis de responder, mas confesso que minha recente situação de estresse e o forte sotaque ao qual não estou acostumado, me deixaram em ligeira situação de desvantagem, fazendo com que pedisse para que ela (a oficial), repetisse grande parte das perguntas (que eram feitas em círculos, de forma que as respostas das últimas “batessem” com as das primeiras), fácil para quem esta falando verdade). Como já disse em outro post; tenha em mãos tudo que possa comprovar suas reais intenções naquele país se quiser evitar problemas.

Pronto, dentro do trem, noto que a parte sob o canal da mancha é bem rápida; cerca de meia hora, logo, de volta a superfície, quando o trem passa ao lado de uma auto-estrada, já posso ver motoristas do lado direito do carro… Já estou em solo inglês!

A chegada em St Pancras é marcada com a mesma cara de “cachorro que caiu do caminhão de mudanças” que faço quando piso em um país diferente. Pode parecer meio bobo para quem lê, mas pra mim, tem um significado importante, sensação de vitória, mais um “território conquistado” sei lá, enfim; íntimo e pessoal!!

Mas calma, ainda não acabou; tenho uma mala grande, um mochilão nas costas, uma mochila normal na frente, 30 minutos e preciso descobrir como faço para chegar na tal “London Euston”.

Aperto o passo, St Pancras é enorme, meu vagão, que em Paris era um dos primeiros, aqui, lógico, um dos últimos. Há na minha frente uma esteira rolante imensa repleta de passageiros (todos do trem) entre velhos, crianças, e a contagem regressiva começou ha 6 minutos, o momento é tenso!

Aprendi a algum tempo, que para ter uma informação precisa, é necessário perguntar para pelo menos 5 pessoas diferentes e só então chegar a uma conclusão. London Euston fica a três quadras daqui. Tenho que sair e fazer tudo a pé, não quero arriscar outra forma, tenho medo de pegar o metro errado (uma das possibilidades, já estourei minha cota de erros por hoje).

Na rua, a mão do trânsito invertido confunde mesmo, atravessar a rua pode se tornar emocionante e perigoso ao mesmo tempo. Estou em Londres e não tenho tempo nem mesmo de olhar a minha volta e curtir, tomar um café, enfim, vai ficar pra outro dia!

Só pra me certificar, peço a última informação sobre London Euston para uma loura de cabelo cacheado e gorro, ela me responde em um sotaque preguiçoso e carregado em bom português do Brasil: “Sei falar inglês não, moço!”! Putz!!… brasileiro, logo de cara!! eu mereço??… deixa pra lá, continuo com passo apertado me arrastando com minha bagagem. Terceira avenida atravessada e já posso ver a estação. Onde está o painel luminoso com os embarques? Plataforma 5…corro!! Ali! é este o trem!!

Enfim, me acomodo no assento, passados 6 minutos, o trem começa a se mover lentamente… próxima parada: Manchester!!

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Paris je t’aime

18/03/2010 por Rodrigo Ximenes


Voltar em um lugar que já se conhece, é diferente de encarar o desconhecido. Meu sentimento por Paris no momento é de expectativa, acho que saudade é o termo mais certo pra definir. É como você estar a poucos minutos da casa daquela pessoa que não vê ha tempos. Acredito que vou ver tudo de uma forma diferente; um certo ar de comparação vai ser inevitável…mas antes disso, há na minha frente uma fila, um obstáculo a ser transposto; a imigração.

Mente quem se diz totalmente tranquilo nesta hora, por mais que você tenha um visto e passaporte válido, todo e qualquer país se reserva ao direito, representado por um oficial de imigração, de impedir a entrada que quem quer que seja sem ter que dar qualquer explicação. Por isso, saibam: todo cuidado é pouco na hora do check-list do que portar neste momento.

É fundamental ter em mãos: passaporte, visto, dinheiro e cartão de crédito (se tiver) e o documento que comprova o motivo de sua viagem (uma carta da confirmação de escola e acomodação, se o motivo for curso, ou reserva de hotel, ou telefone e endereço de contato de algum amigo residente naquele país se for turismo). No meu caso, fui indagado inclusive sobre o meu roteiro, tive todas as respostas na ponta da língua. Que isso não seja um balde de água fria nos amantes do improviso, mas é bom um itinerário esboçado, pode evitar problemas! Ainda tenho alguns bons contatos aqui, o que me valeu uma recepção de carro no aeroporto. Direto “pra casa” para deixar as malas!

Para quem chegou no meio da tarde, consegui um pequeno milagre; rodei por alguns pontos “manjados” começando pela torre (que nunca canso de admirar), pra acompanhar, um crepe de Nutella, (tão banal aqui como a manteiga, por aí). Arco do triunfo/Champs Eliseés, Catedral de Notre Dame, e no fim da noite, um rolê pelo Quartier Latin com direito a um Kebab (um up-grade do nosso tosco churrasco grego, com batata frita e molho), por hoje chega!! Não consegui dormir no avião (invejo quem consegue). A mente até quer ficar mais, mas o corpo não obedece, preciso dormir.

O segundo dia segue com um pouco mais do mesmo, mas com uma diferença, um solzinho tímido com um vento frio de 4 graus monta o clima que mais curto aqui.

Almoço no restaurante fast-food que mais gostava (Quick, o Mc Donals francês, muito mais saboroso e menos gorduroso) com os mesmos 8 € que teria gasto em qualquer concorrente.

Bom, já me conformei que não vai ser hoje que vou ver e fazer tudo que queria, tenho um fim de semana pra gastar aqui na volta da Inglaterra, não preciso lamentar, certo? Até por que, hoje a noite tem fondue “lá em casa”. Vejo a mesa cheia, 12 pratos, várias garrafas de vinho, convidados portugueses no jantar, gente que bebe bem. Putz, amanhã tenho que acordar 7h00, será que isso vai dar certo??

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Nas nuvens

17/03/2010 por Rodrigo Ximenes


Para começar minha serie de posts queria descrever aqui o dia do embarque. Que ninguém duvide; ele é importante e faz parte dessa historia.

Aquele dia em que se a ficha ainda não havia caído, cai de vez! Você não consegue se concentrar em nada, só pensa na hora de partir para o aeroporto.

É um dia meio esquisito também, por que na última noite, não houve sono regular. O “cansaço” se funde com aquela vaga “impressão de que eu estou esquecendo alguma coisa”. É também a hora de se “despedir” da rotina. Sim, por que mesmo que um mês passe rapidinho, pequenas coisas vão fazer falta. Enfim, quando a ficha realmente cai, você se vê no aeroporto, particularmente, prefiro nessa hora estar sozinho; adoro estar cercado de amigos, casa cheia, essas coisas. Mas não hoje; dia de despedida é chato, tem choro, essas coisas, (mesmo nas viagens mais rápidas tem sempre um amigou ou parente que “inventa” de chorar. Péssimo! Só serve pra desestabilizar as emoções). Não. Hoje é dia de felicidade, sensação de dever cumprido, sentir que valeu a pena procurar um curso, topar a idéia de morar um mês na casa de pessoas que nunca vi na vida, em uma cidade que não tem absolutamente nada a ver com a minha, encarar uma queda de mais de 30 graus na temperatura a que estou acostumado, reaprender a pegar ônibus, não compreender nem ler 100% de tudo com que estou acostumado no meu dia-a-dia, encarar longas horas em um avião apertado, para no fim disso tudo se sentir feliz.

Até que o voo foi bem tranquilo, nada de turbulências, já fiz ponte aérea muito mais saculejante, em todas às 10 horas de voo, não tremeu nem meio minuto. Bom, Paris se aproxima, a visão aérea me faz lembrar um joguinho que eu tinha quando era criança daqueles em que você monta uma cidade com pequeninas casinhas de madeira, como cubinhos.

Não da pra não se emocionar… depois de exatos 3 anos e uma semana, volto pra matar saudade de um lugar onde fui muito feliz, mas hoje como turista. O tempo ta bom, nublado, sem chuva, fazem 4 graus lá fora, apertar os cintos, preparar para a aterrissagem, “a brincadeira vai começar”.

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