
Começando a parte turística da minha viagem, tive que deixar a Volunteers House e me mudar para um albergue. Como não tinha nada reservado, resolvi ficar na Long Street, uma rua cheia de bares e muito central, e procurar algum lugar com vaga por conta própria. Acabei ficando no Blue Montain, um albergue bem localizado, limpo e não muito caro, perto de bares, internet e pontos de ônibus. Os únicos problemas são o barulho à noite (por causa dos bares próximo) e o quarto sem ventilação em uma cidade onde a temperatura pode ultrapassar os 40º nesta época do ano.
No primeiro dia, visitei com o Rafa, meu namorado, a praia de Muizemberg, onde já tinha ido algumas vezes. Por estar no Pacífico, Muizemberg tem a água menos fria que Camps Bay (a mais rica e famosa) e tem a peculiaridade de ser freqüentada por muitos mulçumanos, o que causa certo estranhamento para brasileiros acostumados com pouca roupa.
Uma estação de trem à frente de Muizemberg, encontramos St. James, um lugar com muitas lojas e uma vila muito bonitinha e charmosa, que lembra as cidades européias pela arquitetura. Como o dia não estava muito para praia, resolvemos dar uma volta pela vila e chegamos ao porto. Ali, é comum terem focas bem perto de você. Mas cuidado: elas podem tentar atacar os turistas que se aproximam para fotos. Sorte minha que elas são lentas em terra.
No dia seguinte, fizemos novamente o tour pelo Cabo da Boa Esperança, mas desta vez usando o Baz Bus. O passeio foi basicamente o mesmo, mas com algumas diferenças que o tornaram bem melhor: Uma pedalada pelo cabo e a descida à pé do mirante até o marco do Cape Point, com uma paisagem maravilhosa acompanhando todo o caminho.
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É estranho a gente esperar tanto tempo por uma coisa e ela acabar tão rápido. Sexta feira, último dia de 2010, foi também o meu último dia de trabalho no hospital. Fiquei um pouco triste com isto, pois já estava habituada com as crianças e as enfermeiras, e acho que elas também estava habituadas comigo, pois eu era a única voluntária que ficava o dia inteiro e a que estava lá há mais tempo.
Por outro lado, talvez já seja normal para eles ter gente chegando e saindo o tempo inteiro. Muitos ali nem vão se lembrar de mim daqui há algum tempo, principalmente as crianças menores, mas para mim, esta experiência vai deixar saudade para o resto da vida.
À noite, fui com meu namorado (que chegou na quinta para a parte turística da nossa viagem) e duas brasileiras que conheci aqui para uma festa de reveillon no Waterfront. Lá encontramos vários brasileiros que estão morando aqui por um tempo, e também conhecemos vários sul africanos. Só dias depois descobri que a festa era da rádio mais popular da África do Sul e todos os artistas mais famosos daqui estavam lá. E eu não conhecia nenhum, mais foi uma das melhores viradas de ano da minha vida, mesmo assim.
Feliz 2011!
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No dia 24, o hospital finalmente entrou em clima de natal. As crianças cantaram musiquinhas natalinas a manhã inteira e receberam doces e presentes. Antes do almoço, levamos-as para o jardim e enfeitamos biscoitos em forma de boneco de neve. Neste dia, trabalhei apenas na parte da manhã, porque o coordenador da ONG ofereceu um braai (churrasco) natalício para os voluntários.
Vocês podem achar estranho ter um churrasco no natal, mas aqui na África do Sul, o braai é quase uma religião. Tudo que merece ser comemorado é comemorado com um braai. A carne é muito gostosa, mas continuo acreditando que nada se compara ao nosso churrasco brasileiro!
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Uma das coisas que eu mais estranhei ao trabalhar no hospital foi a ausência de pais ali. Poucas foram as crianças visitadas nos dias em que estive lá. Com o tempo, a gente acaba descobrindo um pouco da história de como elas fora parar ali. Muitas têm vidas complicadas, com casos de uso de drogas e alcoolismo na família e pais que não podem garantir os cuidados básicos para que a saúde das crianças continue melhorando, como doses diárias de remédios.
Muitas têm problemas sem cura, como o HIV e deficiências físicas e mentais. Muitas têm problemas que vão marcar para sempre, como abuso familiar. No entanto, elas ainda não sabem disso. E brincam, correm, brigam, choram, e fazem a maior bagunça como qualquer criança. Hoje, uma delas aprendeu uma mais duas palavras em inglês (quando eu cheguei lá, ela só falava xhosa e no máximo um “bye bye”). Agora, tenho que adivinhar quais dos brinquedos, berços, crianças, comidas, enfim… todas as coisas possíveis, é o “this one” que ela tenta me falar.
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Duas brasileiras chegaram para me fazer companhia na casa. Ainda que elas tenham ficado por poucos dias (foram transferidas para um lugar mais próximos do projeto delas), tivemos a oportunidade de fazermos juntas um tour pelos principais pontos turísticos do Cabo da Boa Esperança.
A viagem começou com Fredo, o guia, tocando a campainha às 7h30. Seguimos de carro até uma estrada próxima à Lion Head, de onde podíamos ter uma vista incrível da cidade. O dia estava lindo e azul, mas um vento terrível como eu nunca tinha visto antes insistia em jogar nossos cabelos em nossos rostos em todas as fotos. Depois, seguimos para uma rápida visita à Camps Bay (a praia do Beach Day) e a um mirante muito simpático.
E quando eu digo que o vento estava forte, não é exagero. Cape Town é um lugar onde venta muito sempre, a ponto de fazer você usar blusas de frio em uma tarde de dezembro, ainda que esteja um sol lindo no céu. Mas aquilo era algo totalmente diferente. Fredo nos contou que, em um dia assim, um garoto passou da grade de proteção do mirante para tirar e fotos e foi empurrado pelo vento desfiladeiro abaixo. (E realmente existe uma placa alertando este risco no local).
Mais tarde, seguimos para o Cabo da Boa Esperança e para a Table Montain por uma estrada repleta de macacos (Baboos!), fazendas de criação de llamas e avestruzes – onde pudemos testemunhar, da primeira fila, o ritual de acasalamento destes enormes pássaros. Mas honestamente, a parte mais empolgante desta viagem foram os pinguins, que ficam em uma reserva especial dentro do Table Mountain National Park. É tão engraçado vê-los andando! Tenho uma coleção de pinguins (pelúcias, copos, telefones e tudo mais que existir) em casa, mas nunca tinha visto um de perto. Foi sem dúvida, um sonho realizado! =)
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Na segunda, o trabalho voluntário no hospital infantil Sarah Fox finalmente começou. No primeiro dia, tive que escolher se preferia ficar com os mais velhos ou com os mais novinhos, com menos de um ano. Escolhi os crescidinhos, pois assim poderia inventar jogos e atividades legais. Minha função é basicamente brincar e fazer companhia para as crianças, que costumam se sentir muito sozinhas naquele ambiente. Muitas delas nem estão mais doentes, mas por motivos que não são ditos ali, não podem ou não têm para onde voltar.
E você percebe como elas precisam de alguém por perto, cinco minutos depois de se apresentar, eles te beijam e te chamam de “teacher”, e, no segundo dia de trabalho, te recebem com um grande sorriso. E, mesmo sem falar a mesma língua (a maior parte delas falam apenas linguas africanas e entendem muito pouco o inglês), o voluntariado passa a fazer todo o sentido.
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O tempo por aqui possui uma medida diferente. Quando penso que só estou longe de casa há 5 dias, mal consigo acreditar. Uma amiga me disse que eu falo como se estivesse fora do Brasil há meses, mas é mais ou menos assim que eu me sinto. Hoje, por exemplo, tomei um susto quando entrei na internet e descobri que o campeonato brasileiro tinha acabado e o Fluminense era campeão. Eu havia me desligado totalmente de que já estávamos na última rodada (e que eu assisti à penúltima rodada em casa).
No final de semana, tivemos o Beach Day, um evento mensal que reúne as escolas de inglês para estrangeiros e as ONGs de voluntariado. Nos dividimos em equipes e fizemos um campeonato de vôlei e futebol. Vocês imaginam a minha vergonha quando todos na equipe esperavam que a brasileira fosse ótima de bola. E, bom… na verdade, esportes não são realmente o meu forte, então eu me limitei a tirar fotos. As suiças eram muito melhores que eu. Nós perdemos os dois jogos, mas pelo menos tivemos uma festa depois em um bar que tinha vista para praia. Um lugar simplesmente perfeito.
Mais tarde, Tobby, um dos gerentes da ONG, me perguntou se eu não era boa no futebol. Eu disse não. Capoeira? Não. Samba? Não. E também não gosto de carnaval. Ele riu e disse: “Que tipo de brasileira você é?”.
Pelo menos eu sei fazer caipirinhas.
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Quando enviei minha inscrição para o projeto, achei que iria ser colocada em uma casa de família. Muitos intercambistas dizem que essa é a melhor forma de conhecer o costume local, e talvez eles tenham razão. Mas não posso dizer que estou descontente com o lugar onde eu moro.
A “casa dos voluntários” se parece com uma residência estudantil. Na verdade, é uma casa grande, com jardim, quintal e muitos quartos, onde vivem os estrangeiros que vêm para Cape Town trabalhar em algum projeto de voluntariado. No momento, somos 6 meninas de diferentes nacionalidades: Brasil, Suíça, Suécia, Alemanha e Espanha. Também vivem com a gente duas meninas Sul Africanas que fazem estágio em Cape Town, e a família do moço que cuida da casa. Ele tem uma filha de 6 anos, chamada Loveness.
Tudo que eu consigo pensar quando falo com ela é como deve ser legal crescer em um lugar como este, cheio de pessoas de culturas e lugares diferentes.
Porque, até mesmo para mim, isso tem um sido um aprendizado inesquecível.
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Assim que pisei no aeroporto de Johannesburg, a primeira coisa que me pensei foi que um oceano inteiro me separava de todas as pessoas que eu conheco. Mas é claro que pensei isso enquanto corria pelos corredores e tentava adivinhar em qual carrossel minha mala estaria.
Perguntei para 3 pessoas e todas me indicaram o caminho errado. Eu já estava aponto de chorar meus pertences perdidos, quando resolvi perguntar mais uma vez para um grupo de trabalhadores do aeroporto. E eis que passa uma mulher carregando um carrinho com malas esquecidas. Adivinha qual mochila era a primeira?
Agarrei o que era meu e saí correndo, porque eu acabava de descobrir que meu voo havia sido adiantado em meia hora. Resultado: perdi a conexão. Mas tudo bem, a gente pega a outra. Sem problemas.
Moral da história: É até melhor assim. Vale a pena um pouquinho de adrenalina para poder rir depois. Como quando eu finalmente cheguei na casa onde vou morar e descobri que meu shampoo tinha explodido na minha mala.
Em tempo: Ainda não vi muita coisa da África ou de Cape Town, mas posso garantir: é linda, quente e o pessoal é muito simpático! Volto em breve com informações mais concretas.
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Dia primeiro de dezembro, cinco meses depois da copa, eu embarco para uma jornada de quase dois meses na África do Sul. Meu primeiro destino é a Cidade do Cabo – considerada uma das mais belas do mundo –, onde vou participar de um projeto de voluntariado em um hospital infantil. Na segunda parte da viagem, pretendo colocar a mochila nas costas e viajar pelo país que mais cresceu em potêncial turístico nos últimos anos.
A oportunidade surgiu em boa hora. Com a minha vida de estudante chegando ao fim, diminuíam também as possibilidades, e fazer intercâmbio é um sonho de longa data.
Ao procurar um curso de inglês de quatro semanas, descobri o voluntariado e, me encantei pela possiblidade de participar de um projeto tão leal e ainda aprender uma nova cultura e praticar inglês. No mesmo momento, já havia tomado minha decisão.
Foram três meses de preparação: escolha do destino (cheguei a cogitar a Índia), do projeto, a confirmação da ONG, compra de passagens e todas as pequenas burocracias que envolvem uma viagem internacional. Agora que a data de partida está próxima, de vez em quando bate um medinho e, ao mesmo tempo, aquela excitação imensa que dá quando você está prestes a fazer uma coisa que sempre quis.
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