Caminhos

8/06/2007 por Fábio “Lino” Baroni


Este é meu último post. Então resolvi fazer alguns agradecimentos.

Queria agradecer a CI que me deu a oportunidade de escrever esse blog, acabou sendo um incentivo para correr atrás de conteúdo e nunca ficar de bobeira. Valeu Noce e Ana.

Agradecer a Visa Travel Money, que patrocina o blog e que me possibilita receber o dinheiro dos meus freelas aqui. Não é jabá, realmente é bem bacana e ajuda mesmo o cartão, recomendo.

Não poderia deixar de agradecer minha família que sempre está comigo, mesmo de longe eu sinto a presença deles aqui. Meus pais, meus irmãos, tios, tias, primos e primas. Família é a base de tudo. Salvem os Baronis. Salvem os Vicentes.

Agradeço meu irmão aqui em Barcelona, o Rafa foi o cara que mais ajudou desde o começo. Através dele fiz grandes amigos, Camila, Marisol, Marquinho e Sebá, e descolei um freela. A vila mandioquinha está muito bem representada.

Também agradeço a Laika, que mesmo de longe botou fé no meu trabalho e provou que o macaquinho não precisa ficar dentro da jaula para fazer o trabalho dele. Viva o freelacer.

E do fundo do coração agradeço a todos amigos que me ajudam o todo tempo, seja trocando uma idéia ou fazendo um pensamento positivo para que as coisas dêem certo. Sem amigos a gente não é nada.

Valeu a força de todos e fiquem tranquilos porque o blog acabou, mas as aventuras do titio na Europa estão apenas começando.
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Caminho de Tibidabo

7/06/2007 por Fábio “Lino” Baroni


Aproveitando a onda de passeios públicos, hoje fui ao parque Tibidabo.
É um lugar bem mais tranquilo, sem tantos turistas como os pontos mais tradicionais. Tem um parque de diversão cheio de crianças, uma igreja com alguns senhores e uma vista fantástica.

Desde o começo o passeio já vale a pena. Você vai subindo e passando pelos bairros nobres de Barcelona. Muitas casas com estilo de castelinho e muito sossego. Tirei fotos de várias casas. A arquitetura clássica é de encher os olhos. Chegando mais perto tive que pegar um bondinho todo colorido, e cheio de estilo, para chegar ao topo.

Lá do alto pude ver toda a cidade. Mais fotos, afinal eu sou um turista. Fiz um tempinho, curti um pouco e resolvi voltar andando. Uma caminhada de 6 km. As pessoas que eu encontrava no começo do caminho tentavam me avisar que era longe, mas eu estava afim de fazer essa caminhada. Nada iria me deter! hehe

Foi bem tranquilo, em menos de 2 horas já estava de volta a cidade. Ainda dei sorte e acabei pegando um caminho que saiu do lado de casa. Comprei algumas coisas para casa e fui dar um trampinho de leve no biblioteca.

Como pode se perceber, já estou totalmente em casa aqui em Barcelona.
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Novo escritório

6/06/2007 por Fábio “Lino” Baroni


Tem uma frase que eu acho genial. “Se trabalho fosse bom ninguém precisava te pagar para fazê-lo.” Nunca escondi que não gosto de trabalhar. Mas faço o possível para pagar minhas contas. Somente o necessário.

Ultimamente estava trabalhando no meu quarto. Não é o ambiente ideal para se passar o dia todo trancado trabalhando. Então acabei achando um lugar bem melhor para realizar o arduo ofício de design. A Biblioteca Jaume Fuster. Fica do outro lado da rua de casa, é só atravessar e pronto. Muito mais agrável, cheio de jovens estudiosos, dá gosto de ver.

Engraçado que você sai de casa com seu notebook todo encanado, mas é tão normal para eles. Eu penso, quando no Brasil que eu poderia sair com um computador na rua sem ter que ficar escondendo-o?

É sensacional essa tranquilade de espaços públicos na Europa. Estou aproveitando muito meu novo escritório, mas podem ficar tranquilos que não é essa comodidade que vai me fazer gostar de trabalho.
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Pare e pense

5/06/2007 por Fábio “Lino” Baroni


Hoje foi dia de descansar. Depois de tanta balada e curtição o corpo tava precisando de sossego. Nada melhor que aproveitar o fim tarde em um parque como o Putget. Fica do lado de casa e tem uma bela vista, se pode ver toda Barcelona.

Fiquei pensando em tudo que já passei durante este mês e meio que estou aqui e no que eu posso curtir nesses próximos meses de Europa. Fiz umas contas para saber se viajo ou se vou em algum outro show. Pensei nas posibilidades que eu tenho aqui e nas que eu teria no Brasil ou em outro pais. Posso dizer que passei o dia fechado para balanço.

Quando estamos dispostos a conhecer o mundo precisamos nos preparar para sermos totalmente independetes de tudo e todos. Lógico que muitos serão aqueles que vão nos ajudar e sem ajuda não conseguimos nada. Mas precisamos acima de tudo ter ajuda de nós mesmos. Precisamos ter força de vontade e acreditar que podemos.

Não podemos deixar a bola cair e nem abaixar a cabeça. Não deixe ninguém te menosprezar ou tratar mal. Você pode ter que lavar prato, limpar banheiro ou ter a oportunidade de trabalhar na sua área, não importa o que você vai ter que fazer para se sustentar, faça o que fizer, mas faça de cabeça erguida.

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Primavera Sound – Parte 3

4/06/2007 por Fábio “Lino” Baroni


A maratona está chegando ao fim. Sabadão de sol. Saí cedo de casa para não perder nada. Cheguei no recinto às 20h00, com o dia claro tudo ficava mais bonito. Realmente o Forum é um lugar bem bacana, embora quase não tenha área verde, poucas árvores apenas para um espaço tão grande.

O dia termina com o som do Architecture in Helsinki. Tropicalismo total. Um show todo colorido, onde os integrantes mudam de instrumentos a cada música, todos tocam de tudo. Com direito a batuque final no melhor estilo Novos Baianos.

Depois de ver o mundo colorido foi hora de lembrar da realidade negra com a eterna musa do punk, Patti Smith. Muita cusparada e frases contra o sistema são a marca desta senhora americana de 61 anos. Cantou seus grandes sucesos como Gloria e também fez uma versão de Smells like teen spirit. Tem que respeitar e muito.

Faltava uma hora para o show do Sonic Youth, resolvi dar uma passeada pelos shows do The good, the bad and the queen e do Isis. Tomar umas cervas. Ganhar um tempo até que as 23h40 chega a hora. O Sonic está fazendo um relançamento de um disco de 88 que se chama Daydream Nation, ele é considerado um marco e figura em algumas das listas mais quentes sobre os melhores discos de todos os tempos. Realmente é fantástico. O show foi sem os hits mas com distorção em dobro. Eu consegui contar 25 guitarras dispotas no palco, a cada música era uma troca de guitarra e uma distorção nova. O show foi uma experiência sonora única. E além de tudo isso Kim Gordon continua sendo a mulher maravilha.

Saindo do estado de hipnose lembrei que o Buzzcocks estava tocando. As minhas pernas davam os primeiros sinais de cansaço. Acabei descansando um pouco, mas não teve como, o show estava muito bom e muito animado para ficar sentado. Na hora que tocou What do I get eu tive que reunir as forças e cair na balada.

Agora o show do Wilco já não fazia mais sentido, 10 minutos foram muito. Já que é para terminar vamos terminar com tudo. David Carretta estava fazendo ao vivo seu set de electro-techno, cheio de hits que você já dançou em alguma boa balada. O cara é uma figura, tem a cara de louco típica dos italianos.

Às 5h começou ao mesmo tempo para os sobreviventes o set de electro Dj Hell e o techno de Erol Alkan. Fiquei pingando entre os 2 shows até que não teve mais como aguantar. O sol já estava de volta e eu precisava  dormir. Foram dias sensacionais e eu curti cada minuto. Agora é descansar porque o Sonar começa daqui 10 dias.

http://www.youtube.com/v/e8AgPQfjyd0

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Primavera Sound – Parte 2

3/06/2007 por Fábio “Lino” Baroni


Uma noite sem grandes nomes. Assim foi a segunda noite do festival.
Na verdade o show que eu mais queria ver era o The Fall, que acabei perdendo pois fiquei trabalhando até tarde. Só cheguei as 23h00 e fui muito bem recebido pelo Chromeo. Uma dupla que faria até o Michael Jackson dançar. Um som com levada funk oldschool que faz lembrar os princípios do rap. Mais uma indicação da minha amiga Raquel. Finalmente eu a encontrei. Gente finísima, vive em Barcelona há uns 5 anos e escreve para 2 sites sobre eventos e shows.

Ficamos dando uma volta depois e passando por vários shows. A gente mudava de show como se muda de rádio. 20 minutos de Maximo Park, depois mais 20 minutos de Modest Mouse. Um pouco de Los Planetas, mais 15 minutos de Low, 20 minutos de Built to Spill. Sempre passando pelo palco onde estava o Dj Yoda que tocava um verdadeiro bem bolado, fazendo várias montagens usando recortes de grandes hits que duravam no máximo 1 minuto.

Terminado o tour fomos encontrar uns amigos da Raquel para ver a única atração brasileira do Festival. Bonde do Role. A legítima bagacera carioca só que feita por um trio paranaense. Fiquei orgulhoso de ver aquelas figuras quebrando tudo. Pankadão com muita baixaria para gringo ficar com cara de bolado, sem entender nada.

Depois de matar a saudades do som tosco da nossa terrinha fui ver Girls Against Boys. Esse foi o único show que eu vi inteiro nessa noite e realmente valeu a pena. Fazendo um rock pesado com 2 baixos, este grupo americano que começou em 88, mostrou que com a simplicidade do punk é póssivel fazer grandes músicas.

Na sequência eu vi quase todo o show do Hot Chip. Eles tem um hit ótimo, daqueles que grudam e que valeu o show, Over and Over. Música eletrônica bem dançante mas depois de uma hora confesso que cansou.

Agora era a reta final da noite. Kid Koala fez parecer coisa de criança tocar as pick ups. Muita influência de jazz e hip-hop. Eu tenho um amigo dj que quando foi no show dele não conseguia fechar a boca. Realmente é de babar a agilidade e dominio que ele tem.

Para fechar a noite mais um pouco de pankadão, agora com Diplo. Confesso que não lembro direito desta última parte da noite. Já tinha muita informação e vodka com energético na minha cabeça. Mas cheguei em casa inteiro e pronto para outra.
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Primavera Sound – Parte 1

2/06/2007 por Fábio “Lino” Baroni


Primeiro dia de festival, finalmente chegou a hora.
Era meu primeiro dia no apartamento novo e fui convidado para comer a paella da Dona Dolores, dona do apê, perfeito para carregar as baterias. Saí de casa umas 21h e fui de metro até o Forum, local do evento. Como é uma região que eu não conheço direito fui seguindo os jovens na saída do metro.

Me deparei com um espaço enorme, cenário perfeito, com o mar ao fundo, muita gente, luzes piscando e então me perguntei: Para onde eu vou agora? Liguei para uma amiga que me recomendou o show do Slint. Mesmo sem conhecer fui dar uma olhada. Não poderia ter começado melhor. Várias músicas instrumentais e um vocal que pouco aparecia, mas quando resolvia dar o ar da graça vinha completar o clima quase sombrio do show. Acabei ficando até o fim do show meio que hipnotizado. Só quando acabou que eu percebi que já estava na hora de procurar o palco principal para ver o Smashing Pumpkins.
Bom, acho que tudo que eu falar ainda seria pouco para decrever o show de Billy Corgan e sua trupe, nova trupe diga-se de passagem. Eu já esperava pelo peso das guitarras, pela voz marcante e inconfundível e por todos os hits, mas o que eu não esperava e me surpeendeu foi a alegria dos integrantes da banda, acho que pela imagem que eles passam em seus clipes sempre sinistros e teatrais. Quem poderia dizer que Corgan teria ataque de riso no meio de uma música? Mas assim foi o tempo todo, rindo e conversando entre si, os novos integrantes do The Smashing Pumpkins fizeram a noite pegar fogo.
Tirei minha air guitar do armário ao som de Cherub Rock. Tonight Tonight, fez todos cantarem juntos. Cortei os pulsos com Disarm. Perfeito do começo ao fim.
Billy ainda ficou uns 5 minutos sozinho no palco depois do show agradecendo quase que um a um que estava presente.

Depois disso eu poderia pegar o avião de volta para casa, mas como já estava ali resolvi dar uma passadinha no show do White Stripes. Jack White e Meg White são o melhor exemplo de irmãos que se completam, se é que realmente são irmãos. Jack é um ser de outro do mundo, um verdadeiro bluesman. Tocou guitarra, violão, piano, orgão, segurou o prato quando Meg bateu com mais força do que devia, e usou 5 microfones que estavam espalhados pelo palco. Um junto ao piano, um no meio do palco, 2 especiais que ficavam juntos para quando ele tinha que fazer primeira e segunda voz, e mais um do lado da bateria de Meg, que por sua vez atura todas as excentricidades do irmão sem perder a pose e o tempo de suas batidas secas. Tocaram seus hits com muita vontade e peso. I just don´t know what to do whit myself continua sendo a minha preferida (veja a versão original). Seven Nation Army é o grande hit que fecha o show. Se você não olhasse para o palco poderia dizer que tinha umas 4 pessoas tocando, mas eram só os 2 irmão White fazendo o bom e velho rock and roll.

Antes de ir embora mais uma surpresa sensacional, Justice. Fazendo um set incrível de tecnho, tudo no melhor estilo live. Os 2 figuras quase sumiam atrás de tanta parafernalha. Duo frânces que já está no meu favoritos depois deste show.
Fui para casa feliz da vida cantando a pop e grudenta: we are your friend, you´ll never be alone again
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Cafofo novo

31/05/2007 por Fábio “Lino” Baroni


Depois de morar um mês na parte velha da cidade com um casal de mexicanos estou de mudança. Agora tenho meu próprio cafofo, na parte nova da cidade e bem localizado, a 2 quadras do metro. Ele é bem simples e pequeno mas estou feliz mesmo assim. Vou morar sozinho pela primeira vez na minha vida.

Quando você está na gringa não tem muito o que fazer a não ser se adequar ao cenário. Lógico que eu prefiro morar com outras pessoas e compartir mas como eu só tenho mais um mês aqui na Espanha foi a melhor solução.

Eu que sempre fui de morar por anos e anos nas mesmas casas agora estou passando meses em apartamentos, carregando o mochilão para cima e para baixo.

Espero que meu cafofo traga sorte a viagem e eu tenha boas lembranças dele quando for embora.
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Sagrada Família

29/05/2007 por Fábio “Lino” Baroni


Hoje eu dei uma paradinha no meu trabalho para aproveitar o lindo dia de sol. Como não tenho horário definido e fico dependendo da demanda do cliente, mandei alguns e-mails de manhã e sai de casa lá pelas 2h00 da tarde. Fui fazer um tour e tirar fotos de alguns prédios do Gaudí que eu havia comentado no blog.

Fui até a Sagrada Familia e passei pela La Pedrera e pela Casa Batló. É muito fácil reconhecer os prédios do Gaudí. Eles tem uma arquitetura singular, com um traço inconfundível. Linhas tortas e detalhes retorcidos fazem do trabalho de Gaudí o grande orgullo da Catalunya. Outro detalhe que facilita você encontrar esses prédios é a grande concentração de turistas que se junta para tirar fotos.

Infelizmente vários pontos turísticos de Barcelona estão em reforma, e a Sagrada Familia é um deles. Então fiquem tranquilos quando virem no vídeo tremido que fiz grandes guindastes amarelos, eles não fazem parte da obra de Gaudí.

Gaudí morreu atropelado por um bonde. Dizem que ele estava admirando sua obra-prima, a Sagrada Familía, quando foi atingido pelo antigo bondinho que passava por ali. Como eu não sou besta, fiquei na calçada tirando foto e sempre atento, vai que o raio cai duas vezes no mesmo lugar.

http://www.youtube.com/v/Jp3HNFbs9-g

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Aperitivo

28/05/2007 por Fábio “Lino” Baroni


O tempo vai passando e eu vou ficando cada vez mais um cidadão da Catalunya. Esse final de semana eu fiz um novo corte de cabelo. O corte continua o mesmo, a única diferença é que desta vez fui eu mesmo que cortei. Usando a máquina fotográfica eu ia vendo onde tava torto e onde precisava cortar mais. Lógico que ficou pésimo, mas como está na moda aqui o corte tosco acabei entrando na onda.

Estou fazendo alguns trabalhos como freelance o que acabou me ocupando e bastante, este final de semana. Só saí de casa mesmo no sábado a noite para ver o The Futureheads. Eu já conheci o som deles, minha amiga Lili gravou para mim já faz um tempinho. Eles tocam um punk rock com uma pegada bem pop na real, muita guitarra e vocais com OH OH OH, EH EH EH. Sonzinho muito bem feito.

Foi bem bacana e serviu como aperitivo para o festival desta semana.
Na verdade eu estou com tamanha vontade de ir no festival e ver Smashing Pumpinks, White Stripes e Sonic Youth que foi até injustiça o show de sábado. Mas não posso falar mal não. Eu estava precisando ouvir umas guitarras. O show foi no razzmatazz e mais uma vez lá estava eu batendo cartão.
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