Back to the ground

27/07/2010 por Raphael Laurindo Bonini


Depois de mais de uma semana só curtindo eu tive que começar a trabalhar, pelo o que eu ouvia de todo mundo era que o trabalho era super de boa, chegava até ser chato por não ter muito o que fazer… o deles é assim, o meu não!

No meu primeiro dia de trabalho eu conheci os “Rangers” Ben e Karry, além de conhecer o Parc Penallta. O País de Gales era altamente industrializado e muita coisa aqui era baseada na mineração de carvão e a paisagem era totalmente diferente do que é hoje, o parque no qual trabalho era um grande depósito de carvão que foi recuperado. Algumas tarefas aqui no parque são diárias como catar o lixo pelo parque (eles não colocam lixeiras porque acreditam que as pessoas que jogam lixo no chão continuariam jogando mesmo se tivesse lixeiras, eles querem que as pessoas tenham consciência e levem o lixo para casa) e tomar chá com leite, fui praticamente obrigado a experimentar e até que gostei.

No segundo dia eu ralei de verdade. Nós fomos para uma parte mais afastada do escritório, onde tem um monumento de um gigante “Sleeping Giant”. O lugar estava meio abandonado e demos uma geral, o Ben cortou a grama e eu os arbustos, depois na hora de limpar e fazer os montinhos de grama cortada eu matei um sapinho, foi sem querer!

No período da tarde fomos fazer controle de ragwort, uma planta venenosa que demora dois anos para florecer, e é prejudicial ao fígado, como aqui a grama não cresce no inverno a ragwort tem que ser retirada dos campos no verão para a produção e feno. A tarefa foi bastante cansativa porque nós andamos muito arrancando todo indivíduo que via-mos, e o pior, embaixo de chuva. Cheguei em casa cansado e pela primeira vez aqui dormi antes das 22h.

A quarta-feira foi o dia mais complicado, eu pensei em desistir! Nós passamos o dia todo em uma lagoa cortando mato, agachado, com uma foice na mão… Eu nunca tinha usado uma foice na minha vida, foi muito complicado, minha coluna estava doendo, era difícil de andar com aquela roupa de borracha, e o tempo não ajudava, chovia 5 minutos depois fazia sol. Foi tão difícil passar o dia inteiro dentro da água que eu cheguei em casa tremendo e tive febre a noite inteira.

No dia seguinte eu fui a viagem toda rezando para que o trabalho fosse mais de boa, eu estava muito cansado, todo dia eu chegava cansado e não tinha ânimo para mais nada, só queria minha cama, fiquei imaginando que não seria possível aproveitar minha viagem assim.

Quinta feira eu fui cortar Balsam com o Karry, e eu acho legal trabalhar com ele porque ele conversa bastante e gosta muito de me contar a história do País, sem contar que nesse dia eu ainda estava tonto por causa da noite mal dormida e da febre, daí ele falou para eu ir mais de boa e trabalhar no meu rítmo. Sexta-Feira começou pesado, mas fui para casa as 15h, para compensar a semana. Durante a manhã cortamos uma árvore e de tarde fomos em um outro parque ver se estava tudo em ordem e aproveitamos para comer umas amoras do pé… dilíça!

A semana foi cansativa, mas foi bom receber meu primeiro salário aqui. Aproveitei a grana e comecei a torrar viajando para Bath no sábado. A cidade é muito legal, pena que não deu para estar no spa porque a fila estava dando voltas e não queria perder o dia todo lá.

Mas em compensação subimos os 16 milhões de degraus da Bath Abbey!

No domingo eu fui para Caerphilly e de noite fui para um showzinho cover do Red Hot!

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The Dragon’s Land

13/07/2010 por Raphael Laurindo Bonini


Sexta-feira.

Saímos para procurar um Pub no qual pudéssemos dançar e ficar de olho nas presas, saímos sem rumo procurando alguma muvuca, vimos uma e fomos até a porta, quando eu vi umas penas rosas, sofás com textura de zebrinha comecei a pensar “Oh no!” É isso mesmo, era um bar gay. Vazamos! Depois de virar algumas esquinas chegamos em um Pub bem grande chamado Varsity, comecei por uma Stella Artois, a cerveja que eu mais gostei até agora. O legal nesse pub é que cada cerveja tem o seu respectivo copo. Pegamos nossas cervejas e ficamos esperando a galera agitar na pista. A primeira coisa que eu notei é que aqui as pessoas não ligam para como você está vestido, o que é muito bom, você se veste como você quiser não importa quão ridículo seja. A segunda é que a galera aqui meio que não sabe dançar, o importante é balançar o esqueleto não tem muita técnica. As garotas no pub dançam em rodinha meio fechada e não dão muita bola mas a experiência foi válida.

Sábado

No sábado me juntei à galera do IAESTE e fomos para Cardiff Bay porque estava rolando o Cardiff Festival.

Nesse festival tinha umas tendas de comida e bebida e um palquinho onde as bandas se apresentavam. Sentamos ficamos observando a galera, depois fomos comprar umas cervejas, estou ficando profissional nisso o Gasper está me passando umas dicas legais, então minhas conclusões até agora foram… Carling e Carlsberg são as piores (não que sejam ruins) e as mais baratas, diria que são uma espécie de Bavaria. Stella Artois, e Budweiser são boas! Voltamos com nossas latinhas e a galera estava muito animada dançando bastante. Gasper falou que deveriamos nos juntar a eles e lá fomos nós dois… começamos a dançar e quando me dou conta está a galera toda, inclusive a menina da Alemanha! Fiquei de cara que ela estava toda rebolandinha! iuahdsiuahdiuashduia! Como eu falei a galera aqui não dança muito bem então eu mandei meu Forró Skills e eu diria que rendeu bons frutos. Depois entrou uma bandinha de SKA, eu pulei tanto que perdi todas as moedas que estavam em meu bolso e nem me dei conta. Estava dançando e vi muitas moedas no chão, daí o Gasper falou “Eita! Achei dois centavos sou muito sortudo!” Só no caminho de casa fui perceber que todas aquelas moedas eram minhas! Choram as rosas… Valeu a pena até porque foi o melhor dia até agora. Na volta para casa paramos para tirar mais fotos.

Domingo

Um prato tipicamente britânico é o Fish and Chips, portanto eu fui para o Pub Gassy Jacks comer um desses e assistir à corrida.
Depois de apreciar meu primeiro Fish and Chips fui me encontrar com a Galera do IAESTE para irmos novamente para Cardiff Bay. Me encontrei com eles e conheci Dmitry, recém chegado da Ucrânia, o mameluco estava usando um shortinho de Muay-thai (com foguinho e tudo), um sapatinho de couro marrom e meias sociais pretas. Uma belezura! Mas como eu já disse ninguém liga para como você está vestido, viva a diversidade cultural!

Fomos para o Festival, as músicas não estavam tão animadas quanto na noite anterior mas o clima estava super agradável e a gente ficou batendo papo e biritando.

E fomos ao Varsity Pub para assistir ao jogo final da Copa. O pub estava lotado, umas 15 televisões ligadas sem contar com os 2 telões. A maioria estava torcendo para a Espanha, eu não. Pedi uma Foster’s (que na minha opinião superou a Stella) e fui procurar um lugar para sentar. Na minha frente tinha um maluco que quando a Espanha errava um lance o cara faltava quebrar a cadeira não sei contar quantos socos ela levou mas consigo estimar que de cada 5 palavras que ele falava 3 eram palavrão. Como estou convivendo com estrangeiros ninguém fala palavrão, muito raro.

Segunda-Feira

Como só começo a trabalhar na outra segunda fui passear pela cidade, antes de sair do alojamento ví uma menina meio que perdida, quando ela me viu começou a andar na minha direção e me perguntou como era o alojamento, mas isso é apenas um detalhe porque a menina era fanha! Se é difícil conversar com um fanho em português imaginem em inglês! Mas de boa, consegui ajudá-la…

Hoje era dia de colação de grau na Universidade, ví muito alunos de beca nas ruas. O legal é que aqui isso é importante, a colação é manchete nos jornais e foi transmitida ao vivo em um telão no centro da cidade, ou seja, Universidade Cabulosa!

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Primeiro Dia

7/07/2010 por Raphael Laurindo Bonini


A viagem foi bem cansativa mas tranquila. Cheguei ao aeroporto de Lisboa e um mameluco gritou: Passaportes do Brasil por aqui! Entrei no lugar e tinha uma fila imensa! Fiquei uns vinte minutos na fila e ela não andou quase nada, na hora eu vi que não ia dar tempo de fazer a conexão e perguntei onde era a conexão para Londres, o “Manuel” falou para eu subir uma escada e andar em frente.

Muleque! Muleque! Que corredor infinito era aquele? E o pior sem uma alma. Apertei o passo e nada do corredor acabar. Depois de alguns minutos consegui chegar ao fim e encontrar meu portão. Parei na lanchonete, comprei uma água e um guaraná antártica.

Enquanto esperava o embarque puxei papo com uma brasileira, ela me disse que era professora de inglês e estava viajando para Londres com sete alunos. Massa!

Ah sim, no pouso em Lisboa do avião eu pude ver alguns dos monumentos que vemos nas fotos, inclusive aquele dos navegantes… tá ligado? Tipo Vasco da Gama!

E falando em Vasco da Gama uma coisa que me chamou a atenção foi a grande quantidade de campos de futebol que tem aqui. E também os Aviões da TAP têm nome, o que me trouxe do Brasil se chama Pedro Álvares Cabral, também vi o avião Vasco da Gama!

Em Londres, na imigração foi muito mais tranquilo do que eu sonhava, o cara só me perguntou porque eu vim para cá. Só isso! Fiz o procedimento fui buscar minha bagagem.

Eu fui seguindo as placas de Bus Station e lá comprei minha passagem para Cardiff, uma facada de 45 pounds (que ainda está doendo). A viagem demorou quase três horas e eu consegui dormir um pouco. A paisagem era bem entediante o que mais me chamou a atenção foram os carros, aqui tem MUITOS mini cooper e quase nenhum carro tem película.

Cheguei em Cardiff na estação, e sai procurando não sei o que… Olhei ao meu redor e lá estava eu pensando “Para onde vou? e ao mesmo tempo “Que maravilha, meu sonho está se realizando!”. Minhas malas estavam muito pesadas eu estava cansado e com medo de abordar alguém para pedir ajuda. Esperei uma senhora cruzar a rua e pedi ajuda, ela me disse que não era de lá, eu mal virei e vi um cara se aproximando com uma expressão amistosa, ele me falou que eu poderia pegar um taxi e me ajudou com as malas.

Peguei o taxi e o motorista era árabe, mal falava inglês, mostrei o papel com o endereço e ele não conseguia me entender, pediu para eu colocar o cep no GPS e nada, daí eu mostrei o meu mapa e tudo deu certo. Pensem em um terrorista, a imagem que lhes foi à cabeça pode perfeitamente ser a do meu taxista, ele perguntou de onde eu era e eu falei Brasil… alguns minutos depois ele me perguntou se o Brasil era perto do Canadá – acho que ele estava jogando verde…- falei que não, que o Brasil era na América do Sul. Finalmente cheguei ao alojamento e fui até a recepção, um indiano me deu as chaves e só, nenhuma informação.

Achei o prédio, subi dois lances de escada com minhas pesadas malas e conheci Mark que é aluno da universidade e foi embora hoje, depois chegou o Alan, que também é aluno da universidade e vai embora semana que vem, estou meio que sozinho aqui.

Tomei um banho eu fui comer algo na rua, resolvi realizar meu sonho e comi no subway perto da estação de trem. Pedi o sanduba e uma coca. Surpresa! a coca daqui é muito ruim! Não é tão doce quanto a nossa e parece meio aguada, sei lá… ainda não me acostumei. Comi e fui embora rapidinho porque estava frio e eu estava sem casaco, de bermuda e chinelo. No caminho passei no mercado e comprei uns aperitivos.

Algumas Curiosidades:
O sinal de trânsito fica amarelo para abrir e para fechar
Os Refrigerante são bem diferentes
Aqui quase não tem motos

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Primeiro Post!

9/06/2010 por Raphael Laurindo Bonini


Quem já passou pela experiência de fazer um intercâmbio deve saber bem o que eu estou sentindo. Sabem o que é viver em mundo mas estando em outro?

O Google Earth virou minha janela para o mundo, já conheço as rotas que devo traçar, os lugares que vou conhecer, a distância entre os monumentos e o tempo que vou gastar para me deslocar, fico pensando que se não fosse por essa ferramenta o frio na barriga estaria muito maior.

Hoje eu entrei em contato com o IAESTE-UK e provavelmente não haverá ninguém me esperando no aeroporto para me conduzir ao alojamento, mas a Liz, que trabalha lá, me passou um site que você coloca onde você está e para onde você quer ir que ele lhe mostra, passo-a-passo como chegar ao destino, com mapas, taxas e até com uma tabela de emissão de CO2 dependendo do meio de transporte utilizado. Fiquei de cara! Quem sabe um dia teremos um sistema de transporte público eficiente que nos permita implementar um serviço como esse.

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