A aventura na Lions Head e os primeiros dias com as crianças

O primeiro domingo aqui em Cape Town, 10/08, dia dos pais no Brasil, foi dia de subir a Lions Head, um dos cartões postais da cidade, que fica ao lado da Table Montain, (impossível falar de Cape Town sem mencionar essas maravilhas de Deus). A Lions Head é tipo o Pão de Açúcar, no Rio de Janeiro. A diferença é que não tem bondinho e é possível subir a pé, e foi o que fizemos!

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Lions Head: porque parece uma cabeça de leão, de perfil.

A ideia era ver o pôr de Sol lá de cima – lugar de onde é possível avistar toda a cidade e a Robben Island ( ilha onde Mandela ficou preso por 18 anos na época do Apartheid).  Começamos a caminhar 16h45, contemplando toda beleza do lugar =).  A princípio o caminho era uma trilha normal (plana), terra e pedras, mas depois de uns 40 minutos, começamos de fato a subir, subir e subir. O cansaço se misturava com a vontade de chegar lá em cima e com o prazer de apreciar toda a beleza da cidade, do céu, do sol e do mar. No meio do caminho lembrei de Pier Giorgio Frassati, o beato (meu intercessor 😉 que subia as montanhas para orar. Ele dizia: ” Quanto mais alto formos, melhor ouviremos a voz de Deus. Quando se vai escalar, é preciso ter a consciência limpa, porque nunca se sabe se haverá volta”.

E subindo a Lions Head, quanto mais alto estávamos, maior o cansaço, e faltando uns 50 metros pra chegar, bem pouco mesmo, na parte mais inclinada onde, de fato, estávamos escalando as pedras, meu corpo pediu socorro e, então, junto com a brasileira Mariana e a suíça Manuella (que também não aguentavam mais), ficamos bem aos pés da parte mais alta da cabeça do leão, e ali vimos o pôr do Sol lindo, lindo, lindo.

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E não bastava apenas ver o Sol caindo no mar, era noite de lua cheia, e lá estava ela pra iluminar nossa descida, porque – detalhe – nós não tínhamos lanterna, e tivemos que esperar mais de uma hora o resto do grupo descer, passar por onde estávamos pra que pudéssemos ir juntos, porque vai que dá uma zica e alguém sai rolando lá de cima ou cai e bate a cabeça numa pedra, ou ainda vira o tornozelo, né? Foi uma das experiências mais insanas, no bom sentido, de toda minha vida!!!

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(Nas fotos: a caminhada, o pôr do Sol, a Lua cheia e eu com cara de cansada lá em cima 😉

Na segunda-feira, 11/08, comecei a trabalhar nos projetos. De manhã vamos para a favela Massiphumelele, que quer dizer “vai ter sucesso” ou algo assim, segundo a Mama Shala, uma líder comunitária que leva as voluntárias para conhecer a favela e as creches de lá. Projetos bem carentes, em espaços mínimos, sem nenhuma estrutura, um deles é dentro de um contêiner e não tem nem banheiro. As crianças fazem xixi e cocô em um pote.  O meu projeto é o mais organizadinho dos três que os voluntários trabalham por lá. Tem dois banheiros (para 60 crianças!), mas mesmo assim não dá conta e as crianças usam potes. Não tem papel higiênico para todos, tem apenas uma torneira para lavar a mão de todos, poucos brinquedos que não são adequados para a idade deles, enfim, é bem carente. A nossa rotina é ajudar as “Mamas”, as professoras, com atividades recreativas e educativas, com músicas, brincadeiras e etc, além de levar as crianças no banheiro, alimentá-las, limpar a sala e dar todo o suporte.

Hoje uma das mamas não foi  e eu fiquei boa parte do tempo com uma turminha de 2 a 3 anos, (foi tenso), porque detalhe, eles falam Xhosa, uma  das línguas oficiais da África do Sul. Algumas palavras tem um estalo na língua que eu não tenho noção de como faz, mas quero aprender!

Nas segundas, quartas e sextas, no período da tarde os voluntários vão para a comunidade de Ocean View, (comparando com o Brasil, seria tipo uma Cohab) um conjunto grande de predinhos. A comunidade é bem carente, e pelo primeiro dia que eu trabalhei lá, percebi que as crianças são bem violentas. Um  deles apareceu com uma arma de brinquedo, e eles brigam muito com socos,chutes etc. O legal lá é que tem uma super biblioteca comunitária, e então nós levamos as crianças para lá e, mais legal ainda, é que eles se interessam por livros, então nós lemos para eles.  Claro, dependendo da idade, a concentração da criança dura dois minutos, mas ok, é positivol! Em Ocean View eles falam Afrikaner e um pouco de inglês, então  a comunicação fica  mais fácil. No meu primeiro dia , uma menininha, a Atcan, me pediu para ler um livro em inglês, e depois chegaram os irmãos e um primo dela, e eles me trouxeram livros em Afrikaner, outra língua da África do Sul, então eu pedi para eles lerem para mim e eles mesmo iam me explicando a história em inglês! Foi divertido!  Na próxima sexta-feira, as voluntárias que já estão algum tempo por aqui farão  uma gincana com as crianças. Enquanto eu escrevo aqui, elas estão definindo as atividades que vamos fazer.

Ainda não tenho fotos dos projetos, nem das crianças, porque o foco de tudo isso é trabalhar e em um segundo momento registrar. Em breve posto fotos dessas fofuras que me chama de “teachã” (tipo teacher, com um sotaque!).

 

Natália Paula

Natália Paula

Encontrou no trabalho voluntário a oportunidade para seu investimento fosse além do benefício próprio e gerasse uma troca: troca de cultura, experiências e de afeto

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