A mente que se abre a uma nova idéia jamais voltará ao seu tamanho original – parte 1/4


Talvez, Albert Einstein, tenha dito isso depois de fazer algum mochilão. Eu experimentei a comprovação dessa teoria na prática.. mas mudou a minha vida para sempre. Vou explicar para vocês como me tornei um backpacker…

No início do ano passado, decidi que iria fazer um intercâmbio na Austrália por volta do mês de dezembro, 4 semanas apenas (período de férias). Havia escolhido a Austrália, por que senti que conseguiria me familiarizar com o clima e as pessoas com mais facilidade. Sem contar com a espetacular beleza natural da região, já que adoro praia e atividades eco-esportivas. Comecei a pesquisar tudo sobre intercâmbio na Austrália, sendo que a minha principal fonte foi a Internet. O ORKUT é uma poderosa ferramenta para viagens. Não há nada mais confortador, do que ouvir relatos de quem já foi, receber dicas e tudo mais. Não é tempo perdido, muito pelo contrário.

Continuando, eu até que tentei juntar uma grana desde o começo do ano, mas em fevereiro minha mãe foi demitida do serviço. Ela ficou arrasada, achando que sozinho, eu não conseguiria dar conta das despesas da casa, e mesmo que conseguisse, teria que sacrificar todos os meus planos. De casa, apenas eu estava trabalhando. Minha irmã estava fazendo cursinho preparatório para o vestibular pela segunda vez e eu não queria que ela parasse, pois, era um investimento para o futuro. Obs: o meu pai mora em Uberlândia e tem outra família. Aperta daqui, aperta dali, fui levando essa situação até o meio do ano, sem deixar que o sonho de viajar para o exterior naufragasse. No final de maio, comentei com a minha “segunda mãe”, a Ivete, sobre os meus planos de ir para a Austrália em dezembro. Ela foi uma das poucas pessoas que não tentaram me desanimar pelo fato de a minha família estar passando por dificuldades. Foi nesse diálogo, que ela me falou da Verônica, uma colega do serviço dela.

Verônica estava com planos de fazer um tal de mochilão pela Europa. Curioso, telefonei para ela e perguntei o que era esse tal de mochilão. Quando ela falou as palavras “viagem econômica”, perguntei se eu podia ir junto. A viagem aconteceria no final de julho. Isso mesmo, faltavam menos de dois meses para o embarque. Desse dia em diante corri feito um doido atrás do burocrático. Tirei o passaporte na Polícia Federal, comprei o seguro saúde internacional, as passagens aéreas, arrumei uma mochila emprestada com a Verônica e no dia da viagem eu estava trocando reais por euros na casa de câmbio. Nem consegui me despedir direito da minha família, já que elas não quiseram ir ao aeroporto com medo de dar vexame, desmaiando e chorando feito loucas. Eu só consegui chegar em casa, pegar a mochila, dar um beijo na Su e na Paulinha e sair correndo para o aeroporto. Ah, no dia 6 de julho, minha irmã foi chamada para trabalhar na prefeitura, devido a um concurso que ela tinha prestado dois anos antes. Achei que aquilo era um sinal, porém ela não tinha previsão de quando receberia o primeiro pagamento, mas se acumulasse, viria tudo de uma vez.

Quando sentei na poltrona do avião, percebi a loucura que estava fazendo…

Tinha deixado para trás: minha mãe desempregada; minha irmã sem previsão de salário, mas com a mensalidade do cursinho para pagar; e contas chegando.

Tudo dependendo da incerteza do depósito da minha restituição do imposto de renda naquele mês ou do pagamento imprevisível da minha irmã. Por mais econômico que fosse, esse tal de mochilão, não estava saindo tão barato para uma pessoa nas minhas condições.

Lá no alto, atravessando pela primeira vez o oceano Atlântico, algo me encheu de alegria e eu disse para mim mesmo: VAI DAR TUDO CERTO!

Eber Guni do Nascimento Santos

Eber Guni do Nascimento Santos

São muitas aventuras do Mochileiro e Viajante Eber pelo mundo. Desbravando a América do Sul e a Europa com vivências inspiradoras registradas aqui.

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