Aventuras em Varanasi

Finalmente cheguei em Varanasi, depois de quase 30 horas viajando! Que bafo quente!!!

Dica: Quando chegarem no aeroporto não saiam logo para a rua (péssimo hábito de fumante), pois na hora de voltar pra pedir um taxi confiável é um parto! Você só entra se for viajar e tem de mostrar documento e cartão de embarque.
Tentei falar, explicar e não adiantou nada, eles fazem o que entendem quando na verdade não entenderam necas!
Mostrei o email de confirmação do meu hostel e ele ficou uns 20 minutos tentando decifrar, até que mostrei o que restou do meu cartão de embarque e ele fez cara de ‘tá..tá…entra logo’ rsrsrs..

Peguei o taxi e o caminho inteiro foi com o amigo do motorista (trabalha no aeroporto) de blá blá blá comigo! Gente, gosto de conversar, conhecer gente nova, mas na boa, estava podre de cansado!  Bom.Blá blá pra cá, blá blá pra lá e ele me lança que a região sul de Varanasi (onde estou) não é onde a maioria dos turistas ficam, porque é sujo e fedido, não é tão bonito e escuro, perigoso.

Ele  indicou que deveria ficar na parte Norte da cidade e até me recomendou outro hostel e tenho que confessar que fiquei muito tentado e na duvida, se deveria mudar tudo naquele exato momento. Mas não, resolvi seguir em frente de acordo com os planos! Afinal o que não falta é gente querendo tirar vantagem no mundo e, vai saber se este era o caso né?

Cheguei em um ponto que não entrava mais carro, então o taxista falou com algum conhecido na rua, que me guiou a pé pelas vielas até chegar no meu hostel! Estou quase na beira do rio Ganges, pra quem não sabe é considerado um rio sagrado pelos hindus e onde jogam corpos, cinzas de corpos cremados e muita muita sujeira. Ah! Estou próximo ao crematório também, um cheiro de defumação no ar que é uma beleza..!rs

O caminho até o hostel me pareceu MUITO confuso, entre as vielas estreitas e cheias de motocas buzinando (alias buzinar aqui é definivamente um importante meio de comunicação), bicicletas, pessoas e vacas (também sagradas na Índia – os deuses aqui tem formas de bichos), vira a esquerda, vira a direita, sobe escada aqui, desce ali e chegamos!

Pela 1ª vez resolvi optar por um quarto individual em um albergue, quis poder trancar a porta com as minhas coisas dentro e ficar tranquilo quanto a isso.

Meu quarto é bem simples e o principal, tem banheiro e ventilador, o bafo quente do calor é muito intenso, não tem como ficar sem isso.O dono e recepcionista me ofereceu um com ar condicionado, mas decidi por não! Este quarto custa o equivalente à R$23 a noite, show hein!? Bom? Nem tanto assim, mas tá valendo o preço, rsrs. Vejam a foto postada e notem o balde no banheiro! Como Prabhu (dono e recepcionista) disse “ Caso precise!” , pensei  “ tá bom então né!?” rs.

Cheguei morrendo de fome, precisava jantar e como com certeza eu me perderia em busca de algum restaurante razoavelmente ‘OK’. O filho mais novo do Prabhu me acompanhou até um que ele recomenda. E lá fui eu seguindo o menino, desce escada, vira a esquerda, vai reto..’bééééin béééin’. Opa…Uma motoca, sigo ele até uma rua principal (onde além de todos os meios de transporte existentes aqui, tínhamos nosso conhecido, CARRO), depois entramos nas vielas novamente e enfim, chegamos!

O garoto me entrega o cartão do albergue com o endereço e no verso tinha um mapa bem meia boca com 3 vielas, e eu já tinha passado por umas 15. Fiquei, sentei em uma mesa e me trouxeram o cardápio! Não tem uma foto e agora? Comecei a olhar para as outras mesas e tentar decifrar minhas opções no menu, até que um garçom se aproximou e, em um inglês bem ‘indianês’ perguntou o que queria. Bem, se eu soubesse seria ótimo! Falei em inglês “Jantar!” Apontei para o cardápio de forma bem geral, olhei p/ ele com cara de dúvida, depois olhei  para as outras pessoas comendo e tornei a olha-lo com cara de dúvida! Ele escreveu algo num bloco de papel e foi! Acho que deu certo!!

Uns 15 ou 20 minutos depois chegou minha comida, enquanto isso, mirava meus olhares nas outras mesas, tentando ser o mais discreto possível e ver o que comiam e COMO comiam, que também era o ‘X’ da questão.

Não me perguntem o que eu pedi! Eu não faço ideia! Era um combinado com arroz, uma pasta com umas coisinhas verdes e brancas parecendo papinha de soja, um uma mistura de vegetais com curry, uma sopinha estranha e pão para acompanhar. Tudo servido em mini porções e em uma bandeja com pimenta, sal e iogurte. Ah! Veio uma colher! Ufa é habitual comer com a mão aqui!

No geral, comida gostosa e BEM picante. Tomei uma garrafa de 1 litro de água durante a refeição.

Pedi a conta que deu exatos R$10,50 e agora é  hora de achar meu caminho de volta! Ferrou!! Tentei seguir o mesmo caminho da ida, sentido contrário. Mas errei em algum momento que não conseguia de jeito algum achar a droga do ‘beco’ que me traria de volta pra “casa”.

Comecei a perguntar para as pessoas, mostrando o tal cartão que o filho do Prabhu tinha me dado. Fui seguindo o dedo indicador das pessoas e nada de achar!Bom, preciso dizer que essa região é como se eu estivesse no meio de uma favela gigante e das bem sujas ! De noite a energia começa a cair e tudo fica escuro! Algumas das vielas sem qualquer iluminação, não deixando a gente ver um palmo na frente, ainda bem que as motocas de vez em quando ainda apareciam, pois iluminavam por um tempo!

“Caramba. Eu devia ter ouvido o carinha do taxi quando cheguei na cidade!” pensei.  Continuei perguntando e muitos ‘béééin..bééein’ de motocas depois, em um momento distraído procurando a sinalização com o nome do albergue (escrito a mão em alguma parede) THUMB!! Dou de fuça na traseira de uma vaca enorme e chifruda.Juro! Quase infartei! E se esse bicho me dá um coice ? E se alguém pensa que estou maltratando uma deusa? Sei lá…! Engoli seco e segui meu caminho fingindo que foi a coisa mais natural do mundo! Sabe. Sempre acontece deu trombar em uma vaca na Avenida Paulista, e daí!? RS ..

Em seguida ouço umas rezas altas com tom de canção. Sei lá! E então vejo dois grupos de pessoas carregando ao alto o que parecia ser uma maca com o corpo de alguém e um pano com alguns brilhos dourados! Caraca!! Estavam indo sentido crematório e o Ganges.

Vocês já devem estar pensando: ”Chega logo nesse albergue, Gabriel! Não aguento mais esse caminho!” tá bom, acabei achando e ainda no caminho p/ tentar dar uma de “ To acostumado com tudo isso” parei p/ comprar cigarro! Gente. Malboro Lights com cheiro de cocô de vaca! HAHAHAHAHA.olha só rindo! “Viu só, Gabriel? Queria algo diferente. TOMA ESSA!” rsrsrs

Vou ficar por aqui, pessoal! É madruga aqui e logo mais, às 5h da manhã vou dar um rolê pelo Ganges e fazer melhor o reconhecimento da área durante o dia!

Alguns de vocês devem estar pensando.” Ele deve estar odiando!” ou “ Será possível que ele ta gostando disso tudo?” Quer saber na real?  O que estou sentindo é muito estranho. Uma sensação de não gostar, misturado com o ‘muito interessante’ me fazem pensar que estou sim curtindo a experiência! Não sei ainda, dizer ao certo…

Veremos nos próximos posts!!

Gabriel Canellas

Gabriel Canellas

Paixão por cozinhar e viajar! E também...COMER! Canellas considera muito importante provar os sabores dos lugares que visita. Nessa aventura além do Himalaia, serão 2 semanas de trabalho voluntário no Nepal e uns dias na Índia, passando por Delhi, Varanassi e Agra. Acompanhe a fantástica experiência.

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