Bem vindo ao passado!


O final de semana estava apenas começando e logo descobri que um festival internacional medieval estava prestes a acontecer nas redondezas, em uma cidade próxima. Talvez “impressionante” seja a palavra que melhor resuma o evento. Talvez nem ela seja capaz disso.

A viagem de trem (partindo de Karlsruhe) demorou pouco mais de 50 minutos e, já dentro da cabine, eu percebia a magnitude do “Peter-und-Paul Fest” [Festival de Pedro e Paulo] (http://www.peter-und-paul.de), que ocorre todos os anos na cidade de Bretten, aqui na Alemanha, durante o verão.

“Todos os anos o festival atrai mais e mais pessoas. Nesse ano teremos competição de arco e flecha na floresta, e eu vou participar” – dizia meu chefe, um praticante do esporte, durante uma pausa no trabalho. A idéia de ir a um festival medieval estava obviamente certa na minha cabeça. Seria algo no mínimo BEM fora da rotina.


Ach so! [Ah, sim!] Especificamente no Peter-und-Paul Fest, a população praticamente toda da cidade se veste a caráter – exatamente como a 500 anos atrás! O pessoal leva tão a sério o negócio que existem confrarias específicas na cidade, aonde os mais aficcionados fazem reuniões regulares para tratar assuntos da história medieval, padronizar a qualidade e a pesquisa histórica dos modelos e vestimentas, bem como decidir a decoração da cidade – e até mesmo quais os tipos de comida e bebidas que podem ser vendidos! Existem regras dentro das confrarias e todos – absolutamente todos os participantes – levam a “brincadeira” ao pé da letra medieval.

Combinei com o pessoal do IAESTE daqui de Karlsruhe, que também estão fazendo estágio, de irmos todos juntos. Embarcamos perto das 4 da tarde, eu, o indiano Rajat, a tailandesa Kwan, o alemão Florian, o grego Vasilis e outros mais.

Ao descer do trem, outro choque: bandeiras e bandeiras antigas, pessoas fantasiadas de príncipes e princesas, camponeses, bardos, cavaleiros, magos, nobreza em geral, ferreiros, arqueiros, leprosos… meu deus! As roupas eram tão bem feitas que às vezes eu me perguntava se eu realmente não teria voltado no tempo. Pelas ruas, cabanas de madeiras tinham sido montadas, leitões eram assados em fogueiras com pedras, barricadas de sacos de areia e barris envelhecidos se transformavam na perfeita mesa, coelhos assados, armazém de espadas… era uma infinidade de “uaus”, que eu até me cansei de me espantar. “Caraca…. Caraca!!! Caracaaa!!!!!!”, um atrás do outro…

Uma das coisas mais impressionantes foi a simulação de batalha, aonde cavaleiros lutavam entre duplas no meio da multidão, com espadas de metal! De brincadeira?! Bem… pode até ser… mas que parecia que eles realmente estavam defendendo algum reino, parecia!

Outra coisa que chamou muito a atenção foi a performance dos bobos-da-corte, fazendo acrobacias inimagináveis no meio da rua – bem como a própria decoração impecavelmente magnífica das lojas de comida e bebida, e ainda os estandes de exposição de maquinário bélico da época.

Obviamente, um dos bons artigos que não poderia faltar nas festas alemãs, a Weißbier |váis-bíar| [cerveja de trigo] e a Pilsbier (a nossa rotineira pilsen ai do Brasil) eram a compania perfeita dos pães com queijo e bacon servidos em pedaços de madeira, ou de pães-de-caçador (um pão que é enrolado e assado em uma estaca). A culinária ia muito além, podendo-se experimentar também sopas, caldos e guisados feitos em caldeirões sobre fogueiras ou até mesmo leitões e carneiros assados logo ali, na frente do freguês! E, claro, salsichões por todos os lados.

Perto da meia noite, encerrando o festival que já corria por 3 dias, uma majestosa queima de fogos de artifício (seguramente a mais bonita que já vi) tomou o céu de Bretten por 15 minutos, sendo seguida por uma marcha de alemães vestidos com roupas de períodos mais modernos da história (uniformes de 100 anos atrás, mais ou menos). E, assim, nossa internacionalizada equipe do IAESTE (bem como os trocentos cavaleiros, princesas, monges, arqueiros…) pegamos o trem de volta para casa, perto das 2 da manhã.

Esse festival é espetacular. Uma vez na Alemanha, estando no verão, é imperativo a visita a este evento que transforma a pequena e pacata vila de Bretten (no estado de Baden-Würtenberg, entre Karlsruhe e Stuttgart) na capital internacional da cultura medieval!

No vídeo de hoje, uma rápida exposição de algumas das fotos do evento (o link encontra-se logo abaixo da foto principal deste post). No próximo post falarei da famosa e belíssima FLORESTA NEGRA, a floresta em que o relógio Cuco foi criado – e aonde eu estive a poucos dias atrás.

Até o próximo post, pessoal!

Rafael Guimarães

Rafael Guimarães

Rafael é estudante de Engenharia Florestal e vai estagiar em uma das melhores empresas do setor, na Alemanha. Além, claro, aproveitar para se divertir na Europa. Acompanhe aqui

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