Chegando em Kathmandu

Namastê Pessoal!

Antes me desculpo pela ausência nesses primeiros dias, mas coincidiu com feriado no Brasil e final de semana aqui no Nepal, que começa na sexta-feira! Isso mesmo, aqui o final de semana começa na sexta-feira mesmo! Vocês devem estar pensando “Caraca, vou mudar para o Nepal que o final de semana é mais longo!” Não!rs…Nada disso!! Na verdade a semana começa no domingo, ou seja, domingo é dia útil aqui.

Bem, no meu último post eu tinha acabado de pousar em Kathmandu. Cheguei no horário certo, sem atrasos! Ainda bem, porque meu translado organizado pelo Idex já estava todo organizado para me buscar neste horário e me levar para a acomodação do projeto.

Segui pra imigração. O visto do Nepal você pode pegar no Brasil antes de viajar ou aqui mesmo na imigração. O que é muito simples. Basta preencher os formulários necessários, disponíveis em frente a fila da polícia federal nepalense e claro, enfrentar a enorme fila, que por sinal não dei muita sorte, pois tinham muitos voos chegando ao mesmo tempo e são apenas 4 balcões de atendimento!

Tudo bem que com relação ao translado eu tinha uma carta de confirmação de serviço enviado pela Idex, com números de telefone para que eu ligasse, caso eu chegue e não haja ninguém me esperando.

Finalmente chegou minha vez de pegar o visto, coisa muito simples! Me perguntam quanto tempo fico e  cobram uma taxa de US$35 que não pode ser pago em Rúpias Nepalesas, apenas em moeda estrangeira, como US$, EUR, Libras Esterlinas, Dolar Australiano e Neozelandês e algumas outras moedas, exceto Real, claro! Logo ao lado, antes de chegar no balcão para visto, tem um guichê, onde trocam a moeda para rupias nepalesas ou apenas seus dólares, euros ou o que for, para notas menores, caso não tenha os US$35 exatos.

Quando passei a imigração fui direto para as esteiras, que já estavam todas com outras malas de outros voos! “Era só o que me faltava!!” Então perguntei a um funcionário do aeroporto sobre as malas do meu voo e ele disse que estavam todas espalhadas no chão em algum canto mais pra frente!

Quando vi meu mochilão, fui direto até ele e quando me aproximei, ouvi alguém dizer “Gabriel!” – Era alguém do Idex para me receber, ele já tinha procurado minha mala, visto meu nome e estava apenas aguardando eu aparecer! Gente o pobre ficou 2hs em pé me esperando! Fiquei bem impressionado para ser honesto.

Eles tem acesso a um crachá que os autoriza a  entrada na área de bagagens pra buscar os voluntários, o que é bem funcional.

Nivedan (nome da pessoa que me buscou no aeroporto) assiste à gerência do programa de voluntariado no Nepal. É de nacionalidade indiana e está vivendo no Nepal desde a abertura da unidade em Abril deste ano. Cara MUITO simpático, fala inglês muito bem, comparado à outras pessoas aqui.

Bom, no caminho até a acomodação (chamada de ‘camp’) já percebi o trânsito caótico da cidade, misturado com uma quantidade inimaginável de poeira no ar, e claro não poderia faltar o som das buzinhas. Mais estranho ainda foi eu já achar tudo isso normal! Acho que minha estada na Índia foi um ótimo ‘estágio’! RS

Chegamos à acomodação, que por sinal uma casa muito bonita (longe do que eu esperava) com 4 andares e ao que me parece, recém construída.

Assim que entramos pela porta, de imediato veio uma das executivas de projeto (logo explico o que é) segurando uma bandeja com uma veja, algumas flores e me abençoou pitando o centro superior minha testa com um pozinho vermelho! Mesmo que usaram em mim quando estive no templo de Shiva, em Varanasi.

Depois me levaram até o quarto. Cama, lençol, travesseiro e cobertor…tudo limpo e arrumado me aguardando, ótimo!

Meu quarto fica no segundo andar, desci as escadas e sentei na sala junto com outros voluntários, incluindo Judith (Holanda) e Martina (Irlanda) que também começariam o programa junto comigo. Outros (2 Irlanda, 1 US, 1 Espanha, 1 Holanda, 1 França) já haviam começado o programa na semana anterior ou semanas anteriores, alguns se insrevem em programas por 6 semanas por exemplo, fazendo 3 na Índia e 3 aqui no Nepal. Enfim ficamos conversando e nos conhecendo.

Normalmente, no momento em que chegamos, Nivedan nos leva a um ‘tour’ pelo projetos, explica como funciona e no retorno nos reunimos para decidir quais gostaríamos de participar.

Como cheguei já quase no final da tarde, o tour já havia sido feito com Martina e Judith, por tanto meu dia seguinte seria inteiro dedicado a conhecer todos os projetos para então, decidir quais gostaria de fazer de acordo com a necessidade de cada projeto.

Enquanto Martina e Judith reuniam-se com Nivedan com o objetivo de definir seus projetos, fiquei observando para saber como tudo funciona e já de imediato falei que mesmo não tendo visitado ainda, gostaria de ficar com Orfanato e Reabilitação de Mulheres analfabetas.

Definimos tudo e no dia seguinte às  07h30 já parti para o Orfanato, onde fico até as 09h00, ensinando cores e ajudando com deveres de casa das crianças maiores, além de danças e brincadeiras em inglês, para crianças de 03 à 16 anos.

Em seguida volto para casa, almoço e parto para a escola de reabilitação feminina, ensinar inglês a uma classe de mulheres, onde a maioria não sabe escrever nem a própria língua. Depois e por último Orfanato novamente, porém desta vez apenas com recreação. As mesmas crianças da manhã, mas a tarde somos em 4 voluntários, então nos dividimos entre esportes, computer lab e os brincadeiras com os pequeninos (3-7 anos).

Por fim, volto a casa para jantar e pronto..acabou o dia!

Bem, eu também me ofereci para ajudar na cozinha com o preparo das refeições dos voluntários. Achei que seria uma ótima oportunidade para aprender a cozinhar um pouco da comida local também, então quando volto do orfanato pela manhã e no fim do dia já vou direto p/ cozinha.

Estamos localizados no subúrbio de Kathmandu, mas na verdade o que difere mais este ‘bairro’ do centro (30min de carro) é que no centro é onde estão os conglomerados de turistas. Enquanto por aqui turista é uma raridade! O que é ótimo, assim temos uma verdadeira imersão com o povo local e por incrível que pareça em 1 semana que já estou aqui, até já falo algumas palavras soltas em Nepalês!! Demais hein?!

Na casa, temos tudo o que precisamos, mas gente, vale lembrar que isso não é um hotel – apesar de que, na minha visão, estou em um hotel 5 estrelas, considerando os albergues que fiquei na Índia – por tanto, cada um lava sua roupa (sem máquina de lavar), sua louça  e mantém a casa/quartos organizados.

Como a região é montanhosa, a casa fica em uma subida de morro e ainda temos um terraço com uma vista incrível da cidade e montanhas, onde lavamos roupa e as penduramos para secar.

Gente, já lavei roupa! pela primeira vez lavei minhas roupas a mão porque no Brasil, se deixar, jogo até sapato na máquina de lavar e tenho uma faxineira muito fofa que além de faxina, também lava minha roupa. Bom não preciso dizer que fiquei uma boa meia hora só olhando o balde, a torneira e o sabão (cada um compra seu sabão), tentando decifrar aquilo, como se fosse alguma espécie de código. Enfim…deu tudo certo no final, joguei bastante sabão no balde com as roupas, coloquei água e fiquei tentando simular os mesmos movimentos da máquina de lavar! Não preciso dizer que fiquei todo ensopado de tão molhado, no que tentava fingir ser uma máquina de lavar! RS..

Ainda na casa, no térreo tem a cozinha e onde fazemos as 3 refeições do dia, que já estão inclusas no valor que pagamos pelo projeto no Brasil. Comida bem gostosa, que varia entre indiana, nepalesa e algumas tentativas não muito bem sucedidas de comida ocidental. E é o que tem para hoje! Água a vontade 24 horas, 7 dias na semana em barris de água mineral que tem em um em cada andar na casa. Talheres, copos e pratos, todos limpos e disponíveis para nosso uso na cozinha.

O piso principal, que eu chamaria de 2º, fica a nossa sala de estar com colchões no chão (além do sofá) para ficarmos bem à vontade. Aqui eles fazem de tudo para que nos sintamos em casa.

No piso principal, tem 1 banheiro e o escritório o Idex Nepal, além de 2 computadores disponíveis à vontade para uso livre dos voluntários. No entanto, neste momento, apenas a Judith usa, o restante tem seus próprios laptops e usamos o WiFi da casa que cai de vez em quando, mas conseguimos usar numa boa.

Os outros 2 pisos (3º e 4º) são os quartos e banheiros, 2 de cada em cada andar. Ah! Não tem Box ou cortina para separar a área de banho da pia e restante do banheiro, então em todos os banheiros tem um rodo, para que após o banho, não o deixemos todo molhado para o próximo.

Tem mais! Calma…Um terraço incrível com vista para a cidade e montanhas. No terraço é onde lavamos nossas roupas e a penduramos nos varais disponíveis.

Ah! Aqui temos workshops que podemos escolher fazer de acordo com o número de pessoas interessadas. Ninguém fica sem fazer nada, então movimentei um pessoal e estamos fazendo Yoga todos os dias às 6h00! Pessoal minha flexibilidade é ZERO, vocês imaginam então minha ‘desenvoltura’ nas aulas de Yoga!rs..

Só esclarecendo Idex é a organização responsável por inúmeros projetos voluntários pelo mundo e a CI é a agência que os representa no Brasil.

Outra coisa, aqui também temos o velho problema com energia! Percebi que isso é geral, e não um problema isolado. Este final de semana fui à Pokhara e lá a mesma coisa!

No próximo post, conto como está sendo meu dia a dia e da minha viagem este final de semana à Pokhara já próximo aos Himalayas !

Bholi bhetoila! (Até amanhã!)

Gabriel Canellas

Gabriel Canellas

Paixão por cozinhar e viajar! E também...COMER! Canellas considera muito importante provar os sabores dos lugares que visita. Nessa aventura além do Himalaia, serão 2 semanas de trabalho voluntário no Nepal e uns dias na Índia, passando por Delhi, Varanassi e Agra. Acompanhe a fantástica experiência.

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