Dashain, Monkey Temple e respeito ao Buddha

Namastê!

Hoje, logo após o café fomos direto para a escola pública participar da cerimônia de Dashain que as alunas preparam para nós!

Quando chegamos lá, já haviam preparado roupas típicas para as mulheres vestirem e dançarem com elas. Dei muita risada! Comemos um pouco e nos pintaram com Tikka e arroz, jogando pétalas de flores em nossas cabeças como se nos abençoando.

Após o meio-dia, Sanna, Martina e eu pegamos um tuktuk até Thamel, região mais central e turística de Kathmandu e de lá um taxi até o ‘Monkey Temple’ . O tuktuk custa de 15 a 20 rúpias, se for de táxi do camp até Thamel consegue-se por 200 rúpias, não aceitem mais do que 300, aqui TUDO se negocia e barganha-se em TUDO.

A maioria das atrações turísticas -paga-se para entrar- sempre um valor menor ou nenhum para Nepaleses ou Indianos e maior para estrangeiros. Mas detalhe, todos esses lugares só tem vigilância mais acirrada na venda de ingressos, quando entramos pelo portão principal.

Por isso acabei não pagando (acho) em Pachupatinat (8º post), e no Buddha Stupa principal da cidade (existem outros menores). No entanto, no caso do Monkey Temple não teve jeito, a entrada ‘alternativa’ era subindo a serra no meio do mato, minado de macacos. Nem a pau!

Pagamos 250 rúpias e subimos uma escadaria gigantesca até chegar ao templo. Após um zilhão de degraus, algumas centenas de macacos mal-encarados e umas tendas de venda de artesanato, finalmente chegamos ao templo. MUITO bonito e com uma vista incrível da cidade.

O que esse povo tem com Monastérios e templos, na maioria em topo de serra! Eu hein!?

Voltamos a Thamel e fomos correndo no Gaia, ótimo restaurante local, onde tem de tudo, desde alojamento, agencia de turismo e o mais importante (para gente pelo menos) que o restaurante, oferecendo não apenas comida local mas ocidental também.

O Gaia e o Helena’s são ótimos lugares caso queira comer CARNE bovina. Não, não comi.
Já que estou aqui, vou viver isso tudo ao máximo. Tenho carnes e muito boas no Brasil me esperando. Aqui no máximo comi muito pouco frango e umas 3-4 vezes só durante todo o mês.

No Gaia, queríamos mesmo era uma bela guloseima e sim ocidental. Gostosa e decente! Comemos brownie de chocolate e torta de maçã, e então fomos para frente do Kathmandu Guest House, onde marcamos de nos encontrar com Marie novamente para jantarmos e tomarmos uns drinks. Era nossa última noite em Kathmandu (Marie e Eu).

O Restaurante que jantamos, muito bom, decoração do lugar fantástica, apresentação dos pratos muito bacana e som de Pink Floyd ao fundo. Cardápio puramente vegetariano. A maioria dos restaurantes aqui tem as opções Vegetarianas e algumas não vegetarianas. Sobre a frequência, acho que foi o único que fui desde que sai do Brasil que só tinha estrangeiros! De gente local, apenas o staff.

Queríamos algum bar com música ao vivo, adivinha onde caímos? Num pub irlandês! Definitivamente não há lugar no MUNDO que não haja um pub irlandês e é onde é certeiro ter música ao vivo. Tomamos vários drinks e se tivesse algum estúdio de tatuagem aberto na hora que saímos.  Juro que teria feito qualquer coisa. Sorte que não tinha nenhum…hehe

Falando em tatuagem, um fato muito interessante que, acho importante contar a vocês é que eu estava realmente decidido em fazer uma tatuagem na panturrilha com os olhos de Buddha! A Burleight, voluntária americana que estava conosco na 1ª semana, quis tatuar apenas a palavra ‘Namastê’ escrito em nepalês. Então a acompanhei até o estúdio com o propósito de dar “aquela” força e checar se o lugar era de confiança, higiênico etc.

Resultado: muito bom e o estúdio já ganhou vários prêmios do ramo. Conversei com o tatuador e como não tínhamos tempo hábil para fazer a minha e a da Burleight, combinamos que eu voltaria no final da semana.

Bem, ao longo da semana, tentei pesquisar mais sobre o significado do símbolo (Buddha’s Eyes) que está estampado por todos os lugares no Nepal. Significa basicamente que tudo o que você faz há consequências, sejam boas ou ruins, entre outras pequenas coisas bem legais também. Show! Tá realmente decidido! Sexta-feira pinto por lá e faço a minha!

Eis que na quinta-feira, durante o nosso horário de planejamento das lições com os nossos executivos de projeto, perguntei a uma executiva nepalesa sobre o significado, só para saber o que ela me diria. Legal! Exatamente o mesmo que já sabia e tinha pesquisado na internet, foi então quando falei que ia tatuar na minha panturrilha. Nossa…Ela até gaguejava para falar, de tão nervosa, não consegui entender muito bem o que ela dizia, só que estava muito ofendida. Dizia algo do tipo: “Nunca tatuaria meu Deus na perna dela etc e tal”.

Fiquei espantado e lá fui eu olhar no Google, como diria meu sobrinho de 7 anos, no ‘Oráculo’ Digitei “É ofensivo tatuar os olhos de buddha na panturrilha?”.
Primeiro item da pesquisa era uma gringa que escrevia assim: “Fui a Taliândia em 2006 e tatuei um buddha no meu pé! Este ano pretendo voltar ao país, será que o povo ficará ofendido?”.

Gente, um tailandês respondeu muito grosseiramente e super irritado dizendo o quanto era um absurdo a atitude dela e que qualquer pessoa adepta ao budismo ficaria ofendia, mas que não a culpava, por ser estrangeira e criada em outra cultura, portanto o maior culpado era o tatuador.

Enfim a explicação é que não se tatua Buddha ou nenhum outro símbolo sagrado relacionado ao budismo na parte inferior do corpo, ou seja, da cintura para baixo por ser considerado a parte suja do nosso corpo. Amém. Não fiz a tatuagem.

Bem pessoal, o próximo será o 12º e último post. Pois já por volta do meio-dia parto de Kathmandu, rumo à vida real! Quer dizer, minha vida real!

Grande Abraço a todos!

Trilha sonora: One of These Things First – Nick Drake

Bholi bhetoila!!

 

 

Gabriel Canellas

Gabriel Canellas

Paixão por cozinhar e viajar! E também...COMER! Canellas considera muito importante provar os sabores dos lugares que visita. Nessa aventura além do Himalaia, serão 2 semanas de trabalho voluntário no Nepal e uns dias na Índia, passando por Delhi, Varanassi e Agra. Acompanhe a fantástica experiência.

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