De bicicleta com o A to Z


Esses dias eu fiz um bico de entregador de revistas. Sem conseguir me comunicar direito no idioma da rainha, arrumei uma bicicleta emprestada e fui me aventurar pela cidade desprovido de qualquer senso de direção, seja ele de ruas ou bairros londrinos.

Na Editora, em Holborn, recebi as intruções, os pacotes e a lista com 13 pontos a serem visitados. Na hora pensei: “E agora, José?”. Meio atordado com a missão, mal entendi 20% das recomendações que um brasileiro tentou me passar para ajudar.

Foi então que saquei pela primeira vez um companheiro que tem sido inseparável: o A to Z. Trata-se do guia de ruas inglês. Não sei se todos são iguais, mas o de Londres é muito fácil de usar e me salvou a pele. Compacto, portanto ótimo de carregar, ele ainda é cheio de cores e símbolos para indicar informações úteis, até se a rua tem mão dupla ou única.

Por que alguém de bicicleta precisa saber pra que lado vai o fluxo de veículos? Descobri na marra também…Estou em King Cross, ao lado da estação de trem, pedalando na contra mão. Poderia ser multado? Sinceramente nem tentei perguntar ao guarda. Só sei que ele ligou a cirene da sua motoca, me fez parar, me deu a maior bronca, e eu, pela “linguagem de sinais”, saquei que era preciso voltar tudo até achar um acesso correto à Gray’s Inn Road, meu destino.

Com esta e outras situações, descobri que por aqui andar de bicicleta é coisa séria. Em boa parte do roteiro, eu pedalei por ciclovias e faixas exclusivas – as mesmas utilizadas por ônibus e motos. Não que os motorizados sejam completamente educados, mas as magrelas são bem respeitadas como meio transporte e têm espaço no trânsito. Uma grande parte dos ciclistas usa capacetes, coletes fosforecentes e obedece sinais e placas de ruas – que não deixam de incluir as desmotorizadas.

Melhor ainda foi descobrir que com um A to Z e uma bicicleta eu posso conhecer tranqüilo e economicamente a cidade.

Alexandre Casatti

Alexandre Casatti

O viajante Alexandre desembarcou na Europa primeiro em Barcelona para rever uns amigos, visitou os antepassados na bella Itália até chegar ao destino do Intercâmbio: Londres. Por aqui ele vai compartilhar experiências como um verdadeiro londrino na terra da Rainha.

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