Escovas de dente pra galera, Ubuntu, brigadeiro e pôr do Sol

Agosto se despede com um domingo lindo de Sol, e a minha última semana por aqui (ai meu coração) promete ter um clima bem quente, com  aquelas lindas tardes com pôr do Sol pra derreter qualquer coração.

Falando em despedida, ontem foi dia de dar tchau para minhas duas parceiras brasileiras que nessas horas estão chegando no Brasil. Mari e Bia! Foi demais partilhar esses dias com vocês! Com certeza, quando for pra Floripa ou pra Natal temos que tomar um café ou uma cerveja juntas! Mari, em especial pelo tempão que passamos juntas, obrigada pela parceria, e por me fazer sentir em casa nos primeiros dias.  I’m missing you here! Em uma das últimas noites juntas, fizemos brigadeiro pra galera! Os europeus curtiram!

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A semana com as crianças foi muito especial! Já me dá uma dor no coração pensar em não ver mais esses rostinhos todas as manhãs. Conseguimos colocar em prática a ideia das escovas de dente! Compramos as escovinhas, colocamos nome de cada um e entregamos para as crianças mais velhas da creche onde eu a Mari trabalhamos, que se chama Ithemba (em Xhosa significa esperança *-*)! Foi demais, na próxima semana irei entregar para o outro grupinho de 3 a 4 anos ! De três em três, tentamos ensinar o passo a passo. Percebemos que algumas tem familiaridade com a escova, mas por outro lado, outras pareciam nunca ter visto e chegaram até a engolir a pasta de dente, sem saber muito bem como usar. Na próxima  semana, sem a Mari e a Elena (alemã que estava no mesmo projeto que nós e que foi embora hoje) tenho a missão de dar continuidade e tentar fazer com que vire rotina, pelo menos uma vez ao dia. Essa é nossa meta!

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Conhecemos uma outra creche também em Masi, a Siyakhulisa (ainda não sei o que significa) menor que a Ithemba. Trabalhei alguns dias dessa semana lá, e tive uma experiência tão simples e profunda com um bebê de 10 meses, a Ovayo, muito fofinha depois de brincar com meu cabelo, dormiu no meu colo.

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Não sei qual a história dela, nem de nenhuma outra criança aqui, mas em cada olhar e abraço que dou e recebo aqui acontece o que na cultura Xhosa (língua falada na favela) chamam de Ubuntu, algo que aprendi aqui na casa da Candi, onde estou morando nestas quatro semanas. O Ubuntu é tipo uma “filosofia” muito forte aqui na África do Sul,  intrínseca a todo o processo de abertura política após o apartheid, e que consiste na vida em comunidade: “a minha humanidade está inextricavelmente ligada à sua humanidade”, disse o nobel da Paz Arcebispo Anglicano da África do Sul, Desmond Tutu.  Eu só me torno pessoa no momento em que eu me abro para o contato, para o relacionamento com o outro, sempre diz a Candi aqui na casa, nas conversas filosóficas durante o jantar.

Expliquei o Ubuntu pra dizer que é isso que eu sinto no relacionamento com as crianças. Como meus óculos chamam atenção, as vezes ganho olhares bem de perto, face a face, e aqueles segundos são preciosos! Não há nada que pague ou que explique essa comunicação que não precisa de palavras e que me faz me sentir mais pessoa!

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Nessa semana  fomos para um bar aqui perto de casa e, engraçado que conversando com a galera, você percebe que as motivações para o voluntariado são comuns entre a maioria.  Cada um com uma história, mas todas convergem na busca por algo que vai além. (Mais pra frente escrevo mais sobre esse assunto) No bar, depois de uma taça de vinho  e uma smirnoff ice o meu inglês começou a fluir que é uma beleza, até eu trocar “toys” por “boys”. Falando em brechas com o inglês, na sexta-feira fomos ao restaurante mais famoso aqui de Cape Town, que reúne os pratos mais típicos de toda África. E quando o pessoal estava discutindo sobre qual pub iríamos depois do jantar, sugeriram um bar irlândes (Irish pub), mas eu entendi Orange Pub! E saí falando pra mesa toda que iríamos no Orange Pub! Oh my God!

O Mama África é um restaurante bem bacana, o preço é acima dos valores comuns aqui, mas vale a pena a experiência do lugar, da música bem típica e dos pratos alternativos da África. No cardápio: carne de crocodilo, springbok (tipo uma cabra/gazela), avestruz,  javali (sabe o pumba do O Rei Leão? Então, aqui você pode comê-lo), mas também tem bife, curry de frango, e outras coisas mais comuns. Lembra daquele avestruz que eu mostrei em um dos primeiros posts aqui? Então… comi!

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Os pratos são servidos com uma polenta e um tipo de grão que parece um milho ou feijão branco.  Me chamou a atenção a sobremesa aqui, senti o gostinho de Brasil: um tipo de pudim com coco que parecia um bolo de milho, não sei explicar mas lembrou festa junina. Curti!

Depois do Mama Africa, que fica na Long Street, a mais badalada avenida de Cape Town, fomos para o Irish Pub, que não era orange, e se chama Dubliner! Muuuuito bom!  Como havia dois caras tocando juntos e o ambiente tinha um estilo meio country, a primeira impressão era de uma balada sertaneja, mas a música era bem variada e teve até Backstreet Boys para o delírio do público feminino (“I want it that way ♪”)!

No sábado fomos para o Hout Bay Market, uma feira de artesanato e comida bem diversa! Um lugar meio caro pra comprar, mas com muita coisa boa e legal de olhar e de experimentar. Foi lá que tomei meu primeiro sorvete aqui (demorô)! Aai que delícia! O sabor faz a plaquinha que estava na barraca ter todo o sentido!

2014-08-30 13.03.11(Você não pode comprar felicidade, mas você pode comprar sorvete, e é a mesma coisa!)

Fui novamente à missa aqui na Igreja de São José, que fica em Kommijtie. É incrível como a gente se sente muito mais em casa quando recebe a eucaristia, ainda mais quando a música de comunhão é a “A Barca”, em inglês.

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E meu último domingo por aqui está acabando nesse momento em que eu escrevo esse post. Dia lindo! Passamos a manhã em Long Beach (É  Praia Grande, mesmo! Mas não é como a praia paulista) e no almoço comi o famoso “Fish and Chips”, peixe com batata frita, herança inglesa aqui na África do Sul. Uma combinação não muito familiar para nós no Brasil, mas que aqui é tipo cachorro-quente e pastel em São Paulo, tem em qualquer lugar. Muito bom!

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No fim do dia: um piquenique na beira da praia na companhia dele: o pôr do Sol! E piquenique com direito a vinho na caneca!   Como disse a Beth, voluntária inglesa, foi tudo muito romântico só faltou um par pra cada uma, rsrs.

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Pra fechar a noite no clima romântico, chegamos em casa e estava passando “P.S I love you” na TV. Oh my God! Agora vou dormir porque amanhã começa minha última semana aqui em Cape Town. Vontade de ficar mais tempo não falta, mas como diz a Candi,  o “voltar pra  casa” faz parte da vida, e que bom que temos para onde retornar. Bom, mas sobre despedidas a gente conversa no próximo post!

Natália Paula

Natália Paula

Encontrou no trabalho voluntário a oportunidade para seu investimento fosse além do benefício próprio e gerasse uma troca: troca de cultura, experiências e de afeto

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