Família

Desde que me conheço por gente, família veio antes de tudo e qualquer coisa pra mim. Na hora de pensar em fazer um intercâmbio, considerar a distância e a falta que eu sentiria deles foi um dos grandes pesos que me manteria no Brasil, mas por fim notei que muitas vezes temos que escolher entre razão e coração. O que eu não esperava, de maneira alguma, era que eu podia ficar com os dois.

Eu tenho uma família aqui agora. Um pedaço do meu coração ainda está no Brasil, com meus amigos e meus familiares, porém sentada aqui na sala, ouvindo meu irmão de sete anos rir de Bob Esponja, é que eu entendo que na vida nos conectamos com pessoas que, mesmo sem ser do mesmo sangue, se tornam parte da gente. Como comentei no post de apresentação, eu sou originalmente filha única, mas aqui nos Estados Unidos, eu sou só a única garota da casa, além da Sadie, claro.

Meu lar aqui é composto por A) Chris, meu pai. Com quarenta e dois anos (por aí), ele é praticamente como um herói em pessoa. Bombeiro e enfermeiro, ele é engraçado, conhece praticamente todo mundo e cozinha mega bem. No meu país, minha relação com meu pai é como de melhor amigo, e foi maravilhoso poder vir pra cá e ter essa mesma relação, uma vez que ele me apresenta para todos como filha e nós conversamos sobre tudo. B) Candace, minha mãe. O aniversário de trinta e nove anos foi uma semana atrás, e eu posso dizer que mal daria trinta anos pra ela. Candy, como todos a chamam, é uma pessoa incrível, que ama comidas naturais (a gente tem nossas diferenças, né?) e que é apaixonada por Deus e pela vida. Ela também me apresenta como filha e diz que não vai me deixar ir embora nunca mais. C) Noah, Andrew, Aaron e Levi. 15, 12, 12, e 7 anos. Esses meninos são a minha vida agora. Eu acho que lembro da primeira vez que ouvi um “I love you” do menor, e depois os outros só seguiram ele. O mais velho joga nos times de todos os esportes para a escola, e os outros estão seguindo os passos dele também. Todos são muito inteligentes e engraçados e eu confesso que não passo um dia sem morrer de rir com eles. D) Sadie, a cadela que pensa que é um chihuahua, mas na verdade é uma Weimaraner enorme que tem uma paixão inexplicável por lancheiras. Já houve umas quatro vezes que eu cheguei em casa e, no tapete da sala, a linda estava se divertido com os pedaços estraçalhados de plástico.

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Chega a ser engraçado como as pessoas não acreditam que eu realmente sou uma estrangeira e que não, não sou a irmã/filha/neta/prima, e se foi sorte ou destino, eu não sei. A família que eu estou nesse momento é como se fosse minha desde… bom, desde sempre.

Pra vocês por aí que estão preparados para fazer intercâmbio, espero muito que tenham a mesma sorte/destino que eu.

Bianca Geisler

Bianca Geisler

Bianca Geisler é de Porto Alegre (RS) e já publicou um livro no Brasil. A adolescente embarcou para os Estados Unidos no programa de High School, estudando em uma escola americana, morando em uma cidade pequena, no Arkansas, com quatro irmãos, pais e uma cachorrinha apaixonada por lancheiras.

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