Knysna Elephant Park

Era uma da tarde do sábado quando desembarquei em George, Africa do Sul, depois de conexão em Johanesburg (ou Joanesburgo). Laurie, canadense, no local como voluntária pela segunda vez, estava lá para me pegar e seguirmos para KEP. O Knysna Elephant Park fica a pouco mais de uma hora do aeroporto, e o caminho serve tanto para ambientar a paisagem local como a parada estratégica no supermercado para me abastecer durante a semana.


O trabalho voluntário no parque envolve diferentes tarefas de manutenção e pesquisa.  O dia pode começar com jardinagem e acabar tentando arrumar o computador, se você souber como. Localizado na entrada da Garden Route , O KEP é um espaço de pesquisa e conservação de elefantes, parte da AERU. Escolas, visitantes e estudantes estão ali para conhecer os animais.

Você, como voluntário, tem uma convivência maior, acompanha procedimentos veterinários, participa da pesquisa aprende a diferenciar os bichos e se apega a eles. Elefantes vivem a pastar, tem seu humano favorito, são dóceis, mas como todo animal selvagem, podem machucar bastante alguém, por isso uma série de regras de comportamento em campo são mantidas.

O dia deles começa caminhando pelo parque. Quem está escalado para campo no primeiro turno (das 6h30 as 8h30) vai ver o relevo africano ainda coberto com névoa enquanto anota o comportamento dos animais. De cinco em cinco minutos anota-se na planilha se os ellies (apelido carinhoso) estão pastando, brincando, apenas em pé, qual movimento estão fazendo com a tromba; Geth, voluntário galês, me informou que ela tem mais de 130 mil músculos. Isso faz parte da pesquisa que o parque mantém sobre os hábitos do animal em semi-cativeiro. Os elefantes ali vieram de outros parques, do circo, de criadores estranhos e até um deles nasceu por ali. São doze animais no total e cada voluntário descobre sua tática para saber qual é Thandi e qual Nhandi, e como diferenciar os pequenos Thato, Mashudu e Shungu, entre três e cinco anos, um metro e setenta e um e noventa.

Se o turno começa na Boma, local onde os elefantes dormem, a tarefa é retirar os galhos que são colocados à noite como pequenas árvores e saem do local como palitos de dente. E também, o que carinhosamente apelidei de “the joy of dung sampling”: retirar amostras de cocô. Procura-se o monte mais fresco e enfia a mão na m•e•r…. (de luvas) para sentir se está quente. Se estiver você enche um tubo de ensaio. As vezes, quando revirado, o monte deixa escapar uma fumacinha. Outra particularidade do trabalho é que os homens geralmente evitam a jaula de Harry, o macho alfa do bando, pois sentem forte o cheiro de testosterona na urina.

As atividades também incluem cortar abóboras, laranjas, cenouras, beterrabas e maçãs para os bichos. Era uma das minhas favoritas, ficar lá treinando golpes ninja (você tem que cortar de uma vez) e ouvir as mulheres falar em xhosa, uma das línguas locais.

O lema do parque é “seja tocado por um elefante”, mas você é tocado pelas pessoas, dizia Alyson, voluntária da Australia. A convivência com os guias e as mulheres que trabalham ali traz a realidade das redondezas. Os homens vêm, em sua maioria, do Zimbabwe ou Malawi. Já trabalhavam com grandes animais e imigram para a Africa do Sul pela melhor remuneração. A maioria das mulheres é local e mora em alguma dos conjuntos habitacionais das redondezas. Além das conversas em campo e na Boma, rolam programas extra-parque como visita ao coral local na missa de domingo e futebol na quebrada com a rapaziada.

Os voluntários em nacionalidades variadas, a maioria europeus. No meu grupo estavam um alemão, uma francesa, um galês, três ingleses, uma canadense e uma americana. O período de folga vai da sexta-feira a tarde ao domingo, assim alguns se juntam para viajar pelas redondezas, passeios para as praias próximas, visita ao mercado local onde se compra de compotas a flores e diferentes tipos de artesanato.

No último dia no parque o voluntário pode dormir no Lodge, o pequeno hotel que fica dentro da Boma, com uma vista linda para o amanhecer. Também ali é possível ver os elefantes a noite, acompanhar como dormem (alguns deitados, os maiores em pé). De manhã, como despedida, você vai dar um rolê montado nos elefantes juntos com os guias, rolê delicioso e inesquecível.

Texto por Renata Simões
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