London Calling


Minha mania de deixar tudo para cima da hora é meio proposital, admito que é meio arriscado, mas evito ao máximo fazer tudo tão planejado por motivo simples: depois de algum tempo em uma cidade colhendo dicas, é normal a mudança de planos e isso faz com que um roteiro pré-estabelecido tenha que ser alterado. Mas nada impedia que eu providenciasse com alguns dias a mais de antecedência minha passagem pra Londres.

Quando comecei a pensar nisso, descobri que já não havia disponibilidade para o período desejado, feriado de páscoa, resultado: I ida de ônibus foi a única alternativa que me restou, e sofri as consequências por isso: um atraso cerca de 1:40hs na partida, isso mesmo! Lembrei então do meu castigo lá em Paris. Franzi a testa: será que a história se repetiria? Como vai ser a chegada em Londres? Fiz as contas e cheguei a conclusão de que por causa desse vacilo da companhia de ônibus (justificado por um congestionamento nas rodovias em virtude do feriado) eu só teria 20 minutos lá chegando para pegar o metrô que fechava às 01:00hs. Mas como no final tudo dá certo, não quis me preocupar com isso na hora, tinha 4 horas e meia de uma enjoada viagem de busão pela frente. Não que eu enjoe, isso seria muita frescura, mas desde que encarei 22 horas de calvário num ônibus sem ar condicionado em pleno verão entre Buenos Aires e Porto Alegre sentado ao lado de um “hermano” obeso, nas ultimas férias, deslocamentos rodoviários com mais de 2 horas me são sofríveis…

Mas até que eu estava com um bom-humor daqueles em que nada parecia ser capaz de me aborre-cer, a paisagem também colaborava; tal como acontecera nos últimos dias, o pôr-do-sol fortemente alaranjado em MCR trazia de brinde uma garoa bem fininha. Combinação daquelas que não se vê sempre, logo começa a estrada e com ela, meu hábito infantil de provocar o sono da viagem contando vaquinhas ao longo do caminho, bem… como aqui não tem vaquinhas conto ovelhas mesmo!

Quem acompanha meus posts sabe que minhas piscadas em estado de sonolência são duradouras, e esta última parece ter durado algumas horas, não faço a mínima idéia de onde estou, em que altura, quanto tempo falta, mas algumas mulheres retocando a maquiagem no ônibus deixam claro que a vigem deve estar em seus minutos finais. Alguns minutos me separam daquela cidade que há alguns anos mexe com minha curiosidade. Todo mundo fala tão bem de Londres, espero confirmar essa expectativa! Chegada na Victoria sattion choach, tudo sob controle…20 minutos são mais que suficientes para atravessar apenas uma rua e entrar em Victória station e descobrir qual combinação de linhas que vai me levar pro destino final. Não disse que no fim dá tudo certo?

Começo minha rodada de abordagens atrás de uma informação precisa sobre como chegar ao meu destino. Na primeira, um alívio; aqui eles não falam aquele rasgado do Norte, agora sim, deu pra perceber que meus dias de curso no pais do “fish’n chips” surtiram algum efeito; a comunicação já não é tão traumática como em MCR, informações obtidas, entro no metrô, observo tudo à minha volta nos mínimos detalhes; etnias, gestuais, vestimenta, comportamento, cores de cabelo… Num só vagão posso detectar gente de vários cantos do planeta das mais variadas culturas…do punk ao nerd, passando pelo “Mohammed” e a patricinha, gente engravatada voltando da “HH” exalando aquele bafo de álcool que logo toma conta de todo ambiente… cenário clássico de uma noite de véspera de feriado em uma grande metrópole… todos sentados lado a lado, convivendo harmonicamente. Babel é aqui, e viva as diferenças!!!

Bom, ainda não expliquei onde vou ficar hospedado…pergunto: Você trocaria o conforto de uma caminha bem forrada num quarto de hotel por um colchão de molas improvisado no corredor do apartamento de 2 quartos onde moram 5 amigos de amigos em comum que você nunca viu? Eu também!…e não me arrependo!! Nessa hora, não precisa ser amigo de infância não, me acomodo sem o menor problema na casa de qualquer uma boa alma hospitaleira, em troca as portas de meu cafofo sempre estarão abertas! Só quem viaja sabe o valor que isso tem…

Thiago, Ed, Adriano, Felipe, e Manolo (um francês retirante tentando a vida por aqui), dividem um ap no extremo leste de Londres e me receberam com uma hospitalidade digna das encontradas no caminho de Santiago de Compostela e me trataram como se fosse da casa. O que eu preciso mais? Acertou: Balada, e amanhã é dia! Noite de quinta, tô “moido”, quero um chuveiro e alguma coisa pra comer, 02:30hs não são horas de cozinhar… tenho todo feriado da páscoa para saber o que tem por aqui, “do underground ao mainstream” como disse o D2 em um música que eu não lembro o nome agora.

O dia começa com um rolé por alguns lugares recomendados; fora aqueles clichês como palácio de Buckingham, não vi a troca de guarda… me recuso a acordar antes de meio-dia nas férias e sinceramente, não vejo muita graça naquilo. Conheci o Hyde Park, onde acontecem muitos shows lotados de gente que se esparrama pelo gramado em numerosos piqueniques nas épocas de calor. Clichês a parte, tive que ir até a famosa faixa de pedestres da Abbey Road tirar a famosa foto da capa do célebre disco do homônimo dos Beatles, os 4 enfileirados sobre a faixa de pedestres. É muito engraçado ver a impaciência dos motoristas, devem ver sempre aquela movimentação de “turistas-pentelhos” atrapalhando o trânsito. Mas o ponto alto do dia foi um lugar onde se encontra gente “doida” dos mais variados tipos: Candem Town, bairro preferido de Amy Winehouse tem lojas de artesanato, camisas de bandas de rock, comidas típicas de vários países, souvenirs dos mais variados, artistas de rua, músicos e vários pubs animadíssimos com bandas de rock de várias vertentes. Não dá pra não conhecer!!!

Meu primeiro contato com a noite Londrina começou pelo alto, graças a ótimos contatos, consegui um VIP numa boite top top da cidade; “Amika”, ponto de parada dessa galerinha do show bizz fanfarrão quando vem a Londres: rappers, atores, celebridades etc.. onde uma garrafa de champagne pode custar 500£. Não é a minha praia, definitivamente. Mas um lugar onde tem muita, (muita mesmo) mulher bonita e musica eletrônica de primeira, não pode ser mal, vou mantendo o controle com minha boa e velha cerveja, gostei da noite!
No segundo dia, fiz uso assim como no primeiro, do “one day pass” 5.60£, passe de metrô válido por 24hs com número ilimitado de viagens nas estações que se encontram até o limite da zona 2, pouca coisa fica fora desse raio, vale a pena. Assim, começamos o dia por Nothing Hill, e sua famosa feirinha de antiguidades, e tome “bizarre food”, na falta de um prato tipicamente inglês, a feirinha oferece comida de todos cantos do mundo…hoje foi dia de muito pão com linguiça, quiche de ricota e crepe de Nutella como sobremesa…haja estômago!!! O meu é bem treinado…nunca me deixa na mão, apesar dos maus-tratos.

O fim do dia foi de caminhada sem destino certo…aqui e ali, decidindo tudo em cima da hora, bem do jeito que eu gosto, consegui dar “um confere” na movimentada Picadilly Circus. Aproveitei pra esticar a noite num conhecido pub irlandês chamado O’Neills. Segundo os caras daqui, existem vários tipos com a mesma marca, uma espécie de rede, recomendo também um muito bem falado, chamado Green Man. Pubs irlandeses são mais animados que os ingleses, gente bêbada, risos, sinos tocando, futebol na tv, e o que mais gosto nesses lugares: nas horas das canções mais tradicionais, muita gente cantando em coro (com intenso entusiasmo alcólico), num clima desse, não tenho coragem de beber outra senão a “Guiness”.

Dia seguinte, depois de uma panela de penne a bolongesa em casa no almoço (não se estava tão bom ou se foi fome mesmo) consumido com voracidade por todos nós, saímos de casa no meio da tarde rumo a estação Westminster, ainda falta conhecer a London Eye (maior roda-gigante do mundo) e o ícone monumento que é o símbolo máximo de Londres: O Big Ben. O bom de se estar em frente a um monumento famoso, é uma sensação impagável, um tipo de flash back, um filminho compilado passa na cabeça; filmes, desenhos animados, documentários , seriados, e ele; o tal monumento está aqui na minha frente, momento pra ser curtido, dia pra ser lembrado, me permito sim ser deslumbrado nessas horas, mas um dia bem aproveitado. Esta noite? Chove muito… variar um pouquinho; pub inglês, lugar de rock ambiente, não tão alto, alguns contam com lareiras, decoração mais requintada, futebol na tv e discussões exaltadas sobre futebol, daquelas que o sujeito aumenta o tom de voz na discussão fica vermelho e você até pensa que vai terminar em porrada, mas não acontece… discussão por futebol é isso mesmo!!

Último dia, acordo cedo, não dá pra ver muita coisa, mochila fechada as pressas (com tudo socado de qualquer maneira, no melhor estilo “mala da volta”), rumo a estação pra pegar o bus, na estação mesmo: café, croissant e muffin de limão. Não sinto fome nas próximas cinco horas, em casa eu como melhor!

Ficaram faltando alguns programas, como a troca de guarda, (diáriamente às 11 da manhã), uma “squat party” (festas organizadas em casas abandonadas com poucas horas de antecedência; no improviso, amigos combinam ligam uns para os outros pra divulgar). E uma festa a fantasia que róla aos domingos chamada “The church” que acontece num lugar onde funcionava uma igreja.
Brincadeiras a parte, uma certeza; minha trip precisava de uma pimentinha (trocadilho infame no pais do curry e do BBQ), tava meio sem emoção a vida só no interior, urbanóide convicto, me dei um belo presente. Volto na sexta, dia 9, parto de Eurostar pra Paris na tarde de sábado onde encerro minhas férias… ta acabando…penso nisso semana que vem…melhor!!

Assunto pro proximo post…

Saudades!!

Rodrigo Ximenes

Rodrigo Ximenes

De Consultor a Viajante. O Rodrigo vai embarcar em uma viagem de conhecimento e lazer pela Europa e voltará com bagagem cheia

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