Mais sobre o hospital


Uma das coisas que eu mais estranhei ao trabalhar no hospital foi a ausência de pais ali. Poucas foram as crianças visitadas nos dias em que estive lá. Com o tempo, a gente acaba descobrindo um pouco da história de como elas fora parar ali. Muitas têm vidas complicadas, com casos de uso de drogas e alcoolismo na família e pais que não podem garantir os cuidados básicos para que a saúde das crianças continue melhorando, como doses diárias de remédios.

Muitas têm problemas sem cura, como o HIV e deficiências físicas e mentais. Muitas têm problemas que vão marcar para sempre, como abuso familiar. No entanto, elas ainda não sabem disso. E brincam, correm, brigam, choram, e fazem a maior bagunça como qualquer criança. Hoje, uma delas aprendeu uma mais duas palavras em inglês (quando eu cheguei lá, ela só falava xhosa e no máximo um “bye bye”). Agora, tenho que adivinhar quais dos brinquedos, berços, crianças, comidas, enfim… todas as coisas possíveis, é o “this one” que ela tenta me falar.

Natália Becattini

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