Meu dia-a-dia em Kathmandu

Tapai lai kastotchao? (Como estão?)

Namastê é  usado como ‘oi’, ‘bom dia’ e uma série de cumprimentos! Portanto se fala O DIA TODO!

Confesso à vocês que estou cada dia mais envolvido com tudo isso e deslumbrado com a magia que existe na atmosfera dos lugares por onde ando aqui. Seja pelos projetos, pela cidade empoeirada e com a organização completamente caótica de todos e aqui em ‘casa’ mesmo!

Acordo todos os dias por volta das 05h20 da manhã, tomo meu banho (tem água quente!). Desço para a aula de Yoga e depois  tomo meu café da manhã e sigo para o orfanato.

No orfanato, faço Yoga com os pequeninos, e leciono sobre algumas cores, nomes de animais e brincamos.

Outro dia um pequenino veio correndo em minha direção com um livro e sentou no meu colo como quem diz: “Leia para mim?”. Quando abri o livro e ia começar a ler….putz…ví aquele monte de símbolos, e agora? Tudo em nepalês!!
O menino, começou a apontar as fotos! Tinham uns 5 tipos de baleia e toda vez que ele apontava eu dizia “baleia!”, outra foto e de novo “baleia”, outra “baleia!” 10 minutos de baleias depois consegui chamar a atenção dele para um livro de colorir! Ufffaaa…

Depois do orfanato volto para o camp e ajudo na cozinha com o preparo do ‘rango’. Muito engraçado. Não entendo uma palavra do que a Kedar (cozinheira) fala.  Ela me aponta as coisas e faz gestos com as mãos e já sei o que fazer, quando não, faço com que ela me entenda. Ela é uma fofa e acabou de aprender a falar “Tudo bem!” e “Oi”.  Hehe.. Nos entendemos muito bem, do nosso jeito.

Depois do almoço, todos os dias, temos  meia hora para planejar nossas aulas para o restante do dia e para o dia seguinte. Cada projeto tem um executivo responsável que também atua como nosso instrutor.

Sigo para a aula de inglês com reabilitação feminina. Neste programa visito senhoras entre 38 à 57 anos, exceto 2 garotas (16 e 14). A maioria delas não sabe escrever nem em sua própria língua (nepalês). No camp temos materiais para uso em classe, como cartazes com fotos de frutas e vegetais além de canetas, folhas de papel A4 e uma série de outros  itens que podem nos ser úteis.

Venho ensinando os dias da semana, os nomes dos vegetais e das frutas. Faço elas soletrarem e repetirem cada uma delas. São todas muito queridas e dedicadas. Tentam fortemente falar tudo de forma correta e adoram uma brincadeira. Sentirei falta delas.

Depois tenho que ir para o orfanato novamente. O ‘camp’ fica à 5 minutos andando da sala de aula , volto, deixo o material que usei em classe e sigo para o orfanato novamente.

As aulas geralmente são 16hs. Fico até as 17h30, nas atividades. Eles ADORAM fotos! Acho ótimo pois aproveito para tirar as minhas fotos e postar algumas para vocês.

As crianças são ótimas, muito educadas e o que mais me toca é ver que elas acabaram de me conhecer e quando me veem já vem me abraçar e não desgrudam mais. Fico realmente emocionado de ver isso, sentir todo esse carinho e da forma tão pura e inocente. Meu trabalho é basicamente retribuir tudo isso, brincando com elas, cuidando delas para que não se machuquem, fazendo tolice entre outras coisas nas quais tenho ENORME prazer!

Na volta para o orfanato, tenho a opção de voltar a pé ou de tuk-tuk. Na maioria das vezes vou e volto a pé mesmo. Quando não, vou a pé e volto de tuk-tuk, para chegar logo a tempo de ajudar na cozinha com o jantar. O único problema de fazer o trajeto à pé está na poeira mesmo, por isso muita gente usa máscaras cobrindo nariz e boca nas ruas. Preciso comprar a minha!

Jantamos todos juntos, haja vegetal! Preciso dizer que estou em uma dieta vegetariana ‘forçada’ . Sempre AMEI carne bovina e desde que viajei comi muito pouco frango e em raríssimas ocasiões. Mas algo me diz que estou gostando da ideia. Afinal, é temporário, então porque não mergulhar de cabeça nos hábitos e cultura da população do lugar onde estou vivendo há 2 semanas. Então vamos que vamos!!

Este final de semana que passou eu, Martina e Judith  fomos a Pokhara! Um vilarejo no arredores dos Himalaias!

Já havíamos lido sobre o lugar e tivemos ótimo feedback de uma turma que já tinha ido. Perguntei ao Nivedan, daqui da Idex, que nos disse que poderia ver tudo para gente. O que preferíamos, afinal não correríamos o risco de cair numa roubada. Como o projeto aqui é super novo (iniciou em Abril) ainda passa por alguns ajustes que envolvem estrutura, o que eles fazem é entrar em contato com a matriz na Índia e de lá recebem a cotação para uma agência daqui.

Apesar do Nivedan fazer as cotações via Idex, avisamos que  íamos até o centro fazer uma pesquisa entre as agências locais (existem inúmeras e precisa ficar muito atento com charlatões), e então poderíamos ter uma visão maior do que o passeio oferece e conseguiríamos comparar os orçamentos escolhendo o melhor custo benefício.

Fizemos 4 orçamentos e quando paramos para jantar, acabamos fazendo amizade com o dono do restaurante que ocasionalmente é dono também de uma agência de turismo, ou seja, retornamos com bastante material.

No dia seguinte, nos reunimos com Nivedan, fizemos todos os cálculos e comparações e resolvemos não fechar pelo Idex. Fechamos com uma agência chamada Asia Heritage.  Ficou bem mais barato (grana já encurtando!) e nos pareceu seguro. Um risco eu sei, mas resolvemos ver no que ia dar!

Chegamos em Pokhara e o lugar é LINDO demais! Passeamos pelo vilarejo, andamos de barco no lago, até tomei banho de cachoeira. No dia seguinte às 5h manhã acordamos para observar os Himalayas ao nascer do sol. Um verdadeiro espetáculo da natureza!!

Claro que compramos algumas coisinhas e seguimos de volta  para Kathmandu. Ficamos 2 dias e 1 noite lá. No total a viagem tem 6 horas de estrada. A  paisagem no caminho é linda demais e repleta de campos com plantação de arroz.

Em Pokhara há um refúgio tibetano muito grande, o que foi muito interessante visitar. Almoçamos “Momos de frango” nos 2 dias! Aliás DELICIOSOS! É muito parecido com o que os japoneses chamam de Gyoza sabe? Cozido no vapor!  O que difere é o recheio. O tempero e o sabor  é completamente diferente, o molho que vem acompanhando é super picante. Aliás, o que é picante? Achei que eu suportaria tranquilamente comida picante… Até chegar aqui!

Amanhã começa o Dashain Festival o maior e mais longo de todo o Nepal. O evento vai de 16 à 29 de outubro! Ainda não consegui entender bem sobre o que se trata, mas no próximo post falo tudo em detalhes para vocês!!

Thandevan! (Obrigado)

Bholi bhetoila!! (Até amanhã!)

Gabriel Canellas

Gabriel Canellas

Paixão por cozinhar e viajar! E também...COMER! Canellas considera muito importante provar os sabores dos lugares que visita. Nessa aventura além do Himalaia, serão 2 semanas de trabalho voluntário no Nepal e uns dias na Índia, passando por Delhi, Varanassi e Agra. Acompanhe a fantástica experiência.

Receba Nossa Newsletter

Cadastre-se e fique por dentro de todas as novidades e promoções da CI.

Your Header Sidebar area is currently empty. Hurry up and add some widgets.