Meus bebês

Ai gente, é tão difícil não se apegar às crianças… Tenho ficado todos os dias com os bebês e é um mais lindo do que o outro! Já tenho meus preferidos né, aqueles que fico de 10 em 10 minutos checando, pegando no colo… Preciso avisar vocês que pensam em participar do Hope Journey que eles são uma fofura. Quando vim achei que ia ficar num hospital mesmo, sério sabe? Cheio de regras e com crianças tristes e fraquinhas. Mas o clima no hospital é ótimo! Lá é um centro de recuperação, as crianças vão para lá para fazer a transição entre o hospital e a casa da família, portanto já estão mais saudáveis e ficando fortes quando se mudam para o hospital Sarah Fox. Então sempre damos comida, levamos todas as crianças para o playground e eles brincam e riem o tempo todo! São super bem alimentados, aparentam serem bebês saudáveis como qualquer outro aí do Brasil. É claro que alguns casos são mais graves. O meu preferido (que horror falar assim, mas criei uma afeição enorme por ele!) chegou no hospital com apenas 20 dias. Tão pequenininho e magro, dava até medo de pegar no colo, mas agora não largo um segundo hahaha.

Uma coisa que eu acho boa lá é que a gente não sabe o que cada criança tem. A maioria tem AIDS ou Tuberculose, mas é bom que a gente não saiba né, pra não diferenciar o tratamento. E as medidas de segurança são tomadas com todos, sem exceção. Por exemplo, se uma criança sangra o nariz ou corta a boca, ela é isolada dos outros e a enfermeira é chamada na hora. Se nós mesmos formos limpar precisamos usar luvas.

Pena que não é bem assim, uma vez que eles sempre pegam comida da boca do outro, um vomita e o outro rola em cima… Enfim, crianças né? Isso me assusta um pouco, sempre fico meio nervosa, mas não temos como evitar esse tipo de contato em um hospital onde 20 bebes e 30 crianças convivem o tempo todo, todos os dias. Acredito que eles fazem o que podem, apesar de cair sempre na mão dos voluntários limpar os vomitos, virar os bebês. Com o tempo elas estão tão profissionais que não rola um carinho, um cuidado.. eles pegam os bebês pelo braço, largam chorando no berço… Nos primeiros dias ficava brava com isso, inconformada, mas hoje entendo 100%. Não é nada fácil fazer o trabalho que eles fazem, tomar conta de tantas crianças, cumprir os horários, dar os remédios… Por isso que nós voluntários somos TÃO necessários! Pra dar carinho, se preocupar só em pegar no colo, dar de mamá, fazer carinho, ficar fazendo cócegas. Enfim, tenho esmagado todas essas fofuras o dia inteirinho e quando chego em casa já sinto saudades! Me apeguei e já percebi que vai ser bem difícil ir embora, mas faz parte né? O importante é pensar sempre neles, em fazer esses dias serem os melhores possíveis para eles. A minha dificuldade em deixar pra trás depois vai servir como aprendizado e amadurecimento e daí a gente vai seguindo a vida. Essa não será minha última vez num projeto desses, isso eu tenho certeza!

Venham, vale a pena em todos os sentidos!!!

Marina Loretti

Marina Loretti

Marina é estudante Cinema. Vai passar um mês em Cape Town trabalhando em um hospital infantil como voluntária. A recompensa será imensurável.

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