No caminho das pedras…


Belfast, madrugada, 2 horas da manhã. Sem lugar para dormir, mochila nas costas e muita adrenalina correndo pelas veias. E agora? Information centre fechado, sem mapa! Nada de desesperos!

Antes de mais nada, gostaria de manifestar a minha incompreensão acerca da imigração aqui no Norte da Irlanda. se aqui é outro país, pq não tive que mostrar meu passaporte pra ninguém? Ainda não sei! Pois bem, cheguei na capital do quarto pais da viagem.

Vamos lá…

O ônibus nos deixou em um ponto próximo da estação, que já estava fechada. Andei até a avenida principal (pelo menos parecia) e me dirigi ate um luxuoso hotel. O gerente estava na porta e eu perguntei para ele onde poderia encontrar um 4 b`s (bom bed and breakfast barato). Na rua de trás! E lá fui eu. Passei na frente do local, mas estava tudo apagado e tinham umas meninas muito feias próximas da porta. Voltei para o hotel e perguntei quanto era a diária. 120 pounds a mais barata e não tinha mais nenhum quarto disponível!

Não é que o cara começou a ligar pra tudo quanto ‘e hotel na cidade? Fiquei ate encabulado! Infelizmente estava tudo lotado, foi aí que ele falou para eu ficar sentado num sofá do hall de entrada ate dar a hora do Youth hostel começar a atender. Sentei no safa e me senti uma formiguinha perto da galera ricaça que entrava e saía do hotel nuns carrões sobrenaturais. Pra completar o gerente ainda perguntou se eu aceitava um chá, café ou chocolate quente. Estava tão constrangido que fiquei só no copinho com água mesmo. Percebi um mapa sobre o balcão da recepção. era gratuito! Tinha o endereço de todos os hotéis da cidade. Deixei minha mochila no hotel e fui andar um pouco. Voltei ao bed and breakfast que estava fechado e reparei que tinha uma campainha na porta. Toquei e meia hora depois já estava num maravilhoso quarto dormindo um sono profundo!

Que aventura, mas logo vocês entenderão porque não dormi em Galway.

De manhã, já com o mapa, fui ao information centre e tomei um tour para Giant’s Causeway. O tour era só para o lugar mesmo, porem o nosso guia deu bastante informações sobre alguns pontos legais da cidade. Uma das coisas que reparei em relação ao resto da Irlanda, é que Belfast tem o ar do Reino Unido, as ruas são diferentes, as coisas parecem ser mais organizadas por aqui, por exemplo a fachada dos prédios.

Ah, novamente chuva! Mas quando chegamos em Giant’s Causeway e o tempo estava perfeito, estranho não? Mas ilha ‘e assim mesmo. Na Irlanda e na Grã-Bretanha chove d+ por causa da alocação geográfica dessas ilhas, já que elas estão numa posição estratégica entre o oceano (umidade) e o continente seco.

Bem, pelas fotos que tinha visto, eu não esperava muita coisa desse passeio, mas a partir de hoje eu recomendo para todos que visitem a Irlanda! O lugar ‘e maravilhoso! Tirei uma mil fotos por lá! hahaah Tudo muito lindo, uma beleza diferente!

A principal atração do lugar é o conjunto de formações rochosas perfeitamente hexagonais. Algumas dessas rochas são como colunas de mais de 3 metros de altura, um espetáculo! Por incrível que pareça é natural! Difícil de acreditar? Você ainda pode escolher ficar com a lenda que diz que um gigante construiu aquele caminho de pedras cortando o mar para chegar na sua amada, na Escócia.

O lugar também impressiona pela beleza dos costões verdes que contrastam com o intenso azul do mar. Uma americana chamada Ruth me ajudou a tirar umas fotos no local. Viagem sozinho é assim, o apoio da galera é vital em certos momentos.

Andei bastante pelo local e voltei para o ônibus na hora combinada! No caminho de volta, passei por um lugar que tinha uns turistas tirando umas fotos, na mesma hora me vi sentado na cerca olhando para o mar e tirando aquela foto que seria um diferencial! mas tava cheio de gente e decidi ir embora, quando cheguei no ônibus, percebi que ainda faltavam alguns minutos para a partida. O que vocês acham que eu fiz?

Isso mesmo, voltei para o tal lugar para tentar tirar aquela foto que não saía da minha cabeça! Corri feito um desesperado e o pior é q eu estava no contra fluxo da multidão. Cheguei no local, que já estava vazio, armei o tripé e mandei ver! A foto saiu melhor do que o que eu tinha na minha mente! Voltei correndo para o micro bus. Suei todinho, mas é como diz aquela velha frase:

Acorde arrependido, mas nunca durma na vontade!

O inglês falado pelo nosso guia era muito difícil de decifrar, porem mais uma vez uma senhora que estava atrás de mim me deu aquela força para pedir ao motorista para parar próximo ao porto, pois eu precisava tomar o ferry boat, agora chegou a hora de ir para a Escócia!

Lá estava eu indo pelo caminho das pedras do gigante!

Com toda essa correria, precisava me comunicar com alguém no Brasil, para dizer o meu paradeiro. Procurei o internet place no ferry boat, mas eles só tinham acesso para wi-fi. Foi aí que, batendo um papo com um malasiano que conheci na fila de embarque do ferry, fiquei sabendo que ele tinha o bendito laptop. Não precisei nem falar nada, ele já foi ligando e eu usei por uma hora! Uau, como uma coisa liga outra, não é?

E lá vamos nós para o quinto e último país dessa aventura!

Ah, se eu tivesse dormido em Galway e pegasse o ônibus no outro dia de manha, só chegaria em Belfast na hora que o pessoal do tour já tivesse saído, então perderia Giant’s Causeway. Um verdadeiro pecado! Valeu o sacrifício e eu ainda conheci um lado bem humano do pessoal do Norte.
Galeria de fotos:

Eber Guni do Nascimento Santos

Eber Guni do Nascimento Santos

São muitas aventuras do Mochileiro e Viajante Eber pelo mundo. Desbravando a América do Sul e a Europa com vivências inspiradoras registradas aqui.

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