O abismo que separa os famosos das pessoas comuns…


A verdade é…

Não sei se estou conseguindo passar pra vocês todo o poder da experiência que estou vivendo aqui. Creio que se eu escrevesse sem parar, nem assim conseguiria. A cada dia são novos aprendizados, novas experiências. Eu percebo que já mudei bastante em apenas uma semana. A minha mente tem absorvido tudo, pois quase tudo ‘e novo para mim. Tenho racionalizando bastante acerca das coisas que tenho visto, ouvido e sentido. Mas uma delas me marcou de uma forma diferente.

Ontem foi especial por muitas razões. Visitei o museu Madame Tussauds, com seus famosos bonecos de cera. Também visitei o museu do Sherlock Holmes (caríssimo pelo tamanho). À noite fui ao teatro e assisti Billy Elliot, os atores tiveram a melhor performance de todas as pecas que já vi, além do mais é uma história de onde podemos tirar incontáveis lições! Uma delas é que vale a pena nos arriscarmos por aquilo que arde os nossos corações!

No Madame Tussauds, além de ver muita gente famosa, assistimos um filme sobre a fama. No filme, alguns alienígenas estão estudando o nosso planeta e percebem que algumas pessoas são mais prestigiadas do que outras. Mas o que faz de alguém uma celebridade? Talvez o consciente coletivo. Temos a necessidade de nos espelharmos em alguém e isso torna alguns mais destacados.

Mas creio que no campo das celebridades que eu vi hoje, destacou-se um rapaz que eu nunca vi na televisão, nunca ouvi as pessoas comprando revistas sobre ele e nem gritando o seu nome quando o vêem pelas ruas. Confesso que nem mesmo lembro o seu nome. Conheci-o numa rua próxima de Chinatown. Ele e o seu grupo de jovens usando um colete amarelo, estavam com um baldinho na mão, pedindo doação. Eu parei e perguntei para que era a doação que estavam pedindo e ele me disse que era para ajudar crianças em estado terminal de câncer. Conversamos bastante acerca do trabalho deles.

Foi um contraste muito grande ver esse caloroso grupo no meio de tanta gente mal humorada. Desculpem-me mas é isso que vejo na maioria das pessoas por aqui. As pessoas não sorriem, só andam de cara fechada e quando falam com os outros não se percebe nenhum calor nas palavras. Tá todo mundo correndo. Sempre! Quase todos interessados em trabalhar e gastar o quanto puderem para se sentirem melhores e ter alguma diversão. Confesso que tudo isso tem me deixado um pouco enjoado. A maioria dos jovens querem chamar a atenção de alguma forma e isso acaba sendo uma batalha cansativa e frustrante para muitos, você percebe pelos olhares. Acho que toda essa energia poderia ser gasta de uma forma melhor…

Mas às vezes me pergunto se eu não estou entrando na mesma condição, tendo passado apenas uma semana por aqui. Confesso que isso tem me incomodado um pouco. Entenda! Não é só pelo fato de não expressarem seus sentimentos. A questão aqui, é que a vida parece não ter sentido para a maioria das pessoas. Fico extremamente feliz por ter nascido no Brasil e aprendido a encarar a vida como o maior presente que uma pessoa pode ter. As pessoas se divertem quando eu falo ou faço alguma coisa engraçada, mas esse é o meu modo de levar as coisas. Famosos para mim, são todos aqueles que conseguem dançar e sorrir debaixo de uma densa chuva. E eles serão lendas se conseguirem convencer outras pessoas a fazerem o mesmo! Por isso, espero que todo o dinheiro que tenho gastado nessa viagem, sirva pelo menos para me tornar um completo apaixonado pelas causas humanitárias. Que todo o conhecimento que eu tenho adquirido sirva para ajudar as pessoas que me rodeiam, o meu país e o mundo. Que de alguma forma eu também possa influenciar outras pessoas a fazerem o mesmo. Sei que pode parecer muita pretensão da minha parte, mas se não for assim, então do que adiantaria a minha vinda aqui? Somente para contar para os meus amigos que eu já viajei por 14 países? Grande coisa! Por isso prefiro pensar como o Dean Karnazes:

O corpo humano tem limites, diz o atleta, mas o espírito humano é ilimitado. Sua mente é seu músculo mais importante. E como um amigo me disse certa vez: A vida não é uma jornada em direção ao túmulo cujo prêmio vai para quem chegar com o corpo mais em ordem e melhor preservado…O desafio é chegar lá num corpo bem vivido, usado, gasto, exausto, e no instante mesmo de morrer, gritar bem alto: “Meu Deus!!! Que tremenda viagem!!!!”
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Eber Guni do Nascimento Santos

Eber Guni do Nascimento Santos

São muitas aventuras do Mochileiro e Viajante Eber pelo mundo. Desbravando a América do Sul e a Europa com vivências inspiradoras registradas aqui.

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