O clamor de Manchester


No caminho entre York e Keswick (a próxima cidade do roteiro), eu teria que trocar de trem em Manchester. Na hora que fiquei sabendo disso, perguntei para mim mesmo, porque eu havia tirado Manchester do roteiro. Analisando a duração da viagem até Keswick (umas 3 horas) e já que o meu bilhete valia para o dia todo, resolvi descer em Manchester e só ir para Keswick num dos trens do final do dia.

Mas o que me esperava em Manchester? Valeria realmente a pena ter descido lá? Eu não fazia nem idéia!

Vejam, eu não ficaria por lá. Nesses casos, na estação você deve procurar um luggage (lugar para deixar as malas por um certo período). Foi o que eu fiz, deixei a mochila lá e fui desbravar Manchester.

Primeiro consegui um pequeno mapa que me ajudou a chegar no information centre. De lá eu decidi conhecer o Urbis, um museu interativo sobre a vida nas cidades. Manchester é uma cidade bonita e com muitas atrações concentradas na área central, além disso conta com dos maiores bairros chineses fora da China.

Eu tinha lido um pouco sobre a história da cidade no meu guia, sendo que um dos maiores episódios históricos foi o Massacre de Peterloo em 1819. Nessa época, as condições de trabalho nas fábricas de Manchester eram tão ruins que a tensão social explodiu. Em 16 de agosto, 50 mil pessoas fizeram uma manifestação para protestar contra leis abusivas. A galera da manifestação acabou se alterando e a cavalaria entrou em pânico, atirando sobre a multidão! Onze pessoas morreram e muitas foram feridas. No mesmo ano foram promovidas reformas, como a Lei do Trabalho.

Então, no caminho para o Urbis, vi de longe uma multidão com placas nas mãos e caras-pintadas, atravessando a rua. Perto de mim, um casal estava parado olhando para a multidão. Perguntei para eles do que se tratava aquela passeata e não entendi nada do que me falaram. rsrs Eles eram australianos e eu pedi para falarem mais devagar, foi aí que comecei a entender alguma coisa.

Pelo o que eu entendi Tony Blair estava por aqui e aquela multidão estava nas ruas clamando pelo fim da guerra! Não podia perder aquilo e fui pro meio da galera! Até peguei uma placa tb! haha

Era uma manifestação pacífica pedindo a retirada das tropas inglesas do Iraque e contra a invasão do Irã sob a suspeita de terem armas de destruição em massa. O mais impressionante é que mesmo debaixo de uma chuva torrencial, todos estavam muito eufóricos e as palavras acaloradas dos oradores pareciam incendiar a multidão.

Falaram dos bilhões que o Reino Unido perde semanalmente mantendo-se na guerra. Massacraram o Parlamento e contaram como anda a situação nos países do Oriente Médio. Teve até um iraquiano que falou pedindo paz e liberdade para o seu povo. Famílias que estavam lá prestando auxílio humanitário também passaram alguns relatórios.

Foi tudo muito interessante, eu nunca tinha visto uma manifestação assim. Tinha muita gente por lá, mas eu não queria que Peterloo se repetisse. rsrsr
No fim da manifestação, fui ao Urbis, mas pelo que tinha lido acerca dele, esperava um pouco mais.

Ah tava fazendo muito frio e eu decidi comprar uma blusa de frio (neutra), pois, não poderia usar minha blusa inglesa na Irlanda e nem na Escócia. Consegui achar uma loja com uma boa queima de estoque e acabei pagando uma pechincha!

Voltando para a estação de trem continuei a caminho de Keswick, já na minha poltrona, parei para pensar e cheguei à conclusão que desci em Manchester só para ver aquela manifestação. Dei uma de jornalista âncora por um dia! hahaha

Esse mochilão tá cheio de surpresas!

Galeria de fotos:

Eber Guni do Nascimento Santos

Eber Guni do Nascimento Santos

São muitas aventuras do Mochileiro e Viajante Eber pelo mundo. Desbravando a América do Sul e a Europa com vivências inspiradoras registradas aqui.

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