O dia em que eu NÃO fui ao jogo de Hóquei em Chicago

Claro que para alguém que viaja pela primeira vez, seria impossível viajar sem cair em nenhuma roubada. Pois bem, uma das coisas que programei fazer em Chicago, quando ainda estava no Brasil, era assistir a alguma partida de algum esporte famoso nos Estados Unidos. Tentei ir no jogo do Bulls mas estava Sold Out, tentei futebol americano mas estava caro. Então minha terceira opção vou ver uma partida do Chicago Blackhawks, o time de Hóquei da cidade.

Comprei o ingresso pelo site oficial do time, via ticktmaster. Tudo ok, ingresso impresso, chegou o grande dia.

O perrengue começou na ida ao United Center, imponente arena que abriga o jogo dos Hawks. A linha de trem que dá acesso ao estádio é a linha verde. Mesmo Chicago sendo uma cidade bem segura, há alguns pontos da cidade onde devemos tomar certo cuidado, e a linha verde é um dos pontos barra pesada de lá.

Chegando na estação ¨Ashland¨, preferi pegar um táxi até o estádio, pois de bus iria demorar, e a pé seria muito roubada. Apesar do imenso frio e garoa, estava empolgado para a partida.

O taxista para em frente ao United Center. Pago a corrida ele vai embora e…

Cadê todo mundo?

Afirmo com toda certeza que eu era a única pessoa num raio de uns 10km ao redor do ginásio. Tudo fechado, estacionamento vazio, bilheterias com janelas abaixadas. Não era possível que eu tivesse errado a data do jogo, mas como eu sou um tanto quanto desligado, fui conferir a data no ingresso.

¨Não to louco, tá aqui: Thursday, October 18, 2012 7:30pm¨

Juro que dei umas 10 voltas no ginásio sem entender nada, num frio absurdo (o frio ficou mais frio com a tensão do momento). Após constatar que realmente não havia mais o que fazer, não me restava outra solução do que pegar um táxi até o metrô mas…E pra passar táxi?

Como o frio era intenso e nenhum táxi havia passado até então, decido parar em uma lanchonete pra comer alguma coisa. Peço um hamburguer gigante com fritas (óbvio) e conto minha história para a garçonete. Então ela me faz a seguinte revelação:

¨A liga de Hóquei norte americana foi cancelada devido a um embate entre os jogadores e os dirigentes, então por enquanto não vai ter nenhum jogo. Sinto muito por isso mas, não te avisaram?¨

Pois é, não recebi nenhum aviso, nenhum direcionamento da Ticketmaster a respeito do ocorrido. Me senti completamente lesado, e é claro que pedirei um reembolso do ingresso comprado. Mas enfim, a história foi esclarecida, o hamburguer estava ótimo e eu namoraria fácil com a garçonete.

Saio da lanchonete atrás de um táxi, e como nada é fácil nessa vida, tive que andar por mais ou menos meia hora até encontrar um em uma avenida mais movimentada (o frio estava ainda pior). Como estava puto pelo que ocorreu, não quis arriscar voltar pro metrô, então pedi ao taxista que me deixasse direto em casa.

Enfim, chegamos na parte final da história. No momento exato em que escrevo estas linhas, estou em um táxi, onde o motorista tem aproximadamente uns 85 anos (é sério), e temo que ele não dure até o final da corrida. Enquanto dirige, ele está ouvindo um Blues de um cantor (acabei de perguntar) chamado Joe Turner. A cena com o blues de trilha sonora dá um tom diferente, meio melancólico para este post (e espero que engraçado no fim das contas).

A lição que eu tirei disso tudo?

Não tem nada melhor e mais seguro que ir no jogo do Corinthians.

Vinicius Militão

Vinicius Militão

Vinícius é músico e dará uma atenção especial para os ritmos e sons que embalam Chicago. "Life moves pretty fast. You don't stop and look around once in a while, you could miss it." Save Ferris

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