O monastério e a areia da sorte

Namastê pessoal!

Vocês devem pensar: “Ele não consegue pensar em outra saudação, só namastê, namastê e namastê?” Minha resposta é não. Já vão se acostumando, pois se quiserem dar um pulo por esses lados é assim mesmo.

Bem, acordamos cedo, tomamos café e ficamos um pouco em casa de conversa fiada com os outros colegas voluntários até umas 11h da manhã.  Depois resolvemos partir para o monastério Kopan, que fica a uma distância de 1h a pé de casa, mais uns 45 minutos de trilha subindo a serra até chegar no complexo dos monges.

O monastério é um enorme complexo onde vivem monges desde crianças de 4-5 anos até os mais velhos. O monastério conta com mercadinho, acomodações, escolas, universidades etc. Nele também ministra-se cursos de meditação para não monges, onde você pode ficar hospedado lá mesmo por pelo menos uma semana em um programa bem intenso aprendendo a meditar. Show!

O lugar tem realmente uma paz divina muito difícil de descrever. Tivemos muita sorte de estarem no meio de um ritual que só acontece 1 vez por ano. Os monges jogam vários tipos de semente, cada uma significando amor, paz, harmonia etc em uma fogueira ministrada por uma espécie de monge MASTER, enquanto os outros tocam pequenos sinos e emitem sons com a boca, como se fossem cânticos.

Na curiosidade de saber o que estava acontecendo me aproximei mais e sentei junto com outros monges (que apenas auxiliavam na cerimônia) e fiquei trocando ideia com um monge adolescente, MUITO simpático, e claro, ele me perguntou se gostava de futebol! Olha é impressionante como em QUALQUER lugar no mundo, quando se fala que é brasileiro, futebol é a primeira referência. Confesso que acho um saco porque é sempre o mesmo texto. Mas por outro lado somos muito bem recebidos em qualquer lugar. Martina até faz piada “ Quando você fala Brasil, todos adoram! Agora eu falo Irlanda, eles fazem cara de dúvida e mudam de assunto.” cômico!

Enfim, nosso pequeno monge muito simpático explicou sobre o ritual e nos levou a outro lugar, onde acredito não ser muito visitado por turistas. Um onde salão guardam a mandala Yamantala  e para onde os monges iriam após o ritual para destruí-la.

Pessoal, a mandala é gigante e toda feita manualmente com areia, pelo monges mais antigos no monastério. Técnica muito parecida com a que temos no nordeste do Brasil.

Acredita-se que a areia utilizada na construção da mandala, torna-se  sagrada e quando destruída, eles a guardam em várias pequenas porções. Acredita-se que essa areia pode trazer coisas boas. Por exemplo se você tem uma plantação que não está indo bem, uma obra que não está andando como deveria ou qualquer coisa que você deseje que dê certo, joga-se um pouquinho dessa areia e colherá bons frutos dalí. Mas apenas mantê-la guardada já traz boas vibrações.

Perguntamos que quando esse ritual aconteceria, pois tentaríamos dar uma fuçada para ver se não tinha sobrado pelo menos alguns grãos para a gente guardar. E a resposta do nosso amigo foi que por volta das 17h30 quem sabe conseguiríamos. Naquele momento era por volta de 15h e ainda nem tínhamos almoçado, de tão deslumbrados que ficamos com o lugar. Só tinha uma coisa…sair do monastério e voltar as 17h30 não dava, mas quando que eu ia subir aquele mini Everest de novo só para pegar um pouquinho de areia!? Ah não!? Me desculpem! Não mesmo!

Então resolvemos ficar por lá mesmo e comer na porta no Monastério que lembramos ter visto algumas residências abertas para visitantes almoçarem. Coisa caseira mesmo.

“Menú? Não temos!” “É o que fazemos fresco no dia!” “Tudo bem..então traga-nos o prato do dia, por favor!” “Ah! E o que é o prato do dia afinal?” Resposta? “ Momos de carne de búfalo”  Opa…carne vermelha afinal, mesmo que seja de búfalo, tá valendo! “Sabor ‘OK’ , parecia carne de quinta, moída e cozida, então era só entupir do molho local, cuspir algumas flamas de fogo por conta da pimenta e tomar 2L de água que tava tudo certo. Alimentados, isso era o que importava!

Voltamos ao monastério e ainda tínhamos algumas horas, então resolvemos tirar um cochilo na área destinada a meditação, que era ao ar livre em um gramado muito bem cortado. Pessoal, uma vista impressionante e o silêncio ouvíamos apenas os sons emitidos pela própria natureza, ficamos embriagados de paz e tranquilidade, MARAVILHOSO!

Quando deu mais ou menos umas 17h20, fomos atrás da nossa areia ‘mágica’ e quando chegamos os monges já tinham ido embora e limpado tudo. Não pudemos evitar o desapontamento, apesar de termos adorado passar o dia inteiro no monastério e afastados de toda a poeira e transito caótico de Kathmandu.

Quando vi, quem aparece dizendo que estava me procurando? Nosso amigo monge! Ele separou uma porção bem legal da areia e me entregou! Quer saber? Não poderia ter sido melhor. Além de ter a areia sagrada, ainda fomos lembrados e nos entregue em mãos por um monge muito bacana!

Na lojinha dos monges compramos 2 bolsinhas de seda e então repartimos a areia. Descemos felizes da vida de volta para casa, mas com uma certa pressa já que em pouco tempo ficaria escuro e já sabemos a dificuldade que o país enfrenta com energia elétrica. Não imaginávamos ter tantas surpresas boas e ficar o dia todo por lá, não nos precavemos em levar uma lanterna junto. Haviam trechos bem curtos na trilha e beirando precipícios, não podíamos correr esse risco, afinal tratava-se de 2 trapalhões.

Chegamos em casa a tempo para  jantar (à luz de velas só para não perder o hábito), pois obviamente a energia tinha caído e ficamos batendo papo até a luz voltar e então subimos para assistir algum filme.

No dia seguinte tínhamos uma cerimônia em comemoração a Dashain 2069, em uma das escolas do governo que lecionamos. Isso mesmo. A cabeça da gente dá uns nós as vezes, tipo como assim né? Final de semana é sexta e sábado. Não estamos em 2012 e sim em 2069! Ou seja estamos no futuro!! Heeinnn??? Futuro? Aqui? Perai, tudo bem, melhor experiência da minha vida, algo em mim mudou e para sempre, mas vem me dizer que aqui é o futuro? Ah não! Ainda bem que não acho que estarei pela área quando NÓS chegarmos ao ano de 2069! Eu hein!?

De lá fomos ao Templo dos Macacos. MEDO! Os filhotes ainda vá lá! Mas os adultos são muito mau encarados. E, era só o que me faltava ser atacado por um macaco as vésperas de voltar para casa né!?

Bom….isso vocês só vão saber no próximo 11º post!

Trilha sonora de hoje: King and Lionheart – Of Monsters and Men

Thandevan!

Gabriel Canellas

Gabriel Canellas

Paixão por cozinhar e viajar! E também...COMER! Canellas considera muito importante provar os sabores dos lugares que visita. Nessa aventura além do Himalaia, serão 2 semanas de trabalho voluntário no Nepal e uns dias na Índia, passando por Delhi, Varanassi e Agra. Acompanhe a fantástica experiência.

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