O projeto HOPE JOURNEY – 5 meses depois

Nem consigo acreditar que essa viagem acabou há 5 meses.

Queria começar agradecendo a todo mundo que acompanhou meu percurso aqui pelo blog e principalmente todos aqueles que decidiram  fazer essa viagem e tomaram mais coragem depois de ler minha experiência aqui! Espero que muita gente esteja fazendo ou planejando essa viagem e aproveite cada minutinho dela como eu aproveitei!!

Resolvi voltar aqui no Blog pra fazer uma retrospectiva, uma conclusão sobre o Trabalho Voluntário, sobre a África, sobre como esse mês fora me mudou, sobre as lembranças, enfim.. A verdade é que eu não consigo deixar essa fase da minha vida pra trás hahaha, vivo arranjando desculpas pra reler o blog, olhar as fotos.. Por isso eu ADORO quando alguém vem me procurar pra pedir dicas, tirar dúvidas, sintam-se à vontade pra fazer isso, mesmo! Anotem meu e-mail: marinatucaloretti@gmail.com e qualquer contato sobre a África e sobre o programa estou aqui!

O PROJETO HOPE JOURNEY

Trabalhar com crianças doentes é díficil. As vezes é triste, as vezes elas estão tristes, as vezes o clima fica meio pesado.. Mas o Sarah Fox Hospital é um ambiente onde as crianças já estão em fase de recuperação e não querem lembrar que estão doentes e nem que ali acabou virando um orfanato para a maioria. O projeto em si existe pra que nós, voluntários, possamos entreter e divertir as crianças o máximo que a gente consiga, e acreditem, a gente sempre consegue!

É cansativo, são várias horas carregando no colo, pulando, dançando, limpando, ajudando.. Mas eu já disse tanto aqui, é tão reconfortante! Mesmo que as vezes dê vontade de dormir ou voltar pra casa, na maior parte do tempo a gente se envolve e se aproxima tanto das crianças que a parte mais difícil do dia acaba sendo ir embora do Hospital.

Uma coisa que eu acho importante comentar aqui é o fato da maior parte das crianças terem HIV e/ou Tuberculose. Meus pais ficaram bem preocupados quando eu escolhi esse projeto, e eu também um pouco, mas isso é super normal. A gente precisa mesmo ficar preocupado, se lembrar sempre das regras básicas de higiene, de tampar qualquer machucado, de evitar contato com o vomito/regurgito/fezes/sangue; isso é normal pra quem convive e trabalha nesses ambientes. Mas acima de tudo isso, a transmissão é praticamente impossível num dia a dia de voluntariado, então abraçar, beijar e esmagar as crianças é extremamente permitido e aconselhável.

A ÁFRICA DO SUL

Que saudade de Capetown! Todo mundo fala que não existe nenhum povo como o brasileiro, talvez seja verdade, mas os sul africanos chegam bem perto! Todo mundo é tão feliz, tão animado, tão simpático! Não dá pra não se sentir em casa!

E isso de falarem que é perigoso, que mulher não pode andar sozinha, que tem muito estupro… Sinceramente, eu sou de São Paulo e a violência e os riscos daqui me pareceram beeem maiores. Basta ter bom senso! Minha única dica quanto a segurança é não andar sozinho depois das 6 da tarde, principalmente no centro. O clima realmente muda, fica tudo vazio e só sobram os pedintes, então não vale a pena se arriscar, até porque todo o comércio fecha.

É o lugar mais bonito que eu já fui em toda a minha vida. Não deixem de conhecer Camps Bay, a praia mais linda e chique da cidade; de subir a Table Mountain (eu só iria a pé se fosse bem atlético..); fazer um tour pelas Townships pra conhecer as favelas e a verdadeira cara da África; passear bastante pela Waterfront para comprar e aproveitar os restaurantes e, principalmente, fazer o passeio da Robben Island, pra entender melhor o Apartheid e a história do Nelson Mandela.

Quem tiver mais tempo por ali, não deixe de fazer a Garden Route!!! É uma região próxima a Capetown que vale uns 5 dias viajando (de carro ou pelos tours). São vários passeios radicais como o maior Bungee Jump do mundo; safaris e parques como o do elefante, dos macacos e dos pássaros; sem contar em albergues animadíssimos e muitas praias e reservas naturais paradisíacas pelo caminho!

A EXPERIÊNCIA

Dizer que eu voltei outra pessoa é muito clichê e, infelizmente, agora eu já voltei a alguns antigos maus costumes, acho que faz parte. Mas no geral eu conheci um lado meu que eu não conhecia, de verdade, um lado altruísta, carinhoso e de mãe, que hoje em dia eu tenho certeza que ocupa uma boa parte da minha personalidade. Fazer trabalho voluntário é sempre muito bom, mas fazer um longo e de tanta imersão assim é outra coisa. Em um mês de tanta convivência  você se joga de cabeça em toda a sensação boa que as crianças dão, assim como a sensação ruim também de imaginar que o futuro delas vai ser bem difícil, independente da sua vontade de ajudar. É um amadurecimento e um crescimento difícil, dá vontade de chorar, dá vontade de voltar, dá vontade de ter super poderes pra mudar o mundo.. Mas infelizmente a gente tem que por o pé no chão e aprender a fazer isso também é essencial pra qualquer ser humano.

Eu ia falar “entre altos e baixos”, mas não existem baixos.. Essa experiência foi incrível pra mim em todos os sentidos: pra me conhecer, pra fazer o bem, pra sair da rotina, pra aprender, pra ter responsabilidade, pra me divertir, pra mudar. Muita gente que vem me procurar pergunta se eu pretendo voltar um dia pra visitar. Eu morro de vontade sim, mas sei que seria mais difícil ver que algumas crianças não estão mais lá, depois ter que me despedir de novo. Acho que uma viagem assim, um programa assim, vale a pena e é sensacional exatamente por ser único. O que eu espero é poder fazer outro projeto de voluntariado, mas em outro lugar, com outras crianças, com outro ambiente. Espero muito.

MINHAS METAS E MEUS OBJETIVOS A PARTIR DISSO TUDO

Eu sempre gostei de escrever, sempre tive blog, sempre escrevi sobre tudo que vinha na cabeça, sempre quis escrever livros, roteiros.. Agora além de tudo isso eu quero muito escrever sobre viagens (estou mais do que aberta a propostas caso alguém que está lendo acredite que eu tenho potencial) e também sobre ações sociais, sobre trabalho voluntário, sobre meios de levar uma vida a favor do bem, sempre. Comecei um novo blog pra tratar desses assuntos, de tudo que eu passar, de tudo que eu tiver a possibilidade de fazer.. E é lá que eu estarei disponível pra conversar com vocês sobre esse projeto do HOPE JOURNEY e sobre tudo relacionado à área daqui para frente. Me visitem lá, me ajudem a levar o blog pra frente, me contem experiências, enfim, me acompanhem??

Em homenagem e em respeito à esse espaço e à tudo que a CI e que esse blog me proporcionaram, meu novo blog leva adiante o nome:

O POUCO. E AOS POUCOS. http://opouco.wordpress.com/

Já tem um post detalhado sobre o trabalho no Hospital Sarah Fox em si, nossas responsabilidades e nosso dia a dia: http://opouco.wordpress.com/2012/07/10/projeto-hope-journey-capetown-africa-do-sul/

Muito obrigada a todo mundo que fez parte desse momento tão importante na minha vida, todo mundo que gostou da minha história, todo mundo que teve curiosidade de me contatar. Continuo aberta a conversar com vocês e a ajudar da forma que for possível, agora no meu blog pessoal e no meu e-mail (marinatucaloretti@gmail.com).

 

Marina Loretti

Marina Loretti

Marina é estudante Cinema. Vai passar um mês em Cape Town trabalhando em um hospital infantil como voluntária. A recompensa será imensurável.

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