Primeiro dia no trabalho


O primeiro dia no trabalho

Meu primeiro dia no trabalho começou meio tenso, pois, por um probleminha técnico, cheguei super atrasado! Apesar disso, meu chefe me compreendeu e tudo ficou super bem. Finalmente eu era, mesmo, o mais novo membro do LTZ – Augustemberg.

Acordei perto das 7 da manhã, para me assegurar que ficaria pronto sem atrasos. A Mayra, membro do IAESTE Karlsruhe que eu havia conhecido na noite anterior, tinha combinado de me encontrar no ponto de tram aqui perto de casa por volta das 8 da manhã, para me mostrar direitinho como fazer para chegar no trabalho.

Eram 8:07 quando o primeiro tram passou, nos levando da Werderstraße |vérdar-strasse| (meu ponto de tram) até uma das paradas mais movimentadas da cidade, a Kronenplatz. De lá, pegamos outro tram em direção ao leste.


Ach so!!! [Ah, sim!!!] Os trams são realmente um transporte excelente. Criados aqui em Karlsruhe, eles praticamente substituem os ônibus, que são a grande minoria. Além de serem elétricos, os trams também funcionam como transporte entre cidades, como já disse nos posts anteriores – e são extremamente pontuais. Um minuto mais tarde, e eu já fiquei a ver navios, com o tram indo ao longe… E o mesmo funciona em praticamente todas as cidades na Alemanha que possuem malha ferroviária.

O tram que pegamos ia em direção à Grötzingen |Gróet-singuen|, uma cidadezinha que fica a uns 30 minutos de tram da Kronenplatz. Ou seja, eu iria trabalhar fora de Karlsruhe e, então, o tram passaria a andar pelo trilho dos trens – mas quem está dentro não percebe nada. Pelo caminho, aproveitava para ir registrando os pontos chaves na memória, para ter certeza que nos outros dias eu pegaria o mesmo caminho, além de ir admirando as belas paisagens.

Chegamos em Grötzingen Bahnhof [estação de trens] perto de 8:40. A Mayra estava com um mapa que mostrava o caminho a ser seguido da estação até a entrada do LTZ Augustemberg, o local que eu trabalharia.

Andamos e andamos. Foram quase 30 minutos de caminhada, seguindo as direções do mapa. Andamos tanto que chegamos a outra cidadezinha, próxima a Grötzingen, de nome Durlach |Dúr-lar|, aonde a Mayra pediu algumas informações da localização do instituto. No final das contas, tivemos que voltar todo o percurso, e avançar em outra direção, finalmente chegando na cidade de Grötzingen novamente e, de lá, finalmente no instituto! Ufa!

Quando chegamos no LTZ eram quase 10:30, pois nos perdemos novamente! Que caminho mais confuso naquele mapa! Foi uma luta acharmos o lugar certo, mas lá estávamos. Eu só imaginava o que o meu chefe, aquele alemão correto e rígido que eu havia construído na minha cabeça, estaria pensando de mim. “Primeiro dia de trabalho e já chego com desculpas?! Poxa vida… Será que ele vai ficar decepcionado?”, eu ia pensando a cada passo.

O Professor Doutor Norbert Leist (pois é, aqui o título de formação praticamente entra para o nome oficial) nos recebeu com um largo sorriso no rosto, apesar do nosso atraso. E isso foi muito confortante. A Mayra contou tudo o que havíamos andado e mostrou o mapa que ela tinha consigo, ao que o Herr |rér| [senhor] Leist mostrou-se surpreso. “Mas esse mapa está desatualizado a pelo menos 5 anos, um novo caminho foi construído! A passagem entre a estação e o trem fica logo aqui”, dizia ele, rindo da nossa trapalhada. A máscara de “alemãozão malvado” finalmente tinha sido apagada da minha mente… e o Herr Leist compreendeu perfeitamente todo o problema. Melhor assim, ele percebeu que a culpa não tinha sido de ninguém… “Murphy`s Theory, right?!”, ele perguntava para nós de uma maneira amigável, mostrando que realmente tudo dá errado quando mais precisa dar certo.

O primeiro dia no instituto foi basicamente para que eu conhecesse os laboratórios, alguns funcionários e, claro, minha sala. O instituto é muito bem equipado, com algumas máquinas valendo mais que casas (!). Os pesquisadores aqui têm prestígio internacional, e sempre são chamados para dar palestras e seminários ao redor do globo. O próprio Herr Leist havia acabado de retornar do Brasil.

Quando fui levado à sala aonde ficaria, a sala de análise eletroforese, encontrei um outro brasileiro por lá. Ou melhor, brasileira paulista! Seu nome é Denise, e está aqui fazendo seu doutorado (sanduíche) na área de análise de proteínas – e nos demos superbem, pois ela é muito engraçada e espontânea. (Viu, Denise… eu disse que ia escrever de você aqui! Ahhaha).

Na nossa sala temos um computador para pesquisas gerais, várias mesas, uma estante com muita bibliografia (em inglês e alemão) e alguns equipamentos para análise dos testes (que são realizados no laboratório, próximo a nossa sala).

Meu horário de trabalho é de 8 às 16, com parada de 35 minutos para o almoço, ao meio-dia. Entre o início do expediente e o almoço, temos um leve intervalo de 15 minutos, às 9 horas, para um café ou chá. No instituto não existe restaurante ou lanchonete, e temos, assim, que levar nosso almoço de casa… e eu estou penando pra cozinhar sempre na noite anterior! Hahahahah… mas tá tudo bem. Ah! Na sexta-feira o expediente vai até meio-dia… Ah, que maravilha… kkk

No álbum de fotos coloquei um passo-a-passo que faço todos os dias para chegar ao trabalho… talvez assim não me perca mais! kkkk

Até mais galera!!!
Galeria de fotos:

Rafael Guimarães

Rafael Guimarães

Rafael é estudante de Engenharia Florestal e vai estagiar em uma das melhores empresas do setor, na Alemanha. Além, claro, aproveitar para se divertir na Europa. Acompanhe aqui

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