Segundo dia da Kepler Track: Tempestade de gelo, muita neve e chuva

Kepler Track
Acordei as 06:30 para iniciar a trilha o quanto antes, pois a previsão do tempo dizia que o tempo ia virar na parte da tarde. O plano era começar a trilha no máximo às 08:30 e foi isso o que fizemos. O Itay, um jovem israelense de 18 anos que dentro de poucas semanas servirá o exército numa divisão especial por 3 anos decidiu ir comigo.

O meu receio com israelenses vem da última viagem que fiz ao país e toda dificuldade que encontrei durante todo o tempo tendo que mostrar meu passaporte, sendo revistado, questionado e até seguido nas ruas. A imagem que ficou foi a de que eles são neuróticos com a questão de segurança, pois ainda estando no aeroporto no Brasil eu tive que ser revistado ao ponto de ficar completamente nu diante de um segurança. Sim, eles têm muitos inimigos, mas não posso dizer que a experiência foi das mais agradáveis. De alguma forma fiquei com a sensação de que havia um ar de superioridade geral na nação.

Bom, iniciamos a trilha no tempo correto mas logo vimos que a visibilidade estava bastante baixa. Em pouco menos de meia hora uma altíssima montanha nevada estava diante de nós, o vento soprando forte e jogando partículas de gelo e neve. Tivemos que nos cobrir completamente. Não ficou nenhuma parte do nosso corpo descoberta, inclusive a face. A minha preocupação era o Itay, mas ele estava parecendo bastante ok. Lembrando que esta era a primeira trilha que ele fazia.

Kepler Track
Logo o vento e a neve misturada com chuva começaram a nos castigar. Só não ficamos completamente encharcados, pois estávamos com roupas apropriadas para a trilha.

Foi numa das paradas que fizemos para tirar fotos que o Itay perdeu uma de suas luvas. O vento soprando forte e a neblina densa não nos deixaram achar a luva. Paramos num abrigo logo a frente para pensar numa solução para a situação, pois era impossível ficar com a mão descoberta naquele frio. Peguei uma toalha na minha mochila, envolvi na mão dele e fechamos com duas sacolas plásticas. Ficou até parecendo que ele tinha perdido a mão, mas pelo menos pudemos seguir viagem.

Em alguns momentos tivemos o brilho do Sol entre as nuvens e muitos arco-íris. A natureza estava mostrando o seu poder criativo. Eu olhava para o Itay e ele estava completamente feliz e maravilhado. As subidas eram inacabáveis, mas a beleza do lugar nos dava forças para seguirmos em frente.

Finalmente começamos a descida para o vale onde dormiríamos aquela noite. A paisagem mudou para algo mais florestal. Parecia que tinhamos entrado num filme de fantasia. Incrível.

Chegamos na cabana no meio da tarde, comemos nossos miojos e decidimos fazer uma pequena trilha que levava até uma cachoeira próxima. Pensava eu que ia ser um filete de água saindo da pedra, mas me impressionei com o volume monstruoso de água que estava caindo.

Voltamos para a cabana e fomos comer mais um pouco antes de dormir. Nessa hora do jantar acabamos batendo um papo com um casal de franceses e contamos que o Itay tinha perdido a luva. Para nosso espanto o casal de franceses tinha achado a luva e trazido para a cabana. Demos ótimas risadas e fomos dormir.

Kepler Track
Minha impressão sobre israelenses já tinha mudado, mas foi no terceiro dia que acabei exorcizando este mal de uma vez por todas…

Eber Guny

Mochileiro nato e aventureiro, o Viajante CI fará uma uma parada estratégica pra estudar inglês intensivo por 6 meses na Nova Zelândia. Esse intercâmbio com mochilão vai render muitas histórias hilárias, informações importantes e ótimas surpresas.

Receba Nossa Newsletter

Cadastre-se e fique por dentro de todas as novidades e promoções da CI.

Your Header Sidebar area is currently empty. Hurry up and add some widgets.