Só mais 5 minutinhos!


E não deu mesmo!!

Sabe aquela história do “só mais cinco minutinhos”, pois é… nunca cometa este erro, principalmente se tiver algum compromisso importante na parte da manhã e mais ainda; se esse compromisso for um embarque em trem na europa, (onde os horários são rigorosamente pontuais)

Uma inocente piscada de olho durou quase meia hora e não adiantou fechar as malas na correria nem o Artur, (meu anfitrião em Paris) dirigir feito alucinado pelas estreitas ruas de Paris que não teve jeito; cheguei ofegante a Gare do Nord, faltando apenas 10 minutos para o trem partir. Embarque fechado! “Perdeu, playboy!”.

Considerando o tempo que ainda teria que gastar na UK Border (em viagens de trem, feita ainda em solo francês) seria impossível mesmo pegar o trem de 08h15. O que fazer? Quando se compra o ticket, é informado que o valor mais barato geralmente não dá direito a reembolso nesses casos, mas quem pensa no pior nessas horas, não é? E me fazendo de bobo, perguntei ao funcionário do Eurostar se poderia embarcar no próximo, ele, lógico, disse que não, nessa hora vale tudo; mão na cabeça, cara de desespero, olhar perdido “para ontem” e inquietação, e claro um bom “desenrolo”.

Para 90% das situações, aqui na Europa, o jeitinho brasileiro não cola, mas tem que tentar, ainda temos os 10%… o máximo que pode acontecer e ouvir não, e se ouvir um não, tente de novo, até perceber que a pessoa está perdendo a paciência, fui feliz! Antes de chegar à esse estágio, ouvi um “Ok, mas tome cuidado da próxima vez”.

Bom, primeiro o obstáculo ficou pra trás, ainda faltam dois; encarar a tal da UK Border logo ali na minha frente onde um longa fila já se forma para embarcar no trem de 09h15, e o terceiro lá em UK; entre esse trem e o de Londres para Manchester, eu havia calculado um intervalo de 1h30 para ter tempo de almoçar, previ que chegaria com fome, agora esse intervalo caía para meia hora e mesmo sendo estações vizinhas, eu não faço a menor idéia do tempo que vou levar entre London St. Pancras (meu desembarque daqui) e London Euston (embarque para Manchester). Enfim, voltemos ao segundo:

A quantidade de perguntas já era esperada; todas fáceis de responder, mas confesso que minha recente situação de estresse e o forte sotaque ao qual não estou acostumado, me deixaram em ligeira situação de desvantagem, fazendo com que pedisse para que ela (a oficial), repetisse grande parte das perguntas (que eram feitas em círculos, de forma que as respostas das últimas “batessem” com as das primeiras), fácil para quem esta falando verdade). Como já disse em outro post; tenha em mãos tudo que possa comprovar suas reais intenções naquele país se quiser evitar problemas.

Pronto, dentro do trem, noto que a parte sob o canal da mancha é bem rápida; cerca de meia hora, logo, de volta a superfície, quando o trem passa ao lado de uma auto-estrada, já posso ver motoristas do lado direito do carro… Já estou em solo inglês!

A chegada em St Pancras é marcada com a mesma cara de “cachorro que caiu do caminhão de mudanças” que faço quando piso em um país diferente. Pode parecer meio bobo para quem lê, mas pra mim, tem um significado importante, sensação de vitória, mais um “território conquistado” sei lá, enfim; íntimo e pessoal!!

Mas calma, ainda não acabou; tenho uma mala grande, um mochilão nas costas, uma mochila normal na frente, 30 minutos e preciso descobrir como faço para chegar na tal “London Euston”.

Aperto o passo, St Pancras é enorme, meu vagão, que em Paris era um dos primeiros, aqui, lógico, um dos últimos. Há na minha frente uma esteira rolante imensa repleta de passageiros (todos do trem) entre velhos, crianças, e a contagem regressiva começou ha 6 minutos, o momento é tenso!

Aprendi a algum tempo, que para ter uma informação precisa, é necessário perguntar para pelo menos 5 pessoas diferentes e só então chegar a uma conclusão. London Euston fica a três quadras daqui. Tenho que sair e fazer tudo a pé, não quero arriscar outra forma, tenho medo de pegar o metro errado (uma das possibilidades, já estourei minha cota de erros por hoje).

Na rua, a mão do trânsito invertido confunde mesmo, atravessar a rua pode se tornar emocionante e perigoso ao mesmo tempo. Estou em Londres e não tenho tempo nem mesmo de olhar a minha volta e curtir, tomar um café, enfim, vai ficar pra outro dia!

Só pra me certificar, peço a última informação sobre London Euston para uma loura de cabelo cacheado e gorro, ela me responde em um sotaque preguiçoso e carregado em bom português do Brasil: “Sei falar inglês não, moço!”! Putz!!… brasileiro, logo de cara!! eu mereço??… deixa pra lá, continuo com passo apertado me arrastando com minha bagagem. Terceira avenida atravessada e já posso ver a estação. Onde está o painel luminoso com os embarques? Plataforma 5…corro!! Ali! é este o trem!!

Enfim, me acomodo no assento, passados 6 minutos, o trem começa a se mover lentamente… próxima parada: Manchester!!

Rodrigo Ximenes

Rodrigo Ximenes

De Consultor a Viajante. O Rodrigo vai embarcar em uma viagem de conhecimento e lazer pela Europa e voltará com bagagem cheia

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