Thai Food, bem melhor do que Fast Food!

Para muitos, viajar também é uma aventura culinária. Em respeito a este vasto grupo, hoje o blog vai falar de comida! Mais propriamente, a deliciosa comida tailandesa (Thai Food), considerando as preferências das principais regiões do país: Centro, Sul, Norte e Nordeste.

Para começar, é preciso esclarecer que a Tailândia, com seus cerca de 60 milhões de habitantes, apresenta ao longo de seu território quatro perfis geográficos completamente diferentes um do outro, com realidades diametralmente opostas, tanto em seu aspecto natural quanto nos costumes e até nos dialetos falados.

A Capital Bangkok, uma metrópole desenvolvida e acelerada, está na área central do país, banhada pelo rio Chao Phraya e apresenta, em seu entorno, um solo rico. O Sul é peninsular, tendo um repertório incrível de praias banhadas de um lado pelo Mar de Andaman e de outro pelo Golfo da Tailândia. O Norte, de onde escrevo estas linhas, é marcado por montanhas e apresenta um clima mais ameno, ao menos no inverno. Já o Nordeste, tem como principal característica o planalto.

Somado à realidade atual, vale acrescentar que o país – hoje em desenvolvimento – não teve condições de ligar uma região à outra até 1920! Imagine: há pouco mais de 100 anos os elefantes eram o principal meio de transporte por aqui! Isso fez com que as regiões, por estarem “isoladas” uma das outras, cuidassem única e tão somente de si. Resultado: as tradições, inclusive culinárias, ficaram muito arraigadas a cada canto.

Mas vamos ao “prato principal” deste post. Sirva-se nesta incrível fusão de sabores que contém, ainda, pitadas da culinária chinesa e indiana.

Centro

O melhor arroz do país (jasmine rice – tipo exportação) é cultivado aqui, sendo o “rei” das refeições, embora, em toda a Tailândia, ele seja muito popular. Na região central, porém, diferente do Brasil, não é arroz com feijão que faz sucesso, mas arroz com leite de coco – especiaria que dá amparo aos três principais tipos de curry responsáveis por deixar boa parte dos pratos tailandeses mais picantes (spicy). Tem curry (originalmente “criado” na Índia) para comer com peixe (green curry); tem o mais picante de todos (hot curry) e um meio termo, que é o kaeng phanaeng.

É da região central, também, a famosa e forte tom yam, ou simplesmente, “sopa amarga”. Vem do centro do país, ainda, o tom kha kai, um caldo cremoso feito com galinha e leite de coco, a salada picante tangy salads e o haw mok, que são “copos” feitos com folhas de bananeira, onde são misturados, numa espécie de pasta, curry vermelho, ovo, leite de coco e marisco.

 

O Som Tam também é presença cativa nas mesas dos tailandeses e um dos pratos mais apreciados pelos turistas
O som tam também é presença cativa nas mesas dos tailandeses e um dos pratos mais apreciados pelos turistas.

 

No centro do país também é percebida de maneira mais expressiva a influência chinesa. Você vai encontrá-la, em regra, nas sopas, que trazem tofu, abóbora verde e carne de porco moída, além, é claro, nos noodles, que é o macarrão do pessoal por aqui.

Falando especificamente de Bangkok, que exerce uma marcante influência sobre todo o país, você encontra desde os mais refinados – e caros – restaurantes do globo, servindo pratos locais e ocidentais, até as deliciosas e baratérrimas comidas de rua, que são um sucesso. Em entrevista ao blog, Tanikan Pho-uam, que mora na capital e trabalha numa empresa multinacional, revelou o seu prato preferido e garantiu que ele deve estar na lista de oito entre dez tailandeses: o num-prik-platoo, feito com pasta de molho de camarão frito e, acredite, cavalo marinho, mais, claro, o arroz. Segundo ela, além de delicioso, ele é bom para a saúde. Tanikan, porém, adverte: a mistura, por envolver pimentas e condimentos locais, deve ser apreciada, de preferência, com vegetais.

E aqui, por experiência própria, vai uma dica do blog (especialmente porque muitos brasileiros desembarcam na Tailândia por Bangkok): para estômagos mais fracos, vá devagar nos primeiros dias, ao menos que você seja um baiano arretado e a pimenta nem te faça cócegas. Ah, outra dica: se tiver coragem, é fácil de encontrar gafanhotos, escorpiões e outros insetos e animais do tipo para uma lanche rápido. Sinceramente, eu não provei (ainda).

Num-prik-platoo: uma das preferências nacionais
Num-prik-platoo: uma das preferências nacionais

 

Norte

Assim como Bangkok tem grande influência sobre as demais regiões do país, no Norte, é Chiang Mai quem dá as cartas. Na culinária, então, nem se fala. As montanhas verdejantes desta região, além de incríveis paisagens, oferecem uma variedade ímpar de vegetais, raízes e ervas. Os sabores amargos/azedos são os mais apreciados e aparecem nas sopas, com destaque para a kaeng ho, feita com tiras de bambu em conserva.

As salsichas, por sua vez, são a especialidade do Norte. A spicy red sausage (salsicha vermelha picante) é prato obrigatório na mesa de turistas e de muitos locais, e leva no seu preparo, além e carne de porco moída com pimentões secos, alho e limão. Destaque, também, para os noodles. Em Chiang Mai o khao soy rouba a cena.

Em todas as bancas de rua você ainda encontra o sticky rice (arroz grudento) e filetes de carne de porco, galinha ou peixe fritos. Detalhe: estes últimos petiscos saem por menos de R$ 0,60 o espetinho.

Um detalhe interessante: pela proximidade com Myanmar e Laos, estes dois países também aparecem nas mesas do Norte da Tailândia. Por isso, segundo Tanikan, nesta região se prefere um arroz mais “glutinoso”, como eles chamam, ao típico arroz branco. Este arroz glutinoso – mais denso – é enrolado com as mãos e mergulhado dentro dos pratos com os molhos de preferência de cada um.

 

Uma das vantagens da comida de rua e que voce pode ir 'pro restaurante' super a vontade...
Uma das vantagens da comida de rua e que você pode ir pro “restaurante” super à vontade

 

Nordeste 

Aqui, a influencia do país vizinho, Laos, é muito mais forte do que em toda a Tailândia. Prova disso está no dialeto Lao – ainda falado nesta região – e na própria culinária. Banhado em parte do território pelo Rio Mekong, o Nordeste, que também tem certa presença cambojana em seu dia-a-dia, oferece sabores surpreendentes, como o somtan, feito com mamão verde batido e misturado com alho, molho de peixe, sucos e outros ingredientes. Ervas e conservas também estão presentes nas mesas dos moradores dessa região, assim como camarões fritos, com tomates e amendoins torrados (que, muitas vezes, acompanham o somtan).

Próprio desta região é o bagre (peixe-gato) do Rio Mekong, só encontrado por volta do mês de maio. A iguaria é tão concorrida que os restaurantes o armazenam, dentro do possível, para o ano inteiro.

 

Que tal um grilo de sobremesa?
Que tal um grilo de sobremesa?

 

Sul

É o paraíso dos apreciadores de frutos do mar, de lagostas, caranguejos a camarões gigantes. E é fácil de entender o porquê: a região é cercada de água por todos os lados, do Mar de Andaman, que banha as incríveis praias de Krabi, Railey Beach, Koh Phi Phi e Phuket, até o Golfo da Tailândia, palco da estonteante Koh Samui e cia. O coco também tem forte presença nas plantações, economia e nas mesas.

No passado, por certo um ponto estratégico para o comércio marítimo, muitos indianos deixaram suas pegadas e o curry por lá, herança presente até hoje nos apimentados pratos locais. O mais típico deles é o kaeng tai pla, feito com o mais picante dos curries que já comi até hoje e de um amarelo vibrante.

Abacaxis germinam em profusão e, ao lado de castanhas de caju, emprestam um sabor todo especial à ensolarada região, que, de lambuja, bebe mais café (local) do que em todo o resto do país. Aqui também se encontra uma espécie de feijão nativo, o sataw – que, infelizmente, não lembra o nosso.

O extremo Sul da Tailândia, na divisa com a Malásia (país muçulmano), registra forte presença islâmica na língua e também na culinária.

Salus Loch

Salus Loch

Salus Loch é jornalista, advogado, escritor e fotógrafo amador, mas, acima de tudo, é um apaixonado por contar histórias e conhecer o mundo. Cada canto dele, se possível. Neste blog ele vai narrar, através de reportagens e fotos, um pouco de suas andanças – que cortam, no momento, o Sudeste Asiático. Detalhe: assim como você, ele evita gastos desnecessários em viagens. Os mochileiros irão gostar!

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