Township Tour

No mesmo dia do Museu do Distrito 6 nós seguimos para algumas favelas da região. O Tour tradicional, se não me engano, passa por 5 favelas e dura o dia todo, mas como fomos com o nosso motorista do projeto passamos por 3 favelas só e na hora do almoço já estávamos em casa.

Começamos por Langa, pertinho de onde trabalhamos. A favela é estranha aqui, tem desde casas bem boas até uns containers, umas casas de papelão.. O guia explicou que tem muita gente que conseguia melhorar de vida pós Apartheid, mas ainda não tem condições de pagar uma casa na cidade e nem vontade de deixar a vizinhança para trás. E realmente tudo ali é comunitário. Em um canto várias famílias se juntam pra lavar roupa, todos compram a carne (que fica exposta no sol, cheia de moscas) no mesmo lugar, os banheiros são banheiros químicos.. Nunca entrei numa favela no Brasil, mas uma amiga minha que trabalhou na Rocinha disse que achou a do Brasil ainda mais precária, mas a situação aqui é bem deprimente.

Aqui é super comum os turistas entrarem nas favelas. Paramos em uma para comer churrasco (os que gostam de carne e tiveram coragem de experimentar, né, fiquei enjoada só de chegar perto) e tinham várias grupos de turistas por ali. Eles ganham dinheiro também vendendo artesanato lá dentro, são os mesmos que são vendidos por toda a cidade e lá as vezes é até mais caro, mas pelo menos você sabe que o dinheiro está indo para o lugar certo. Experimentei uma cerveja que eles fazem aqui mesmo porque não tem dinheiro para comprar cerveja. É horrível, não tem gosto de alcool, é um gosto adocicado, parece leite com cereais hahaha, mas vale a experiência, né? Achei falta de educação não experimentar…

Vimos um grupo de música/dança/teatro em uma delas também, uma escolinha onde as crianças e adolescentes da comunidade aprendem os instrumentos. Entramos no meio, tocamos também, foi bem interessante.

No geral o passeio foi tranquilo, mas e muito triste se infiltrar nesse outro lado da realidade daqui. A pobreza é muita, muita mesmo. Tudo é bem precário. E  governo, como no Brasil,  nada. O contraste com todo o resto que eu estava vendo por aqui é absurdo e agora ainda mais eu acho que Capetown se parece com o Rio de Janeiro ou com São Paulo.

Outra coisa interessante que nosso guia falou foi que hoje em dia tem mais preconceito entre os negros e os chamados “coloured” ou mestiços do que entre os brancos e negros. Isso porque na época do Apartheid os mestiços tinham mais direitos e mais oportunidades e hoje, como sempre, o governo tem aos poucos ajudado os mais necessitados (negros), o que causou uma rixa.

Enfim, o tour é triste, você se sente mal, se sente culpado por ter o que tem, mas é necessário. Esse banho de realidade é o que eu vim buscar aqui. Essa é a África, essa é a verdade, o resto é progresso.

 

Marina Loretti

Marina Loretti

Marina é estudante Cinema. Vai passar um mês em Cape Town trabalhando em um hospital infantil como voluntária. A recompensa será imensurável.

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