Viajante CI: Fort William, capital dos esportes de aventura

Fort William está no coração das West Highlands escocesas, é a ‘capital dos esportes de aventura do Reino Unido’, uma região abençoada por paisagens deslumbrantes, muita água, florestas e montanhas. Com muita história, gente simpática e de fácil acesso, seria uma das cidades mais bonitas da Escócia, não fosse a má idéia de algum engenheiro no passado de cortar o vilarejo com uma rodovia. O resultado disso é uma cara de cidade de passagem, bem sem graça. Você tem que realmente entrar em Fort William pela rua principal, a High Street, pra sacar o que tem por aqui.

Muito acontece por causa e em torno do Ben Nevis, a montanha mais alta da Grã Bretanha – que nem é tão alta assim, com seus 1.300 mts é quase um morrinho. Pra você comparar: o Pico do Itatiaia, na divisa do Rio de Janeiro, São Paulo e Minas Gerais, tem 2.800 metros.

Mesmo assim o Ben Nevis tem seu pico coberto de neve na maior parte do ano e, durante o inverno, atrai um monte de gente para sua estação de esqui. Já durante o verão a cidade fica lotada por grupos procurando passeios por trilhas e cachoeiras. Pelo que deu pra perceber em dois dias, não falta opção mesmo no chuvoso outono das Highlands.

A mais famosa delas, com ônibus várias vezes por dia saindo do centro da cidade (pare no Visitor Information Centre, colado à estação de trem, para pegar a tabela de horários) é o Nevis Range. É um complexo turístico com restaurantes e cafés mais estação de sky, um sistema de gôndolas que sobe a montanha, trilhas para caminhada e mountain bike (com bikes pra alugar).

Mas atenção: não vale a pena insistir se o dia estiver chuvoso. Não vai dar pra ver nada e faz um frio assustador – aproveite pra ver algumas das outras coisas da cidade ou mesmo pra parar um pub e ficar curtindo uma cerveja e uma lareira.

Outro passeio bastante procurado na cidade é a Ben Nevis Distillery. É uma destilaria de whisky pequena, local, com uma loja e um café (com ótimos doces, aliás). A tour custa £4 e dura uns vinte minutos. Sai uma a cada meia hora, mas vale ligar antes. Vale a pena apenas se você é curioso para saber como é o longo processo de preparação do whisky, qual a diferença entre single malt e blended e qual o efeito que a bebida sofre ao passar mais de uma década em barris. Mas se seu lance é só comprar umas garrafas dos bons spirits das Highlands, vá à uma loja/restaurante/café chamado Highland Centre usar seu VTM. Fica pertinho do centro de Fort William, sentido Corpach, que tem uma excelente variedade de whiskies e mais todo o tipo de trecaiada escocesa que você pode querer: kilts, livros de história, scottish terriers de pelúcia com cachecol tartan, os grossos arans, que são os suéteres escoceses que duram a vida toda e ainda cashmeres autênticos (caros, portanto).

Saindo do roteiro turístico padrão: próximo à Ben Nevis Distillery, na estrada entre Corpach e Fort William, há uma discreta placa indicando o Inverlochy Castle. O pequeno Inverlochy, bem na beira do rio, era habitado por um clã importante até ser substituído pelo forte que batizou Fort William. Com o passar dos séculos se tornou um local para criação de porcos e hoje fica escondido entre uma ponte de ferrovia, o rio, um campo de futebol e um cemitério, injustamente esquecido. Não confunda com o hotel grande com o mesmo nome que tem ali perto, esse foi uma residência privada de verão construído no século XIX e desde 1969 funciona como hotel de luxo.

O vilarejo de Corpach, uns quinze minutos depois de Fort William na estrada ou duas estações de trem na direção de Mallaig, é uma opção bem legal pra hospedagem longe da rodovia e do, digamos, “agito”. Fica na entrada do Caledonian Canal, é silenciosa e bucólica e oferece um punhado de simpáticos bed & breakfast, além do museu de pedras preciosas, fósseis e rochas chamado Treasures of the Earth que os locais parecem amar e tem uma impagável caverna com luz negra.

Digo isso porque lance é ficar num dos muitos bed & breakfast da região. Esse tipo de hospedagem normalmente é mais barata, quase sempre administrado por famílias, com comida caseira e clima tranquilo. Foi a CI que escolheu o meu B&B em Corpach, o Mansefield House, uma deliciosa e confortável casa de quatro quartos, propriedade da Bev e do Toby, que sabem tudo da área, inclusive quando o tempo vai melhorar. O lugar tem wifi gratuito, é super quentinho, limpo e tem café-da-manhã e jantar usando ingredientes locais e frescos. As receitas do Toby são, de longe, a melhor coisa que eu comi na viagem até agora.

Fort William também pode servir de base pra uma viagem mais longa, com pulos nas ilhas ao norte e em muitos castelos e monumentos na área. São cinco horas de trem saindo de Glasgow – sempre usando seu BritRail Pass. Na volta, você pode esticar até Inverness (de ônibus, cerca de uma hora e meia, não há trem) que é a cidade que serve de base para visitar o monumental Loch Ness, e suas muitas tours e quinquilharias relacionadas ao Nessie. E se estiver à caminho da Inglaterra, aproveite que há trem diário que faz a viagem de Inverness até a estação de Kings Cross.

Última dica: sempre leva roupa impermeável para Fort William. E se seu lado esportista precisar de algo de última hora, como meias novas ou uma capa de chuva, a Nevisport, bem na saída subterrânea da estação de trem, tem tudo isso.

 

Gaia Passarelli

Gaia Passarelli

Jornalista, criadora do rraurl e ex-MTV. Acompanhe o roteiro 30 dias no Reino Unido de muito aprendizado para aprimorar a escrita em inglês.

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